30 março, 2009
sobre as notícias iniciais da semana...
... a discussão sobre expulsar ou não um aluno que levou uma arma pra escola em São Paulo - cuja mensalidade é de R$1.700,0 - e a cara de pau de seus pais que disseram que "nem se lembravam que tinham uma arma em casa" me faz pensar no que aconteceria se a mesma situação tivesse ocorrido em uma escola qualquer da periferia de qualquer grande cidade - e ter a quase certeza de que o fato só se tornaria notícia se a arma tivesse sido disparada contra alunos e professores
...um judeu que escreveu sobre coisas engraçadas e ridículas da Bíblia - mas diz que quem não a leu é "cego" - e diz que é melhor ler o seu livro, "que é bem menor do que a Bíblia", me sugere que o mais fácil e mais palatável é o que deve ser seguido...como se algum texto "fácil" mudasse a vida de alguém.
...a Dona da Daslu ter sido sentenciada a mais anos de prisão que o Marcola - líder do PCC - e todo mundo achar isso um absurdo...então não seria o caso de aumentar a pena do Marcola? Ah, e ela só passou uma noite na cadeia, o habeas corpus já a livrou de ter que passar os dias presa enquanto recorre da decisão...enquanto isso ela paga milhões para um dúzia de advogados justificar o injustificável.
...novo estudo diz que a carne vermelha não deve ser cortada da alimentação - contrariando os trezentos estudos que dizem o contrário - mas que deve ser consumida com moderação. Ora, Platão já sugeria tal moderação, e seu discípulo Aristóteles propunha a justa medida...alguma novidade?
...um conselheiro do tribunal de contas do rio de janeiro comprou uma casa por R$ 163 mil mas a casa vale R$ 1,5 milhão...a desculpa dele é que ele diz ser bom em investimento...vai ser bom assim na resolução dos problemas do Rio!!
Todas
as ansiedades postas
os medos fortes
as coragens grossas
as verdades escuras
as mentiras laicas
as vontades loucas
as vidas mortas
24 março, 2009
Sobre a ditadura...
24/03/2009 11:42:14
Emiliano José "... Mas, se as chamadas “ditabrandas” – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça – o novo autoritarismo latino – americano, inaugurado por Alberto Fujimori, no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente". (Editorial da Folha de S. Paulo, de 27/02/2009).Esse parágrafo do editorial Limites a Chávez desnuda qualquer pretensão crítica de Folha de S. Paulo à ditadura militar. Constituiu uma impressionante defesa do golpe militar de 1964. Vamos dar uma olhadinha apenas nele, nesse parágrafo, para que depois entremos com mais rigor no assunto. Primeiro, a Folha diz que não havia golpe. Havia apenas uma simples “ruptura institucional”. Não houve tanques nas ruas, não houve prisões, não houve torturas. Nada.
E na sequência, depois dessa quase angelical ruptura institucional, a ditabranda - o neologismo cunhado pela Folha para definir a ditadura militar – preservou a disputa política na sociedade brasileira, certamente em moldes civilizados, como está quase explícito no texto. A ditabranda, que os leitores desculpem o uso abusivo do termo, depois da ruptura institucional – outra vez peço desculpas – preservou ou instituiu “ formas controladas de disputa política e acesso à justiça”. É, na opinião da Folha, foi apenas isso.
A ditadura garantia não só a disputa política como também acesso à justiça. Diabo é o Chávez que, em 10 anos de poder, disputou 15 eleições, venceu 14, e em todas elas experimentou a presença rigorosa de observadores internacionais. Seguramente não foi esta a ditadura que eu vi, que a sociedade brasileira viu.
"... A via-crucis de Eduardo Collen Leite – Bacuri – durou 109 dias. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pela equipe do delegado Sérgio Fleury, e conduzido a um centro clandestino de tortura em São Conrado. Foi interrogado e torturado em muitos locais no Rio e em São Paulo. Após ser retirado do X-1 do Deops/SP, nunca mais foi visto por ninguém, a não ser por seus algozes. No dia 08 de dezembro de 1970, o corpo de Bacuri foi encontrado nas imediações de São Sebastião, litoral norte do Estado de São Paulo. Seu corpo foi encontrado apresentando hematomas, escoriações, cortes profundos, queimaduras, dentes arrancados, e olhos vazados". ( Dos filhos deste solo: Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio).
Não houve a singeleza da ruptura institucional, que só a Folha e a direita brasileira viram. Houve um golpe violento. Sem exagero, regado a sangue. Sangue de brasileiros e brasileiras. Um golpe que usou e abusou da tortura. Que matou covardemente centenas de opositores. Matou quase invariavelmente na tortura. Que prendeu, perseguiu, humilhou, maltratou milhares de pessoas. Que fez desaparecer pessoas. Que seviciou mulheres e crianças. E sempre fez isso à custa do sacrifício da liberdade, inclusive a de imprensa, que, parece, a Folha não viu ou não quis ver. Por que a Folha, então, designa uma ditadura tão violenta, tão sanguinária, de ditabranda?
Uma ditadura que teve à frente generais tão cruéis como Castello Branco, Costa e Silva, como Garrastazu Médici, como Ernesto Geisel, pode ser tida como branda? Uma ditadura que criou monstros como Doi-Codis, como a Operação Bandeirantes, como o CENIMAR, como o Deops/SP, essa infernal máquina repressiva, de tortura, pode ser anistiada assim, como o fez a Folha? Uma ditadura que se vale de um Fleury, de um Ustra, pode ser tida, dita como branda? Só pela Folha mesmo!
"... Lamarca se levantou e tentou se afastar. No mesmo instante, uma rajada de metralhadora, disparada por Dalmar Caribé, atingiu-o pelas costas. Caiu imobilizado pelo impacto de três tiros – nas nádegas, na mão direita e no ombro esquerdo. Deitado estava, deitado ficou, sem tempo de usar o Smith Wesson e o Taurus 38. Ainda estava vivo quando recebeu mais quatro tiros, a curta distância, três deles no peito e um último a queima roupa no coração". (Do livro Lamarca, o Capitão da Guerrilha, de Emiliano José e Oldack de Miranda).
Costumo dizer que, salvo as sempre honrosas exceções, a imprensa brasileira não pode contar sua própria história. Infelizmente, sempre ficou ao lado das ditaduras e contra quaisquer governos democráticos e reformistas. O grupo Folha foi um aliado da ditadura. Por isso essa posição, a que “deixa escapar” o termo ditabranda não deveria surpreender ninguém. O neologismo ditabranda não é um simples ato falho.
Corresponde à história do grupo. Há um livro precioso de Beatriz Kushnir - Cães de Guarda - que deveria ser leitura obrigatória das escolas de jornalismo e de quem pretenda conhecer uma parte considerável da história de jornalismo sob a ditadura, de modo especial a história do grupo Folha. Por ele se compreenderá a gênese da ditabranda, se esclarecerá o quanto de cumplicidade houve entre a ditadura e o grupo Folha. Não falo mais para não prejudicar a leitura.
A Folha, depois de receber uma saraivada de críticas de leitores indignados com o editorial, fez um primor de Nota de Redação. Disse que “na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional”. Decididamente, o jornal podia ser um pouco mais zeloso, ter um mínimo de respeito com os leitores, consideração com a inteligência dos brasileiros. Será que a Folha, ao fazer sua macabra contabilidade – quantos mortos pela ditadura brasileira, quantos pela ditadura Argentina, por exemplo – queria dizer que se a ditadura brasileira matou “só” algumas centenas de pe ssoas, torturou “apenas” alguns milhares de brasileiros, foi mais branda porque “afinal” podia ter matado e torturado muito mais?
O editorial, para além dos equívocos históricos e conceituais quanto a Hugo Chávez, constitui uma afronta à sociedade brasileira e uma atitude de escárnio face a milhares de familiares de pessoas presas, torturadas, mortas, mutiladas, desaparecidas por conta da ação da ditadura quem em momento algum foi branda, insista-se.
Para aumentar o desastre, a Folha desqualificou a crítica, tentando diminuir os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, que se insurgiram corretamente contra o editorial. Lamentável.
E é sintomático que o editorial de defesa da ditadura apareça no momento em que o Brasil discute a punição dos torturadores. Muito sintomático. A existência rotineira de tortura por si só é a negação de qualquer brandura. Ditadura, nunca mais!
"... Assim que começou a atravessar a rua em direção ao carro, estalou a fuzilaria. Não se sabia de onde exatamente vinham os tiros, porque vinham de todas as direções. O primeiro perfurou-lhe as nádegas, entrando pelo lado direito e saindo pelo esquerdo. O segundo atingiu-o na região pélvica, a bala se alojando no arco pubiano. O terceiro atingiu-o de raspão, no queixo. E um quarto tiro fraturou-lhe uma costela e perfurou a aorta e o pulmão. Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura, estava morto" (Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar, de Emiliano José).
05 março, 2009
sobre a homossexualidade
Sempre que eu vou dar aula sobre natureza humana volta o tema sobre a homossexualidade, e
acho incrível como ainda tem gente que acha que é doença...bem pra quem ainda acha...
Revista superinteressante
Homossexualidade é doença?
Não. A comunidade médica é unânime ao afirmar que nenhuma orientação sexual é doença. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra da lista de transtornos mentais ou emocionais e a decisão foi seguida por todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo.
Mas a questão voltou à tona nos últimos meses por causa de um projeto de lei - inédito no mundo - que está tramitando na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O deputado estadual e pastor evangélico Édino Fonseca (PSC) propõe que verbas públicas sejam usadas no tratamento de pessoas que "voluntariamente optarem por deixar a homossexualidade". No caso de menores, os pais poderão escolher se a criança ou o adolescente deve passar pelo tratamento. Para Édino, a homossexualidade é um distúrbio psicológico. "O tratamento vai desfazer os bloqueios que levaram aquela pessoa à homossexualidade", diz.
04 março, 2009
Estou, decididamente, sem palavras...
Segue a mensagem recebida:
Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede.
Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis à agonia do pobre animal.
Até que finalmente morreu de inanição, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário.
parece-te forte?
Facto que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição :
<http://www.petition online.com/ 13031953/ petition. html>
(não tem que se pagar, nem registar) para enviar a petição, de
modo que este homem não seja felicitado nem chamado de 'artista' por tão cruel
acto, por semelhante insensibilidade e desfrute com a dor
alheia
Para ver a cara do "artista" e o pobre cachorro:
http://www.youtube.com/watch?v=uw4ujhvnNzc
03 março, 2009
Milk, ou sobre a importância da Liberdade
"Milk", o preço da liberdade
| Para continuarmos livres, é preciso defender a liberdade do vizinho como se fosse a nossa |
ASSISTINDO a "Milk - A Voz da Igualdade", de Gus Van Sant (extraordinário Sean Penn no papel de Harvey Milk), lembrei-me de um e-mail que recebi em abril de 2008. Era uma circular de www.boxturtlebullet in.com (um site sobre os direitos das minorias sexuais), que "comemorava" os 55 anos de um evento sinistro: em 1953, Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, assinou um decreto pelo qual seriam despedidos todos os funcionários federais que fossem culpados de "perversão sexual". Essa lei permaneceu em vigor durante mais de 20 anos: milhares de americanos perderam seus empregos por causa de sua orientação sexual.
Fato frequentemente esquecido (um pouco como foi esquecida, durante décadas, a perseguição dos homossexuais pelo nazismo), nos anos 50, no discurso do senador McCarthy, a caça às bruxas "comunistas" se confundia com a caça às bruxas homossexuais. Por exemplo, uma carta do secretário nacional do Partido Republicano (citada na circular) dizia: "Talvez tão perigosos quanto os comunistas propriamente ditos são os pervertidos escusos que infiltraram nosso governo nos últimos anos". Essa não era uma posição extrema: na época, a revista "Time" defendeu o projeto de despedir todos os homossexuais que trabalhassem para o governo federal.
É nesse clima que, nos anos 70, em San Francisco, Milk se tornou o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público.
Poderia escrever sobre as razões que, quase invariavelmente, levam alguém a querer esmagar a liberdade de seus semelhantes. O segredo (de polichinelo) é que muitos preferem odiar nos outros alguma coisa que eles não querem reconhecer e odiar neles mesmos. E poderia contar a história de Roy Cohn, braço direito de McCarthy, que morreu, em 1984, odiando e escondendo sua homossexualidade e gritando ao mundo que a causa de sua morte não era a Aids (ele foi imortalizado por Al Pacino na peça e no filme "Anjos na América", de Tony Kushner).
Mas, depois de assistir a "Milk", estou a fim de festejar o caminho percorrido em apenas meio século: o mundo é, hoje, um lugar mais habitável do que 50 anos atrás. Aconteceu graças a milhares de Harvey Milks e a milhões de outros que não precisaram ser nem homossexuais nem comunistas nem coisa que valesse: eles apenas descobriram que só é possível proteger a liberdade da gente se entendermos que, para isso, é necessário defender a liberdade de nosso vizinho como se fosse a nossa. Nos anos 70, quase decorei a carta aberta que James Baldwin (escritor, negro e homossexual) endereçou a Angela Davis (jovem filósofa, negra e militante), quando ela estava sendo processada por um assassinato que não cometera, e o risco era grande que o processo acabasse em uma condenação "exemplar". Baldwin lembrava as diferenças de história, engajamento e pensamento entre ele e Davis, para concluir: "Devemos lutar pela tua vida como se fosse a nossa - ela é a nossa, aliás - e obstruir com nossos corpos o corredor que leva à câmara de gás. Porque, se eles te pegarem de manhã, voltarão para nós naquela mesma noite".
Os direitos fundamentais não são direitos de grupo, eles valem para cada indivíduo singularmente, um a um. É óbvio que grupos particulares (constituídos por raça, orientação sexual, ideologia, etnia etc.) podem e devem militar coletivamente pelos direitos de seus membros, mas, em uma sociedade de indivíduos, a liberdade de cada um, por "diferente" que ele seja, é condição da liberdade de todos. Por quê?
Simples: se meu vizinho, sem violar as leis básicas da cidade, for impedido de ter a vida concreta que ele quer, então meu jeito de viver poderá ser tolerado ou até permitido, mas ele não será nunca mais propriamente meu direito. "Milk" é um filme sobre um momento crucial na história das liberdades, mas não é um filme "arqueológico" . A gente sai do cinema com a sensação renovada de que a militância libertária ainda é a grande exigência do dia. Ótimo assim.
Um amigo me disse recentemente que eu dou uma importância excessiva à contracultura dos anos 60/70. Acho, de fato, que ela foi a única revolução do século 20 que deu certo e, ao dar certo, melhorou a vida concreta de muitos, se não de todos. Acho também que suas conquistas só se mantêm pelo esforço cotidiano de muitos. Afinal (quem viu o filme entenderá), surge uma Anita Bryant a cada dia
02 março, 2009
sobre a impossibilidade de sobreviver perto de uma TV
Grande B mesmo...será que as pessoas AINDA acreditam mesmo que nada daquilo é armado? Será possível tamanha ignorância? Desculpem-me, mas não aguento mais calar diante de tamanha imbecilidade!!
26 fevereiro, 2009
23 fevereiro, 2009
sobre o blog do Ailton, reconhecidamente um dos melhores do Brasil!
Ontem eu estava tentando ver na internet o Oscar, já que não tenho mais tv a cabo, e os mui queridos Maneu e Ailton me ajudaram.Percebi que o problema da minha net nao é o 3G da claro em si, mas a quantidade de pessoas na rede. Em outras épocas, acredito que teria sido impossível acompanhar o Oscar ao vivo, on line, mas como é carnaval e a maioria das pessoas estava na rua, foi possível e ainda passamos s transmissão conversando sobre o que ia acontecendo na festa...Muito bacana...mas o mais legal foi saber dessa matéria que saiu na Folha on line sobre o blog do Ailton sobre cienama, o www.cinediario.blogspot.com. Quem ainda não conhece, aproveite!!
Conheça alguns dos melhores sites cinematográficos da rede
CÁSSIO STARLING CARLOS
da Folha de S.Paulo
O volume de informações e material audiovisual lançado a cada segundo na rede deixa o interessado em cinema desnorteado. Quem não tem controle ou não consegue filtrar acaba perdido num oceano em que tudo pode parecer relevante ou irrelevante demais.
| 23.fev.2008/Amy Sancetta/AP |
| Kodak Theatre, em Los Angeles, onde acontece o Oscar, principal prêmio do mundo do cinema, no próximo domingo, dia 22 deste mês |
Para o mero curioso, para o atento ou para o profissional, a Variety e o Hollywood Reporter mantêm seus postos de bíblias, cobrindo cada minúsculo movimento da indústria, as futuras produções, o desempenho de bilheterias, os balanços de audiência (no caso das produções de TV, como séries, que também ganham intensa cobertura nestes sites). Para aqueles que não procuram tanta exaustividade, a melhor opção é assinar as newsletter e dar uma espiada diária na caixa de entrada.
Ainda para os que acham que informação nunca é demais, a recomendação passa inevitavelmente pelo Ain't It Cool News, que tem cara e conteúdo de bazar da 25 de Março --prateleiras temáticas e, dentro delas, um caos de tantas notícias.
Por outro lado, o blog Greencine e o site de Dave Kehr alimentam sem dar essa sensação de indigestão. Com um design limpo, o Greencine coloca lançamentos, festivais ou eventos em um patamar superior de exigência, oferecendo apenas o que é estritamente relevante e distribuindo o conteúdo em seções organizadas tematicamente, o que torna tudo bastante fácil de achar.
O Greencine é também um ótimo ponto de partida para a blogosfera cinéfila em inglês, com links para praticamente todos os blogs e revistas eletrônicas que importam, como, por exemplo, a Rouge (www.rouge.com.au) e a Cinema Scope (www.cinema-scope.com).
Ensaios
No caso de ensaios, o que se encontra na rede varia do lixo ao luxo, e vale mais se tornar fiel de publicações como a Senses of Cinema, a Bright Lights (www.brightlightsfilm.com) ou a argentina El Amante (www.elamante.com) do que se dispersar na poligamia.
Para escapar da atualidade a qualquer preço e seus riscos de julgamentos apressados, um oásis é a seção de artigos do site do Museum of the Moving Image, capaz de juntar desde interpretações sobre os filmes históricos feitos por Roberto Rossellini para a TV até uma análise da aparência dos videogames dos primórdios, como o PacMan.
No Brasil
Para quem não quer ficar refém nem da língua, nem da perspectiva estética estrangeira, a rede brasileira não deixa nada a desejar, com destaque para a produção crítica.
A Cinética e a Contracampo são pontos de passagem obrigatórios para quem procura profundidade e atenção especial ao cinema contemporâneo. A agenda e outros tópicos atuais da produção audiovisual também encontram boas indagações em português na Cinequanon (www.cinequanon.art.br) e na FilmesPolvo (www.filmespolvo.com.br/site).
Já a profusão de blogs em português tende tanto ao ultranarcisista como à citação entre amigos. Fora dessas duas tentações, ninguém vai ficar com a sensação de perda de tempo se acompanhar o cuidadoso trabalho de formiga feito no Diário de um Cinéfilo e as entusiasmadas releituras do cinema brasileiro propostas no Estranho Encontro.
Por fim, o maior serviço de utilidade pública para quem quer aprofundar os conhecimentos vem sendo feito pelo grupo do Dicionários de Cinema (dicionariosdecinema.blogspot.com), com traduções de textos essenciais da grande crítica francesa.
22 fevereiro, 2009
de Saramago, sobre israelenses e palestinos...
GAZA
José Saramago
A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho.
Desde o dia 9 de Dezembro os caminhões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende.
Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.
20 fevereiro, 2009
sobre a crise nos bancos Mundiais
O "inventor" do Socialismo disse:
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar
bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até
que se torne insuportável.
O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".
Karl Marx, Das Kapital, 1867
(recebido do amigo Marcelo Amoreira)
18 fevereiro, 2009
Ainda sobre o problema das torcidas...
Contradições humanas
| A violência urbana, dentro e fora dos estádios, e a falta de cidadania são uma vergonha para o Brasil |
O SER HUMANO está, com frequência, dividido, mesmo quando não percebe, entre o prazer e a realidade, entre a ambição e a ética, entre ganhar uma partida a qualquer preço e respeitar as regras e os adversários.
Além da guerra urbana e da ida dos marginais para os estádios, a violência dentro e fora dos campos ocorre por causa da hostilidade entre os dirigentes, da pressão que sofrem os atletas e os treinadores para vencer de qualquer jeito e do exagerado destaque que a mídia dá às rivalidade entre os grandes clubes de um Estado.
Na emoção de uma partida, muitos atletas, mal-educados e pressionados por todos os lados, esquecem os valores éticos e o respeito pelo adversário e mostram todo o ódio e a agressividade humana.
No relacionamento com as torcidas organizadas, os dirigentes têm um discurso para a imprensa e outro quando recebem esses torcedores em seus gabinetes.
O presidente do Corinthians deu um grande número de ingressos para o jogo de domingo para a turma barra-pesada. Essa relação perniciosa, que acontece em muitos clubes, contribui para a violência. Esses torcedores se sentem protegidos, poderosos e acima das leis.
As contradições estão em toda a parte. É frequente ver pessoas, no futebol e em todas as atividades, participando de atividades solidárias, posicionando-se contra as injustiças e, ao mesmo tempo, tendo comportamento ganancioso e pouco ético no cotidiano.
Alguns grandes empresários, que se orgulham de seus trabalhos sociais, são os mesmos que pressionam e se aliam a políticos para serem beneficiados em seus lucros, prejudicando a população.
Como escreveu Ferreira Gullar, Lula tem um discurso para os ricos e outro para os pobres. Ocorre o mesmo em relação ao esporte.
O presidente fala uma coisa para os dirigentes e outra quando dá uma entrevista à ESPN Brasil, uma emissora independente e crítica.
Lula não pode nem deve mudar as regras do esporte por meio de decretos, mas pode influenciar mudanças nas leis, como a de acabar com a prática de dirigentes se perpetuarem no poder.
Na semana passada, o presidente do Vasco recebeu acusações e críticas. Roberto Dinamite se defendeu. Os fatos precisam ser apurados. Uma das críticas, confirmada por Dinamite, é a de que o clube paga um salário de R$ 9.500 para um parente. Como dizem os políticos, o presidente alegou que precisa de uma pessoa de confiança a seu lado.
No futebol, em todas as atividades e em todo o mundo, os que lutam pelo poder, alegando motivos nobres, costumam fazer as mesmas coisas que seus antecessores.
No Brasil, as irregularidades são mais frequentes, por causa da impunidade e da prática disseminada do jeitinho brasileiro.
Pior, mesmo as pessoas de bem se acostumam com tudo isso.
Poucas ficam indignadas com o absurdo da violência urbana e nos estádios, com os abusivos gastos no Pan-Americano, com as agress� �es entre os jogadores durante as partidas, com as pessoas que jogam lixo nas ruas pelas janelas de seus carros de luxo, que estacionam em filas duplas e com tantas outras coisas comuns no cotidiano.
16 fevereiro, 2009
Sobre os abusos das torcidas...
Aqui no Ceará é sempre um problema em dia de jogo, ontem tivemos que chamar a Ronda do quarteirão por causa de um quase assalto e eles disseram que em dia de classico fica difícil fazer qualquer coisa fora da área do jogo...
Esse pessoal de torcida organizada gosta de confusão? gosta...Mas também gostam de ir ao estádio assistir ao jogo....façam como mãe faz com filho quando quer dar um castigo, tirem deles o que eles mais gostam. Gastem o dinheiro que o povo paga pra poder ter segurança comprando camêras e identifiquem os bárbaros, proibam a entrada deles nos jogos e vamos ver se não melhora...no mínimo vamos saber quem são e poderemos agir...
Tem coisa que me tira a paciência...
10 fevereiro, 2009
04 fevereiro, 2009
01 fevereiro, 2009
Primeira publicação
taí o link, pra quem se interessar:
http://archai.unb.br/revista/
23 janeiro, 2009
Sobre como os paulistas vêem o mapa do Brasil
Conversa com uma amiga da minha mãe, pouco tempo depois de eu ter vindo morar no Ceará:
Ela: e ai, ta gostando da Bahia?
Eu: To adorando, o Ceará, que é pra onde eu vim...
Ela: Ai, sei que ai é tudo lindo! sol, mar (até ai, tudo bem) acarajé, axé (ops!)
Eu; Pois é, até tem acarajé aqui, mas o melhor é o da Bahia
Ela: Ai, pois vê se arranja um baiano bem bonito ai pra mim!!!
Eu: Posso até tentar, mas acho que cearense seria bem mais fácil...
21 janeiro, 2009
Barak Hussein Obama

Jovem
Negro
Democrata
Canhoto
Gostaria muito de acreditar que os americanos realmente elegeram alguém novo, com idéias progressistas e preocupado com o bem público.
Que votaram em um filho de africano ( e que a cor da pele não tenha sido sequer motivo de discussão, por ser algo que não altera em nada o caráter ou a índole de alguém).
Que votaram em um homem nascido em um Estado pouco expressivo nacionalmente
Que ignoraram os mitos relacionados ao fato de alguém ser canhoto*
Que não associaram seu nome a "terroristas"
Mas, se assim fosse, não teríamos ouvido tanto falar na eleição do "Primeiro presidente americano negro".
Ou não saberíamos de que país da África seu pai é. Ou o que ele e a mulher tiveram que superar ao longo da vida para "chegar aonde estão".
Se os americanos tivessem realmente superado seu maniqueísmo nacionalista, a campanha de Obama não teria sido a mais cara de todos os tempos, e ele teria sido eleito mesmo se estivesse em um pequeno partido fora do "bipartidarismo oficial" americano.
Não acredito em salvadores, até porque é impossível algum tipo de salvação dentro do modo capitalista que rege o mundo. Sei que as pessoas do mundo estão vendo nele um Messias negro que irá salvar a humanidade do mal. Sei que pensam, em cada lugar do mundo, que ele irá fazer vigorar a lei dos direitos humanos e acabará com as guerras, gerando um período de paz mundial nunca antes visto.
Sei que cada um de nós deseja, no íntimo, que ele seja melhor que o Bush.
Mas, convenhamos, pior que o Bush é praticamente impossível.
*No antigo Egipto, o deus Set era chamado "o olho esquerdo do Sol" e era considerado o mal e o Diabo. Hórus, o deus da vida, era chamado "o olho direito do Sol".
No budismo Buda diz que o caminho para o Nirvana (o estado puro e da salvação) divide-se em duas partes: o da mão esquerda, que é a maneira errada de viver e deve evitar-se e, claro, o da mão direita, que é o caminho certo...
Nos países muçulmanos e na Índia, as pessoas não comem usando a mão esquerda, porque é com ela que se limpam depois de defecarem ... Só a direita é que é a "mão limpa", por isso só com ela é que podem comer.
O nome dado ao Diabo é Satanás. E diz o livro sagrado dos judeus (o Talmude) que o Diabo tinha um comandante, o príncipe dos demónios, cujo nome significava "o lado esquerdo". Como isso significava o Mal, o Bem tinha de ser o lado direito
Em várias línguas estas palavras têm (infelizmente) significados negativos:
latim - sinister - significa "sinistro, demónio".
italiano - sinistra - significa "esquerda".
romeno - bongo - significa "torto" ou "diabo".
inglês (termo escocês) - gawk-handed - significa "canhoto", mas gawk quer dizer "pessoa tola".
inglês (termo americano) - goofy é a pessoa que usa o lado esquerdo, mas também é usado para "pateta" e "trapalhão"
italiano - mancino - significa "canhoto", mas quer dizer também "pessoa desonesta".
francês - gauche - significa "esquerda", mas quer dizer também "pessoa desajeitada". Gaucher - significa "canhoto".
espanhol - zurdo - significa "canhoto", e "ir azurdas" quer dizer "ir na direcção errada".
russo - levja - significa "canhoto", é também um insulto e veio da expressão no levo que significa "mau", "vil". Quer também designar um traficante do mercado negro.
polaco - lewo - significa "canhoto", é também algo ilegal ou proibido.
alemão - linkisch - significa "desajeitado", links quer dizer "esquerda"...
19 janeiro, 2009
Filme brasileiro: Vingança
A seleção para a Berlinale 2009 de um filme brasileiro, cuja realização custou apenas 80 mil reais constitui, de fato, uma vingança do cinema independente nacional contra a ditadura do patrocínio - na feliz definição de Neville D´Almeida - instaurada pelas leis de incentivo à cultura vigentes.
O longa do gaúcho Paulo Pons, sugestivamente denominado “Vingança”, passaria despercebido não fosse a surpreendente iniciativa do Festival de Berlim, indubitavelmente um dos mais importantes de todo o mundo.
Rompe-se desta forma um paradigma basilar: é necessário e inevitável que o conceito de baixo orçamento seja reformulado urgentemente, no que concerne a produções do gênero, visando a futuros editais da Ancine e do MinC, bem como de todos os demais órgãos públicos atinentes à cultura.
Com “Vingança” como parâmetro, uma dúzia de filmes pode ser produzida com um milhão de reais, ao invés de apenas um.
Assim, torna-se premente e indispensável a criação de uma categoria de filmes de baixíssimo orçamento, cuja verba seja diretamente concedida pelo poder público, abolida a mediação do patrocinador subsidiado, figura caricata e surrealista típica de nossas plagas, um patente paradoxo, um modelo teratológico e claudicante do bestialógico institucional do Brasil, abominação suscitada pelo cínico emprego do princípio de renúncia fiscal no autêntico paraíso dos escroques em que (sobre)vivemos, onde o caixa 2 é a norma oculta e a burguesia só paga os tributos que bem
15 janeiro, 2009
Minha turma de Pacajus
Escolher uma profissão com pouco reconhecimento, seja social ou financeiro, não é fácil. Enfrentar as dificuldades de uma nova carreira depois dos 30 anos, também não. Mas são fatos como os que aconteceram ontem que me fazem a cada dia ter a certeza de que fiz a escolha certa.
Foi a segunda disciplina que dei em Pacajus, uma na sequencia da outra, com o recesso do final do ano entre elas. Desde a primeira aula já identifiquei um grupo interessante e interessado, o que faz a alegria de qualquer professor (ok, dos que são interessados em trabalhar de verdade, não dos que só querem passar o tempo), mas ao longo das aulas comecei a ver que outros alunos passaram a se interessar mais e que aquilo que eu estava falando tinha algum reflexo. A sementinha que eu tento plantar parece que germinou, e ontem, ao finalizarmos a disciplina, recebi umas das maiores demonstrações de carinho que já tive. Me fez acreditar que vale a pena acreditar num mundo melhor, que as pessoas podem se superar e buscar algo novo e que nossa dedicação não foi em vão.
Infelizmente aqui não cabem todas as fotos tiradas, mas com certeza ficarão comigo...Num grupo cheio de artistas, ganhei uma retrato em preto e branco maravilhoso, dos melhores que já vi, um cordel contando um pouco da minha vida e muitos mimos, aos quais agradeço de coração...
Queria agradecer ao grupo de Pacajus pelos momentos maravilhosos que passei, não só ontem, mas durante toda a disciplina. Espero poder reecontra-los em breve....
O cordel (era filosofia viu gente, não psicologia...na especialização é que foi psicopedagogia :) ):
Venho lhes pedir agora
um pouco de atenção
pois vou falar de alguem
que foi so contradição
Ela eu pouco conheço
seu nome é Erika Bataglia
tem jeito de nome estrangeiro
parece que veio da Itália
Professora, vou pedir
licença pra contar
um pouco da sua história
que lhe ouvimos falar
sua família é italiana
gente bem tradicional
que quer tudo bem certinho
radicalismo total
Ela morava em São Paulo
na escola pública estudou
mas suas lições não fazia
pois sua mãe não deixava
tinha que cuidar da cada
e também de seus irmãos
mas as notas; as melhores
Ou já vinha o cinturão
Ao tornar-se adolescente
tinha uma grande paixão
era fã de carteirinha
do "nada crítico" Lobão
Essa paixão revelava
umensa contradição
com que a família pregava
Imaginem a confusão!
Fez fotos para modelo
só pra família irritar
pois não tinha pretensão
da carreira executar
Adolescente casou-se
talvez pra fugir de casa
teve um filho e separou-se
Agora sim, tinha asas!
Em uma empresa importante
começou a trabalhar
mas não era suficiente
pra sua vida completar
Foi transferida pra vir
trabalhar no Ceará
Então foi que descobriu
as voltas que a vida da
prestou vestibular
na faculdade ingressou
escolheu Psicologia
E com êxito se formou
Fez sua pós-graduação
e suas raízes fincou
Dentro da educação
que faz com imenso amor
está cursando mestrado
na área de Filosofia
foi buscar nos grandes sábios
inspiração e sabedoria
Para nós você é exemplo
de mulher batalhadora
e mais que isto, é espelho
de uma grande vencedora
Mas ela não é só isso
há o que se desconhece
se quiserem ver o que é
procurem na internet
Vamos dar apenas dicas:
Vocês conhecem a mulher-gato?
Não sei se é fantasia,
ou se de fato é seu retrato
é apenas brincadeira
desculpe a invasão
queremos é agradecer
por sua contribuição
Fica a nossa saudade
e nossa admiração
Por ter dado o seu recado
com tanta dedicação!
13 janeiro, 2009
Correria de início de ano
Tenho que mudar isso, mas está difícil...
09 janeiro, 2009
do ano que terminou...
o ano começou e não tenho muitas coisas pra falar, não parei de trabalhar ainda (bem).
to sem net, sem saco pras pessoas que não gostam de mim e fingem que gostam e menos ainda com vontade de escrever, entao, é isso...
30 dezembro, 2008
Vestido de noiva e Toda nudez será castigada – Possíveis relações na noção de si mesmo na obra de Nelson Rodrigues
Vestido de noiva e Toda nudez será castigada – Possíveis relações na noção de si mesmo na obra de Nelson Rodrigues
Erika Bataglia da Costa
Mestranda em Filosofia da UFC
Orientanda da Profª Maria Aparecida Montenegro
A obra de Nelson Rodrigues traduz de maneira muitas vezes dura e cruel a classe média brasileira, mostrando sua hipocrisia e sua tentativa desesperada de se encaixar nos padrões e normas de conduta ditadas muitas vezes por aqueles mesmos que sucumbem aos apelos da contemporaneidade. Uma das características mais marcantes de sua obra é a perversidade nas relações sociais, percebidas nas atitudes das pessoas revelando a hipocrisia, a exacerbação e deslealdade das competições, a tentativa de esconder os desejos proibidos, o conformismo exagerado ou o inconformismo agressivo mostrando um universo extremamente pessimista.
Neste trabalho pretende-se fazer um paralelo entre aspectos da obra em relação à noção de si mesmo. Para tanto, faz-se necessária a elaboração de pequeno resumo para contextualização da discussão.
Na obra Vestido de Noiva a personagem principal é Alaíde, mulher da classe média casada com rico industrial e que pensa que será assassinada. A trama se passa em três planos diferentes: a realidade, a memória e a alucinação. Neste último, Alaíde encontra Madame Clessi, prostituta do inicio do século de quem Alaíde leu o diário e por quem passa a nutrir profunda admiração. No plano da realidade Alaíde rouba o namorado da irmã e se casa com ele e acredita que será assassinada, sendo atropelada por um carro e passando por uma longa cirurgia. Durante a cirurgia os planos da memória e da alucinação se entrecruzam constantemente, com várias ações acontecendo de forma não linear.
Em toda nudez, o rico empresário e religioso Herculano perde a esposa e seu irmão, diante da depressão de Herculano e com medo de perder sua fonte de recursos financeiros, apresenta a ele a prostituta Geni, por quem ele se apaixona. O filho de Herculano, Serginho, desaprova o casamento de ambos até que percebe que pode aproveitar de tal situação para trair o pai, a quem culpa pela sua permanência na prisão e o trauma de ter sido molestado por um ladrão boliviano. Após casar-se, Geni passa a ser amante do enteado, e comete suicídio ao descobrir que este a trocou pelo bandido boliviano. Antes, porem, de se matar, deixa registrado o seu relato para o marido Herculano, talvez numa tentativa de explicar sua traição ou de fazer com que ele também sofra com a descoberta.
Em ambas as obras várias imagens e símbolos mostram essa amarga concepção da existência, sem nenhuma surpresa, com pouca sutileza, em que pese a manifesta intenção de ironizar símbolos sagrados à cultura judaico-cristã. Dessa maneira, em Vestido de Noiva o que deveria simbolizar a virgindade, a ingenuidade de sentimentos, a paixão pelo noivo com o qual ocorrerá a união sob a benção de Deus e dos homens, nos mostra um cenário completamente dessacralizado, sem pureza ou castidade, e a hora em que a noiva deve ser vestida é o momento máximo da representação da discórdia, da competição entre Alaíde e sua irmã. “Eu sou muito mais mulher que você, lúcia, sempre fui”. Com essa frase Alaíde tenta justificar para a irmã a sua conduta ao roubar seus namorados, reforçando a noção de si diante da outra.
Em Toda Nudez, o luto de Herculano é quebrado pela paixão avassaladora por Geni, prostituta que afinal sonha em ser uma “mulher de bem”. Os símbolos sagrados na casa em que Geni passa a residir ao casar com Herculano são retirados dos lençóis empoeirados e colocados a descoberto, mas no final das contas continuam ignorados. Alaíde, por sua vez, é mulher da classe média que sonha em ser como a prostituta Clessi, por quem nutre profunda admiração.
Na obra Toda nudez será castigada, Geni, mesmo casada, mantem uma relação com o jovem enteado, reforçando por diversas vezes aspectos de sua juventude. Em Vestido de Noiva, madame Clessi também mantem uma relação com um jovem de apenas 17 anos e vê nele traços de seu filho, levando o espectador a perceber certo ar de incestuosa eroticidade. Tanto Geni quanto Madame Clessi, cada qual à sua maneira, morrem por causa desses jovens.
Outra característica que perpassa as duas obras diz respeito ao machismo, transparente ou reprimido, das personagens, inclusive mulheres. Herculano e Pedro, apesar de profundamente diferentes, tem em comum esse aspecto, e baseiam suas ações sempre no fato de serem – ou terem que ser – superiores às mulheres, que na verdade os manipulam e confundem, na maioria das vezes. Sua noção de si fica perturbada quando percebem não ter em suas mãos as rédeas do destino.
Em ambas as obras a família tem papel secundário mas importante, pois é exatamente a partir delas que se impõem as obrigações morais das personagens. Em Vestido de Noiva, a família ignora o fato de Alaíde ter roubado o namorado da irmã e prepara o casamento tentando ignorar a realidade da traição tão pungente. Após a morte de Alaíde, Lúcia se casa com Pedro em ritual tal qual o anterior e esse fato parece não transtornar nenhum membro da família. Em toda Nudez será castigada, durante o casamento de Geni com Herculano, uma de suas irmãs diz que ela nem parece prostituta, num desejo profundo de apagar o passado da agora membro da família e evitar as prováveis críticas da sociedade burguesa em que vivem.
O desfecho das duas obras é trágico, mas, diante da anuência dos membros envolvidos, parece banal. A morte das protagonistas parece por em curso um continuísmo sem fim na vida daquelas famílias, oprimidas pelo desejo de manter-se fiel às tradições, mesmo que para isso precisem enterrar com seus mortos todas as perversões ocorridas em suas salas e quartos.
19 dezembro, 2008
18 dezembro, 2008
sem férias
09 dezembro, 2008
HEXACAMPEÃOOOOO!!!

30 novembro, 2008
14 novembro, 2008
Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
(Vinícius de Moraes)
12 novembro, 2008
Osesp em Fortaleza
Sempre achei que isso era um absurdo, e que os governantes se aproveitavam deste senso comum para não investir em espetáculos do gênero. Domingo, minhas certezas foram reforçadas. Lindo demais chegar no Parque do Cocó e encontrá-lo completamente lotado.
Que os governantes percebam isso e parem de achar que cearense só quer saber mesmo é de forró...
06 novembro, 2008
sobre Geraldo Vandré



23 outubro, 2008
Erika Bataglia da Costa*
...os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se
Não é tarefa fácil imaginar uma adaptação cinematográfica para essa obra-prima de Saramago, transformar a prosa do escritor português em filme poderia resultar na diminuição do impacto de várias cenas e se tornar apenas mais um filme onde humanos se tornam zumbis, imagem que a maioria tem ao ler as cenas onde os cegos estão com as bocas abertas para cima no meio da rua, para beber a água da chuva, ou cambaleando famintos dentro de um supermercado em busca de alimentos.
Obviamente a adaptação não tem o mesmo impacto que sua fonte. O cineasta disse em entrevista ter tentado manter cenas mais chocantes na edição, mas foi convencido (leia-se, impelido pelos patrocinadores) a tornar o filme mais palatável para evitar chocar a platéia. Não há como não se chocar com a obra de Saramago, e este é talvez o maior problema com o filme. A “cegueira branca” influenciou a fotografia do filme, quase todo em tons claros, em alguns casos até o extremo. A luz é tão forte que acaba impedindo a visão, em algumas cenas, de quem vê o filme, trazendo uma imagem de assepsia que se contrapõe à sujeira descrita no livro e que se vê de forma menos intensa no filme. Não que se faça questão de ver toda a sujeira dos excrementos dos cegos no local da quarentena, mas no livro a imagem passada pelo autor choca e tem um motivo. Saramago cria parábolas e paradoxos. Por um lado, pessoas “sãs” que passam pelas outras como se estas fossem invisíveis, mas que depois precisam destas mesmas pessoas para se salvar, outras que procuram ajudar o próximo como numa situação de altruísmo quando na verdade é apenas pela percepção de que sem o outro não é possível ser si mesmo. A humanidade dá passagem à selvageria em busca de sobrevivência. Em desespero extremo, mulheres se submetem aos homens para conseguir comida, e voltam como guerreiras que não deixaram de ser quem elas de fato são por causa da coerção alheia. Da vergonha e desespero à força para impedir que novas coerções como estas aconteçam, são as mulheres que colocam à prova a força do grupo que se dizia líder. A mulher do médico, única a enxergar, tenta ajudar a todos o tempo todo, deixando de lado a si mesma. Observando o comportamento deles e o modo como se relacionam uns com os outros, ela chega a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são a partir do momento em que não podem mais julgar a partir do que vêem. Cansada da situação, percebe que é a única que pode resolver o problema. Ao sair do local da quarentena, vê que a cidade toda foi praticamente destruída por causa da epidemia, e aproveitando-se de sua rara condição, guia o grupo até sua casa.
*Mestranda do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Ceará – UFC. Bolsista Capes-Reuni.
Lendo uma entrevista do Truffaut, do livro O CINEMA SEGUNDO FRANÇOISTRUFFAUT, dele falando a respeito do filme O QUARTO VERDE, não pudedeixar de compartilhar essas palavras do sábio cineasta com vocês.Transcrevo-as abaixo: "Mas tudo que é do domínio afetivo reclama o absoluto. O filho quer amãe por toda a vida, os amantes querem se amar por toda a vida, tudoem nós pede o definitivo - enquanto que a vida nos ensina oprovisório. Eu me pergunto se o que há de mais importante no mundo nãoé esse momento em que invertemos isso, em que achamos, por exemplo,que nossos filhos são mais importantes para nós do que nossos pais... Na medida em que o tempo passa, torna-se conveniente esquecermosnossos mortos, pois, esquecendo-os, é a nossa própria morte queesquecemos. Proust disse: "Não é por os outros estarem mortos que anossa afeição por eles diminui, mas porque nós mesmos morremos..." Sim, o verdadeiro dilaceramento reside na necessidade de aceitarmos oprovisório - para sobrevivermos."
20 outubro, 2008
Não dá...
MIM??? Quem é o índio? Axei??? Sinceramente, não da muito mais trabalho escrever corretamente não.
16 outubro, 2008
das coisas bacanas que acontecem em dias ruins...
O bom é que, sem que esperemos, surgem pessoas novas e bacanas e transformam a noite em algo muito leve, me fazendo esquecer os problemas todos...(apesar de parte da noite ter me trazido uma tristezinha daquelas bem fortes lá no fundo)
Música, muita música, antiga (leia-se música de dor de cotovelo, perfeitas)...
Cervejas e cantorias depois: Parte do diálogo:
A: Vocês lembram do plebiscito para definir se teríamos um regime presidencialista, parlamentarista ou monarquista?
B: Lembro, eu votei no presidencialismo
C: Eu lembro, mas era muito nova pra votar...
Eu: Eu votei no presidencialismo também...
A: Pois pra mim, se a monarquia ganhasse, o rei deveria ser o Paulinho da Viola!
Todos nós, pensando a mesma coisa: é, sabemos que seria um Orleans e Bragança desses, mas que deveria ser o Paulinho, ahhh, com certeza!!
Orgulho
(Paulinho da Viola – Capinan)
Você passa dissipada
Na fumaça de seu orgulho
E os dias móveis carregam
O móvel laqueado
Não se usam mais os pés dourados
Nem as promessas de um amor
Atormentado e vazio
Um velho caminhão de mudanças some na fumaça
Para onde você passa?
Para onde as coisas passam?
Quando o orgulho esmaga as asas
O tempo é um pássaro de natureza vaga
Saudade
Você fez da minha vida
Uma rua sem saída
Por onde andou minha solidão
E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
E se desfolha em meu coração
Para aliviar o meu sofrimento
Rompe em silêncio meu canto de felicidade
Dentro de um samba eu desfaço o que ela me fez
Quero abrigar, no entanto
Mais uma flor que renasce
Para fugir da saudade e sorrir outra vez

Chico Buarque - 1982
15 outubro, 2008
dos contratos sociais
Mais uma vez quebrei a cara, acreditei em quem não devia e agora fico me perguntando...será que eu estou certa?Ainda dá pra uma pessoa de boa-fé viver num mundo onde as pessoas agem por má-fé?
Quando foi que a palavra dita perdeu sentido?
Quando foi que um pedaço de papel virou rei?
Meu pedaço de papel assinado e carimbado deveria valer mais, só que a morosidade é imbatível...
Refazendo os planos, cá estou novamente me perguntando quando é que o mundo vai finalmente me mudar...
Minha única alegria é saber que a palavra "amigo" é daquelas que ainda fazem sentido...
06 outubro, 2008
Das coisas que eu quero...
Deitado ao meu lado
ou distante de mim
me dê boa noite
numa segunda-feira
chuvosa ou não...
01 outubro, 2008
Até filósofo espera um grande amor...
30 setembro, 2008
25 setembro, 2008
Das dores, dos horrores...
09 setembro, 2008
H-G. Gadamer
06 setembro, 2008
Besteirol corinthiano
"United Colors of Corinthians"
| Idéia de vender espaço para fotos de torcedores transforma camisa do time em revista "Caras" de pano |
A IMAGINAÇÃO dos cartolas brasileiros não tem limites, pelo menos quando se trata de levantar dinheiro rápido à custa da paixão do torcedor.
A mais nova idéia genial, daquelas que fazem uma lampadinha acender acima da cabeça do sujeito, é da diretoria corintiana: imprimir fotos de torcedores nas camisas usadas pelos jogadores na partida que selar a volta do clube à Série A, mediante a módica quantia de R$ 1.000 por cabeça.
De acordo com os autores da idéia, cada camisa dos dez titulares da linha (o goleiro, por algum motivo, está excluído) teria espaço para 400 fotos. Com isso, o clube arrecadaria R$ 4 milhões em 90 minutos. Pode ser que eu tenha entendido tudo errado, mas vejo alguns problemas na concretização da proposta.
Primeiro, num torneio de pontos corridos, é impossível saber de antemão em que partida um clube confirmará sua classificação, uma vez que isso depende de uma série de resultados de outros jogos da rodada.
A não ser que se combine com todos os clubes envolvidos, a CBF, o comitê de arbitragem etc. -o que, afinal, talvez não seja tão difícil assim.
Mas há também a prosaica questão material, métrica -ou antes, milimétrica. Por mais que a camisa de um atleta possa ser ampla, ela tem uma superfície limitada. Para que caibam nela 400 caras de torcedores, essas terão que ser minúsculas fotos 3x4, mesmo porque tem de sobrar espaço para o número do jogador, o distintivo do clube, o logotipo do fornecedor de material esportivo e o reluzente nome do patrocinador.
Outra coisa: com tantas carinhas impressas na camisa, dificilmente ela terá uma cor facilmente discernível, como o preto e o branco característicos do time. E cada camisa, trazendo impresso um conjunto diferente de retratos (e portanto de indivíduos, com sua diversidade étnica e cromática), tenderá a ter uma cor diferente das outras.
Você consegue imaginar a confusão carnavalesca de um elenco vestido com semelhante "desuniforme"? No mínimo vai parecer obra do Bispo do Rosário. Ou anúncio da série "United Colors of Benetton".
Os autores da idéia mencionam uma iniciativa semelhante que teria sido adotada pela equipe de F-1 Honda. Tudo bem, mas um piloto não tem que se vestir de modo a se igualar a seus companheiros de equipe e a se diferenciar dos rivais.
Mas deixemos de lado a miudeza dos entraves práticos. O que esse plano genial, no fundo, significa? Para mim, que os dirigentes estão apelando mais à vaidade do que propriamente à fidelidade do torcedor.
Na sociedade da imagem e da superexposição pessoal em que vivemos, faz sentido que uns endinheirados queiram estampar seus rostinhos numa camisa, digamos, histórica.
Os torcedores mais fiéis provavelmente prefeririam usar os R$ 1.000, se os tivessem, comprando ingressos para todos os jogos do Corinthians na competição, ou para viajar com o time para um importante confronto fora de casa. (Isso tudo, claro, depois de comprar comida, pagar aluguel, passe de ônibus etc.) Mas talvez eu esteja jurassicamente enganado, falando sozinho num mundo em que faz todo o sentido a transformação da camisa do Corinthians numa espécie de edição têxtil da revista "Caras".
jgcouto@uol.com.br
05 setembro, 2008
02 setembro, 2008
Quem sabe, um dia...
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Santiago do Chile, abril de 1964




