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17 fevereiro, 2010

As últimas do meu Twitter

  1. Poseidon, Zeus, Hades,Atena, Hermes, Quíron, Perséfone, sátiros, centauros, semideuses, Medusa, precisa conhecer p aproveitar Percy Jackson
  2. @ailtonmonteiro Que absurdo! Formam técnicos sem o mínimo de conhecimento mais profundo! Eu não vi O HOMEM...parece muito bom...Enjoy!
  3. Val, Ailton e Cia: Cinema hoje, Iguatemi, Percy Jackson e o Ladrão de Raios, 16:05h (é sobre mitologia). Bóra? 11 reais a inteira :)
  4. @sinalfechado Pois é, nada a ver...Ter que criar muros para separar as pessoas com escolhas diferentes já é ruim, e assim entao...
  5. Em tempos de inclusão, acho um retrocesso. A grade é específica e só terá disciplinas de "artes". Quer dizer que eles só podem ser artistas?
  6. Campinas terá a primeira Escola Jovem LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais)
  7. Mas ele diria: "O mundo das explicações e da razão não é o da existência" Ok, meu caro, mas eu sempre tento entender...
  8. "Estamos condenados a ser livres" O caro Sartre não devia conhecer a TV aberta brasileira naquele tempo...
  9. Acabou! Acabou!! Bom, ainda não, hoje ainda tem os jornais fazendo uma "revisão" de tudo o que aconteceu no Carnaval, mas tá bem pertinho...
  10. Definitivamente, eu ADORO pizza...se pudesse, comeria todos os dias...
  11. Não é por nada não, mas até no Carnaval os corinthianos tem que arrumar confusão? Perdeu, paciência, parte pra outra, sem baixaria
  12. Acabando o carnaval e eu longe de acabar o que tinha planejado fazer...
  13. Scelta: Carnevale o Giochi olimpici di inverno. Solamente quell'esiste in televisione oggi
  14. Perché mia nonna parlò solamente in italiano a me per giurare?
  15. Io sto traducendo un testo di filosofia per la mia dissertazione nel centro del carnevale
  16. Escolas de samba em São Paulo e no Rio "homenageiam" 50 anos de Brasília, mas nenhuma toca no assunto (antigo) da corrupção. Cegueira grupal
  17. e segue a tradução do livro...pena que dos meus avós o único italiano que aprendi foi o dos palavrões...
  18. Teve um que disse ser um erro um homem da pré-história usar gravata, que só surgiu na época de napoleão...O homem era o Fred Flinstone.
  19. Engraçado ver o desfile das escolas e o monte de besteiras que os repórteres falam a respeito das fantasias das escolas.
  20. Fora da Glenda no carnaval: Dizer q carnavalesco queria uma cleópatra mais "feinha" ao se referir à atriz fora do padrão ridículo de magreza

13 fevereiro, 2010

A evolução da Educação

A Evolução da Educação.

Infelizmente tenho que dizer que muito do que trata esse texto é verdade. Estamos cada vez mais sendo coniventes com a falta de ensino real nas escolas, e "passando" alunos sem a mínima condição...só não concordo com a "ironia" com as minorias. Um erro histórico deve ser debatido com mais rigor e entendido mais adequadamente...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de
produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$
80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00


E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a
professora provocou traumas na criança.


Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.


“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta
melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará' em deixar filhos
melhores para o nosso planeta?"


Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!

12 fevereiro, 2010

Café e Filosofia - Sesc Centro

Dia 25.03, estarei lá falando de Simone de Beauvoir! Apareçam!

08 fevereiro, 2010

sobre a etiqueta na Filosofia, por Renato Janine Ribeiro

Olho Grego
Os temas pequenos da filosofia

Renato Janine Ribeiro

De onde vem a palavra etiqueta, usada para tratar dos bons modos, maneiras decentes e gestos bem educados? Uma etimologia tenaz a deriva da "pequena ética", uma vez que em espanhol e mesmo em português podemos usar o sufixo -eta como diminutivo: a etiqueta seria então uma ética menor. Hobbes, por exemplo, diz a certa altura do Leviatã (1651) que não vai tratar de small morals, da moral pequena, da moralzinha. É uma forma de traduzir a etiqueta.
Outra origem se encontra nos dicionários de francês: étiquette seria o rótulo que se colocava nos sacos em que se guardavam processos judiciais, na França do século XVI. A etiqueta-rótulo dizia o que estava contido dentro deles. Por- tanto, a etiqueta seria um rótulo. É algo que está fora que indica o que ou quem está dentro. É uma aparência que mostra a essência.

A etiqueta se impõe na passagem da Idade Média à Renascença. Foi tema fartamente estudado por Norbert Elias, Johan Huizinga e por mim mesmo. Ela une os dois sentidos acima. Por um lado, é um conjunto de regras que não tem a profundidade da grande moral, da verdadeira ética. São regras que devem ser seguidas. Uma ética mais forte não tem rol do que é certo ou errado.

As duas etiquetas


Anos atrás, Antonio Candido me disse que havia duas etiquetas, ambas se constituindo no final da Idade Média. Uma era a etiqueta da submissão diante da hierarquia, que nasce na corte de Borgonha. Outra era a etiqueta entre iguais, que cresce nos Países Baixos. Ambas demonstram respeito. Mas um é o respeito do inferior, outro o do igual.

Fui pesquisar isso e acabei escrevendo um pequeno livro a respeito, A etiqueta no Antigo Regime, que deve bastante a Norbert Elias e a Johan Huizinga. É curioso que as duas etiquetas tenham nascido em terras que pertenciam ao mesmo senhor, o duque de Borgonha - embora a Borgonha propriamente dita fosse domínio feudal e os Países Baixos, cidades autônomas e desenvolvidas.

Mas o ponto principal é que, em face de uma Idade Média rústica, o século XIV cria costumes mais refinados. Os bons modos são uma forma de demonstrar respeito diante do outro. Há vários tipos de outro. Um é o príncipe. Diante dele, as pessoas se ajoelham: elas o veneram quase como se ele fosse o próprio Cristo. Outro é o tipo de respeito dos burgueses entre si. Huizinga conta uma história de dois cidadãos que se encontram numa ruela muito estreita, e ficam um pedindo ao outro que passe, "não, o senhor primeiro": quinze minutos de rapapés.
E há ainda a mulher. Respeitar a mulher exige um cuidado com a linguagem e a postura física que rompe com os modos medievais. No começo do século XIII, quando morre o conde Guilherme Marechal, regente da Inglaterra, nem se mencionam os nomes de sua mulher e filhas. Elas mal aparecem. Entretanto, quando vão aumentando os torneios, ocasiões em que os nobres simulam guerrear em frente às mulheres, elas vão adquirindo importância. Isso significa adotar maneiras mais cuidadas, evitar grosserias e se refinar.

Civilização

Um dos principais livros de Norbert Elias é O processo civilizador, em que ele conta, com detalhes, mas também com interpretações refinadas, essa gradual conquista da educação sobre a grosseria. (Devo dizer que nem todos o leem assim. Alguns acham que ele mostra como os "bons modos" são uma forma - violenta - de impor ordem na sociedade, lançando desdém sobre os rústicos).
Talvez sua ideia mais oportuna de lembrar, hoje, seja que a exibição cada vez maior do corpo, sobretudo feminino, nas últimas décadas vem junto com um aumento de autocontrole. É o contrário do que imaginaríamos à primeira vista. Quando se adota o biquíni e depois o fio-dental, tem-se a impressão de que um, permitam a palavra, liberou geral. Mas não é nada disso. O homem que vê uma mulher com quase todo o corpo nu tem que agir como se ela estivesse inteiramente vestida. Não pode atacá-la, não pode desrespeitá-la. Mas isso exige esforço por parte dele.

Portanto, não ocorrem apenas mudanças porque as pessoas usam roupas mais exíguas. Elas ocorrem também porque quem lida com elas tem de se adaptar a isso. O aparente "ganho" erótico de enxergar mais do corpo alheio é compensado por um seguro "custo" de ter que se conter mais que no passado. Os jovens que vaiaram uma colega na Uniban porque usava um microvestido, que o digam: faltou-lhes autocontenção.
Por isso, o que temos em cena não é algo apenas político. É claro que podemos fazer uma interpretação política do que as boas maneiras representam. Mas seu principal papel é social, mais que político. Constrói-se, nas palavras de Elias, uma civilização. Os costumes são civilizados. (O livro dele, A civilização dos costumes, deve ter o título entendido como o civilizar dos costumes, e não como uma civilização que se caracterizaria pelos costumes). Isso muda o mundo.

Questões Pequenas

A etiqueta, dizia, é uma pequena ética. As questões de que Elias trata são pequenas, também. Mas são fundamentais. Dizem respeito ao que Foucault chamaria uma microfisica. Cobrem ações que afetam o dia-a-dia de todos: são dezenas ou centenas de bilhões de gestos diários que expressam nosso respeito, nossa contenção - ou nosso desdém, quem sabe.
Norbert Elias demorou, talvez por se ocupar de matéria considerada pequena, para ser reconhecido. Escreveu sua grande obra, que mencionei, em 1939. Alemão, ele estava exilado na Inglaterra. Mal se notou esse livro. Chegou, na década de 1960, a ir dar aulas na recém-independente Gana, o que mostra como a academia o ignorava. Contudo, em seus últimos anos de vida, teve reconhecimento. Hoje, é uma referência obrigatória nas Ciências Sociais e na História - e as questões que levanta têm forte interesse filosófico, quando mais não seja porque a "pequena ética" nos faz perguntar sobre suas fronteiras com uma "grande ética"

06 fevereiro, 2010

sobre as angústias da vida moderna

Na minha última aula da sexta-feira surgiu uma discussão acalorada sobre uma postura que adotei diante de uma fato que me incomodou. Falávamos de Ética e cidadania e eu tentei mostrar que, se não formos seres éticos, será impossível a convivência. Engraçado que as pessoas acham normal furar fila ou pagar propina, mas se incomodam se alguém toma sua vaga em um estacionamento ou se fura a fila do cinema na sua frente e te faz ficar sem ingresso...não conseguem ligar as duas coisas, simplesmente acham que podem agir de qualquer maneira sem que isso interfira nas suas vidas.

Continuo dizendo a mesma coisa, eu posso não mudar o mundo, mas que as pessoas no mundo não vão me fazer desistir de tentar, pode ter certeza que não vão...

03 fevereiro, 2010

Calor insuportável

Quando vim morar em Fortaleza, calor a gente só passava se ficasse no sol, na sombra sempre era mais agradável. Agora, impossível aguentar mesmo na sombra...

E tem gente dizendo que aquecimento global é lenda urbana :(

17 janeiro, 2010

sobre as pinturas de Igor Bezerra


Persona - Bergson


Eva Green de Vênus de Milo


O meu preferido: O Iluminado - Kubrick. Este ele disse que ia me dar, não deu tempo...

sobre algumas poucas horas em Recife...


Fui a um congresso de Filosofia em Recife em meados de 2008. Na última noite, depois da palestra de uma professora na livraria Cultura, vários alunos e professores seguiram pelas ruas de Recife antigo, até parar no Burburinho (é esse o bar?)...eu seguia sozinha, próxima do grupo pois sabia que ali era uma região perigosa, quando um rapaz aparece ao meu lado e fala que também gostava muito de Kubrick, especialmente Laranja Mecânica...eu me assustei por um segundo, como ele poderia saber? até lembrar que minha camiseta me denunciava...

No dia seguinte, o último do congresso, ninguém foi para as palestras, e me juntei a eles num botequo perto do alojamento...ele estava lá, e por causa do cigarro tentei sentar longe, mas ele se mudou e ficou ao meu lado..algumas horas de conversa depois ele me pedia em casamento! Imagina, um menino, apesar da barba e do papo...Ri, desdenhei, ele se mostrou seriamente chateado, me pediu para ir ao próximo congresso que seria em sua terra natal, João Pessoa...

Nas fotos que tiramos seu braço escondido sugeria uma gentileza pouca vezes vista em bares com bêbados...respeito à minha alergia! Sempre me sinto como a chata quando tenho que reclamar por causa de cigarro, mas bastou eu esboçar uma palavra para ele entender tudo e manter o cigarro longe de mim...uma raridade...

Poucas vezes conheci alguém tão inteligente e encantador. Não era como a maioria dos homens que faz tudo para paquerar alguém, e depois de perceber que eu não seria sua próxima paquera a conversa tomou caminhos insólitos como nos filmes de Kubrick. Ele tinha uma conversa séria, profunda, mas não era o filósofo niilista que a maioria é...terminada a faculdade, estava se preparando para ir estudar em Salamanca...feliz, feliz...

Nos falamos por msn e orkut muitas vezes, ele além de tudo era um artista...http://www.flickr.com/photos/igorbezerra/page2/

Estava feliz na Salamanca, nos falamos algumas vezes e ele me dizendo que eu tinha que ir pra Europa...e, depois, não tive mais notícias, mas na correria me esqueci de procurá-lo...

Hoje a tarde assisti 2001, Uma Odisséia no Espaço...assim que terminei, vim para o computador e uma amiga que esteve em Recife com a gente me disse que ele havia morrido ( a coincidência do Kubrick me deixou assutada). Levei um choque! Tinha 22 anos...seu trabalho de Master em Salamanca já estava escrito, mas não foi defendido. Mesmo assim, a faculdade o publicou. Seu nome é Igor Bezerra, ou L'Etranger. Assim como um de seus escritores preferidos, foi-se muito cedo. Se Sócrates e Platão estiverem certos, agora ele deve estar discutindo com o mestre Camus, um cigarro numa mão, um copo de whisky na outra...


Impressões de Salamanca

Igor Bezerra

Camus e Benjamim falavam que a melhor maneira de se conhecer uma cidade é se perdendo nela. Isso desvela muito mais do que um romantismo em relação a cidade; antes de tudo marca uma diferença entre o estrangeiro, por assim dizer, e o turista. Este último, muito comodamente trabalha com o guia, seja uma pessoa, seja um papel. E, mais que uma orientação, o guia fornece um a priori, e este é o capital. Isto se dá ao se indicar para visitação os lugares propriamente turísticos, o que também mostra outra faceta do guiar-se predeterminado: a incapacidade de se conhecer a própria vida do lugar, cambiando estes para a contemplação dos costumes feitos para turistas, “macumbas para turista”.

Assim, não se experiencia a própria vivência do lugar. Além de se perder é necessário ir aos lugares que os habitantes da cidade costumeiramente vão, para que, destarte, saiba-se o que se passa cotidianamente naquele lugar, escamoteando as possibilidades de deslumbramento, o qual pode funcionar como escape da realidade que se apresenta.

A questão é perder-se, como acontece quando se tenta encontrar um bar ao qual já se tenha ido, mas ao qual não se sabe voltar, e, então, percorrem-se todas as direções que a Plaza Mayor permite, para que assim se chegue ao lugar desejado sem que se pergunte nada a ninguém. E parte-se da Plaza Mayor porque sempre se faz necessário que se estabeleça um ponto donde começar a considerar as demais coisas. Pode-se pensar que seja subjetivismo ou solipsismo, mas antes, seja questão de perspectiva. Fato é que não se pode reflexionar nada se não se tem um cais. Caso contrário fica-se no devir eterno, e, embora a realidade se dê mesmo dessa maneira, só se consegue trabalhá-la ao se fixar algo, mínimo que seja. Contudo, estabelecer a fixidez e apoditicidade de tudo acaba por negar por quase completamente o que se passe; é a tarefa do turista guiado, que trabalha segundo um a priori.
Ora, por que um a priori? Ver-se-á quão perto da epistemologia tudo isso está. O turista guiado tem um a priori porque o seu processo de conhecimento da realidade depende de algo que já está fora desta, embora tenha sido haurido daí. O que acontece é que tudo se passa como sem tivesse uma meta privilegiada e idealizada a qual se deve chegar enquanto fim-em-si. E pensar que a realidade tem uma meta para tingir é demasiado: eis o que Nietzsche é contra: eis o que a teoria de eterno retorno nega. O que se passa com o turista guiado é um falseamento da realidade, uma vez que este parte da idealização daquela.
Por mais que o movimento possa ser dialético, ao cabo pretende-se a realização de uma idealização, embora, para que se fixe esta dada idealização seja necessário um contato prematuro com a realidade. Não pode haver qualquer idéia que não seja um mínimo de extrato do real. A questão se coloca no grau de idealização que se faz da realidade e a seguinte graduação de balizamento que aquela influi sobre esta. Trata-se, como diria Quine, de “compromisso ontológico”.
E, desta maneira, fique-se com o mínimo. Portanto, em detrimento do turista guiado fique-se com o estrangeiro. Este tampouco conhece a cidade, assim como o turista; quer dizer, conhece menos ainda, uma vez que o turista parte do pressuposto de um algo dado, de um a priori. Para o estrangeiro a experiência se dá unicamente a partir da realidade radical, isto é, o seu primeiro dado é a própria realidade enquanto ato que vai se executando, assim como ele.
Ou seja, o real é a pedra de toque donde o estrangeiro irá construir o seu conhecimento acerca do incógnito. A situação é completamente oposta: de um lado se tem a construção do real a partir da idéia; do outro, tem-se a formulação de idéias a partir do real. Jogo de palavras a parte, a questão vai mais além, ou, antes, mantém-se mais aquém.
Não se trata necessariamente de formulação de idéias a partir do real o que faz o estrangeiro. Pode-se e deve-se permanecer mais aquém. O que se faz necessário, e não poderia ser de outra forma, é a reflexão acerca do que se passa para que se fixe um dado preciso a partir do qual se mantenha a vida. Basta o simples forjar de um conceito, o que é, em sua raiz, possibilidade de manutenção da vida, com o que Nietzsche concorda.
Mais do mesmo é a aceitação do mínimo de compromisso ontológico para que se possa lidar com a vida de modo satisfatório, pois, mais cedo ou mais tarde se tratará de fixar algo da realidade, o pouco que seja não necessariamente um conceito bem acabado, mas, fim das contas, dado o logos, é do que não se pode escapar. Primórdios de tudo, pode se pensar que o único que está é a realidade efetiva, a realidade em ato. Apenas depois da reflexão da experiência é que se torna possível a criação de um conceito, uma idéia, mediante a linguagem. Bom, esse tempo imemoriável já se foi e não se pode recuar. Já se nasce com conceitos formados esperando pra ser aprendidos. E faz-se isso sem que se sinta até o espanto.
Uma vez dado esse, é questão de honestidade ôntico-epistemológica que se estabeleça a realidade como paridora de tudo que advém, e não o contrário, isto é pensar a idéia como grávida. Trata-se do instante pregnante, como fala Aumont acerca da pintura. Mais: acontece que todo instante é pregnante, a depender da perspectiva. A noção de um instante pregnante só se deve ao fato da condição de possibilidade da reflexão, que é a fixidez do fluxo. E, se a necessidade de fixidez é uma necessidade moral para a manutenção da vida, ater-se à realidade prioritariamente e o máximo possível é questão de honestidade ontológica.Dado todo esse qüiproquó epistemológico, apreende-se que o posicionamento ético-ontológico que se mantém nos limites mais baixos, portanto, mais próximos da realidade efetiva, da realidade enquanto ato, é o deixar-se perder-se do estrangeiro.

Segunda feira, 8 de dezembro de 2008

Igor Bezerra natural da Paraíba era artista plástico e ensaísta. Formou-se em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba. Morreu no dia 16 de maio de 2009, aos 22 anos em Salamanca, Espanha onde estava estudando.


08 janeiro, 2010

Chuva, lama e dor


Eu sei que os pais da menina que morreu na pousada estão sofrendo, sei que ela era linda, cheia de vida e tudo mais, mas alguém pode me explicar por que somente se fala da dor dessa família?E as outras tantas que sofreram, que perderam o pouco que tinham, que só aparecem como coadjuvantes para vender programa de TV? A desgraça é muito maior do que a que a TV e a internet insiste em mostrar simplesmente porque ANO QUE VEM VAI ACONTECER DE NOVO!!!Pode ser em outra cidade litorânea, pode ser em cidades atravessadas por rios, mas vai acontecer de novo, e de novo, e de novo...

É óbvio, eu sei, mas ninguém fala disso DE VERDADE! Ficam mostrando os estragos mas esquecem AS CAUSAS! Uma cidade inteira, linda, tombada pelo patrimônio, tombou agora diante da força da natureza, e o que eles falam? Que especialistas que reconstruiram Goiânia antiga irão ajudar a reconstruir a cidade paulista. Quaisquer 7 milhões resolvem o problema, é isso? CLARO QUE NÃO!!

O problema é muito maior, é estrutural, é social, é político acima de tudo! As pessoas não entendem o impacto que cada uma delas causa simplesmente por jogar um papel na rua, lixo nos córregos, bitucas de cigarro em áreas de mata seca! São situações ridículas, as pessoas até percebem que o lixo jogado se volta contra elas mas não aprendem, e não aprendem porque NINGUÉM ENSINA!! Ficam apenas culpando as pessoas mais carentes sem saber que o que é óbvio pra gente não é pra eles! Falta consciência crítica, falta percepção dos problemas, falta tempo para pensar! Quem trabalha pesado dia e noite não tem tempo pra mais nada além de ver novela e toda a bela parafernália de roupas e objetos que ela mostra e insiste que todo mundo deve ter! E a pessoa que mal tem o que comer se endivida pra usar a roupa que a mocinha usa na novela...é triste, é terrível, mas TEM QUE TER JEITO!

Eu sei que o sistema impede muitas mudanças, mas também sei que muita gente usa isto como desculpa para não fazer NADA! Ficam dizendo que não adianta, que a educação não vai fazer diferença porque as pessoas não terão força contra o sistema...e ninguém faz nada! TEMOS QUE QUEBRAR ESSE CÍRCULO VICIOSO!!

Desde que eu me entendo por gente São Paulo alaga com as chuvas. Desde cedo a lógica me dizia que se além de mim, cada pessoa jogasse apenas UM papelzinho na rua, seriam cerca de 8 milhões de papeizinhos indo parar nos esgotos (tô chutando o número, não sei quantas pessoas viviam em São Paulo quando eu tinha 6, 7 anos) e com certeza entupiria tudo! Eu simplesmente parei de jogar! É isso, não é nada, não deve ter feito a diferença mas é uma parte do caminho. tentei convencer quem eu pude para não jogar também, mostro isso nas minhas aulas, estou escrevendo aqui...é pouco, não é nada, mas é o mínimo que eu DEVO fazer. E você, o que você deve fazer e não faz?

E nem vou falar aqui da incompetência do povo (eu inclusive) em cobrar dos seus políticos o que eles devem fazer...




03 janeiro, 2010

de propósito

Não escrevi aqui sobre a "virada do ano", ou coisas assim...quem quiser saber o que penso sobre isso e tiver paciência pra procurar vai ver que no ano passado eu escrevi o que penso. E, infelizmente, eu continuo pensando a mesma coisa.

Fico enjoada só de ouvir tanta gente falando que tudo vai melhorar...vão prender o Sarney e os outros senadores? Vão educar melhor as crianças? Todo mundo vai ter direito a saúde de verdade? Se alguém tiver alguma notícia dessas, confirmada, por favor me avisem. No mais, continuo radicalmente pessimista quanto à isso.

Mas, no que depender de mim, vou continuar fazendo minha parte, e também melhorando coisas que precisam ser consertadas em mim.

No que depender de mim também, vou ser mais feliz.