30 abril, 2010
Sobre a democracia e outras mentiras
20 abril, 2010
Vozes contra a globalização
sobre as absurdidades absurdas, como o preconceito
07 abril, 2010
sobre como eu ODEIO serviços ruins
06 abril, 2010
sobre as coisas que me angustiam ou me entristecem, again
27 março, 2010
O voo de Minerva, de Antonio Carlos Mazzeo
sobre as obras que nos inspiram...
Recebi do amigo escritor Guilherme um e-mail falando da importância do trecho do dostoievsky em sua vida, e recebi dele esse trecho:
“Mulheres” do Bukowski, esse velho safado que só aprendi a gostar com tempo, tal qual o bruxo do cosme velho:
“Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias e ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro para viver minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de casamento não se casava com o outro. Pouco me importava.”
Incrível como esse tipo de literatura me atrai. Talvez por saber que ela nos retrata fielmente. Apesar disso, luto sempre contra em mim o que existe de cruel e tolo...
24 março, 2010
trechos de livros que me marcaram...
12 março, 2010
tudo o que eu queria dizer sobe o BBB mas não quis perder tempo pra escrever...
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
* * *
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia. É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.
Professor, poeta e cordelista.
05 março, 2010
mais sobre os absurdos dos políticos brasileiro OU basta ter boa retórica que o povo acredita!
Para senador, os negros são os culpados pela escravidão no Brasil
Ontem, durante audiência no Supremo Tribunal Federal para discutir o sistema de cotas em universidades públicas, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) usou da palavra para destilar todo o seu profundo conhecimento sobre a história do Brasil. Quem ouviu seu discurso saiu com a impressão de que aprendeu várias coisas novas. Que os africanos eram os principais responsáveis pelo tráfico transatlântico de escravos. Que escravas negras não foram violentadas pelos patrões brancos, afinal de contas “isso se deu de forma muito mais consensual” e “levou o Brasil a ter hoje essa magnífica configuração social” de hoje. Que no dia seguinte à sua libertação, os escravos “eram cidadão como outro qualquer, com todos os direitos políticos e o mesmo grau de elegibilidade” – mesmo sem nenhuma política de inserção aplicada. Com tudo isso, o nobre senador deu a entender que os negros foram os reais culpados pela escravidão no Brasil. As frases (da qual retirei trechos que estão entre aspas) foram registradas pelos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz, da Folha de S. Paulo.
A posição do senador é compreensível, se considerarmos que o discurso feito não foi um ataque à reserva de vagas para negros e afrodescendentes e sim uma defesa da elite política e econômica que controlou a escravidão no país e que, com algumas mudanças e adaptações, desembocou em setores do seu próprio partido.
Depois me perguntam por que a proposta que confisca terras de quem usou trabalho escravo está engavetada no Congresso Nacional…
Um comentário sobre o direito dos libertados exposto pelo senador: Em meados do século 19, com o fim do tráfico transatlântico de escravos, a propriedade legal sob seres humanos estava com os dias contados. Em questão de anos, centenas de milhares de pessoas estariam livres para ocupar terras virgens – que o país tinha de sobra – e produzir para si próprios em um sistema possivelmente de campesinato. Quem trabalharia para as fazendas? Como garantir mão-de-obra após a abolição?
Vislumbrando que, mantida a estrutura fundiária do país, o final da escravidão poderia representar um colapso dos grandes produtores rurais, o governo brasileiro criou meios para garantir que poucos mantivessem acesso aos meios de produção. A Lei de Terras foi aprovada poucas semanas após a extinção do tráfico de escravos, em 1850, e criou mecanismos para a regularização fundiária. As terras devolutas passaram para as mãos do Estado, que passaria a vendê-las e não doá-las como era feito até então.
O custo da terra começou a existir, mas não era significativo para os então fazendeiros, que dispunham de recursos para a ampliação de seus domínios. Porém, era o suficiente para deixar ex-escravos e pobres de fora do processo legal. Ou seja, mantinha a força de trabalho à disposição do serviço de quem tinha dinheiro e poder.
Com o trabalho cativo, a terra poderia estar à disposição para livre ocupação. Porém, com o trabalho livre, o acesso à terra precisava ser restringido. A existência de terras livres garante produtores independentes e dificulta a centralização do capital e da produção baseada na exploração do trabalho. Com o fim do tráfico e o livre mercado de trabalho despontando no horizonte, o governo brasileiro foi obrigado a tomar medidas para impedir o acesso à terra, mantendo a mão-de-obra reprimida e alijada de seus meios de produção.
O fim da escravidão não representou a melhoria na qualidade de vida de muitos trabalhadores, uma vez que o desenvolvimento de um número considerável de empreendimentos continuou a se alimentar de formas de exploração semelhantes ao período da escravidão como forma de possibilitar uma margem de lucro maior ao empreendimento ou mesmo lhe dar competitividade para a concorrência no mercado. Desde 1995, mais de 36 mil escravos contemporâneos foram libertados pelo governo de fazendas de gado, soja, cana…
Para além dos efeitos da Lei Áurea, que completa 122 anos em maio, trabalhadores rurais ainda vivem sob a ameaça do cativeiro. Mudaram-se os rótulos, ficaram as garrafas.
Mas, principalmente, o Brasil não foi capaz de garantir que os libertos fossem tratados com o respeito que seres humanos e cidadãos mereciam, no campo ou na cidade. Herança maldita presente na sociedade. E alimentada por discursos como o de Demóstenes Torres.
03 março, 2010
Devaneios sobre avaliação escolar

Estou me preparando para uma ministrar uma disciplina sobre teoria e prática da avaliação e tenho me deparado com muitos textos interessantes, como este:
Revoltado ou criativo?
Waldemar Setzer
Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de física, que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro." A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício." Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente.
Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas , e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h=(1/2)gt2 , calcule a altura do edifício."
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo. Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas. "Ah!, sim," – disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro." Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício."
"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", - concluiu, - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se: "Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente."
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta esperada para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente , uma farsa.
02 março, 2010
Novas nos 140 caracteres...
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"Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade"
21 fevereiro, 2010
sobre Up in the air
O homem que vivia nas nuvens
RYAN BINGHAM tem uma filosofia. Imaginem uma sacola. Vazia. Agora comecem a enchê-la. Com tudo aquilo que faz parte da vida. Primeiro, os objetos. Dos mais pequenos aos maiores, dos mais leves aos mais pesados. Depois, pessoas. Amigos, família.
Namoradas, mulheres. E filhos, não se esqueçam dos filhos. Com a sacola às costas, tentem agora caminhar. É nesse momento que o auditório da palestra ri com a metáfora do palestrante. Ryan Bingham ri com o auditório e termina com a definição sacramental: "Nós não somos cisnes. Somos tubarões".
Que o mesmo é dizer: os seres humanos não foram feitos para parar. Não foram feitos para manterem ligações essenciais com coisas, pessoas, lugares. Os seres humanos foram feitos para avançar. Sempre e sempre e sempre.
E, no caso de Ryan, para voar: de cidade em cidade, milha após milha, com o propósito de demitir empregados que as próprias empresas já não têm coragem para mandar embora, olhos nos olhos. Ryan cumpre esse trabalho sujo e até dá um toque humano ao momento, como os matadores de arena na presença da sua presa.
Ryan Bingham é o personagem de George Clooney em "Up in the Air", terceiro filme de Jason Reitman e inacreditavelmente traduzido no Brasil por "Amor sem Escalas". Digo inacreditavelmente porque o título do filme é a chave para entender metade dele.
"Up in the Air", "lá em cima", "nas nuvens", não é apenas o espaço existencial onde Ryan Bingham gosta de estar: sempre em movimento, com o objetivo infantil de acumular dez milhões de milhas e ter direito a cartão e tratamento aéreo preferencial. "Nas nuvens" é a condição existencial de Ryan: acima do mundo, acima das preocupações do mundo, acima dos terráqueos que o habitam. E com a sacola vazia.
Pelo menos, assim será até o dia em que a sacola começa a ficar mais pesada. No bar de um hotel, Ryan encontra o seu clone. "Pense em mim como alguém igual a você, mas com uma vagina", diz-lhe Alex, um tubarão como ele. É o arranjo perfeito: uma bela mulher sem ilusões românticas de belas mulheres? Sem exigir presença ou compromisso?
É o arranjo perfeito, disse eu, ou diria ainda, se o amor, esse demônio ladino, não se introduzisse pelo meio, disposto a transformar o tubarão Ryan no cisne Bingham. Disposto a obrigar o homem das nuvens a descer à terra. E ele desce. Mas, pergunta fatal, pode alguém que vive de ilusões reconhecer ainda uma?
"Up in the Air" foi descrito nos textos promocionais como um filme sobre a crise econômica atual e o desemprego inevitável que, só nos Estados Unidos, ultrapassou a barreira impensável dos 10%. É uma forma de ver as coisas.
Outra é dizer que, na Hollywood infantil dos últimos anos, o filme de Jason Reitman é um produto estranho e assaz amargo.
Estranho, porque capaz de lidar com o tema mais complexo, e mais onipresente, e talvez por isso mais ignorado da nossa condição contemporânea: a solidão que a habita; ou, se preferirem, a solidão que habita as ilusões dos homens modernos: "homens sem qualidades" que mascaram o vazio abissal dos seus dias com a vertigem da impermanência.
Mas o filme é amargo ao mostrar, sem sentimentalismos ou redenções de qualquer espécie, como é doloroso o fim dessas ilusões. Verdade que nada disso seria possível sem a composição magistral de George Clooney. Já assisti a demasiado cinema e a demasiado teatro para me deixar impressionar pelos macaquinhos do "Método". A composição de Clooney, capaz de oscilar entre o ritmo da "screwball comedy" e o silêncio sutil do fracasso, é tão perfeita que a confundimos facilmente com a "leveza" ilusória das nuvens onde ele vive.
E, no final do filme, é a elas que regressamos. Um longo plano sobre um tapete branco e a voz de Ryan Bingham pairando sobre ele. E sobre nós. "Hoje à noite, quando olharem para as estrelas", diz-nos Ryan, "haverá uma luz ainda mais brilhante que estará por cima delas." É a luz do seu voo rumo a parte nenhuma, como se uma tal proclamação fosse motivo para triunfos.
Não é. Ele sabe disso. Nós sabemos disso. E, em dissonância perfeita com as palavras falsamente triunfais de Ryan, temos a evidência das nuvens à nossa frente. Só então percebemos, talvez pela primeira vez, como eram certos os versos de W. H. Auden sobre a lua. Sim, a lua é bela. Tal como as nuvens. Mas a lua são desertos.
JOÃO PEREIRA COUTINHO
17 fevereiro, 2010
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- Val, Ailton e Cia: Cinema hoje, Iguatemi, Percy Jackson e o Ladrão de Raios, 16:05h (é sobre mitologia). Bóra? 11 reais a inteira :)about 10 hours ago from web
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- @sinalfechado oi, to precisando de um favor, tem como fazer uma ligação pra mim?bj3:57 PM Jan 22nd from web in reply to sinalfechado
- Acordada esperando ansiosamente a turma chegar. feliz pela felicidade de minha tia...4:47 AM Jan 20th from web
- Vallll, liga pra mim pleaseee! 8820-8137, urgente!!8:42 AM Jan 19th from web
- Ok, a boa noticia: sou a mais nova professora de sociologia do colégio 7 de setembro :)8:22 AM Jan 19th from web
- Ailton, não dizem que só perto do aniversario que chega uma má onda? Faltam 6 meses pro meu!8:22 AM Jan 19th from web
- Ainda to esperando a tonelada de sal grosso, juntando aos pouquinhos, quem puder colaborar, aceito doações...2:15 AM Jan 19th from web
- Como diz minha companheira de assalto: Ser assaltado já é péssimo e ainda ter que esperar 2h na delegacia por um B.O. é#phoda2:15 AM Jan 19th from web
- amandasoaresm Ser assaltado já é péssimo e ainda ter que esperar 2h na delegacia por um B.O. é #phoda1:23 AM Jan 19th from webRetweeted by you
- Assaltada, levaram todos os meus documentos, carteira, bolsa, chave do carro, e o medo de um moleque franzino que se torna enorme com arma2:14 AM Jan 19th from web
- Recomeçar a procura pela casa...e nada de dissertação :(10:30 AM Jan 18th from web
- qualquer morte aos 22 anos é ridícula, mas morrer asfixiado com a fumaça do cigarro que caiu no colchão enquanto se dormia é demais...12:04 AM Jan 18th from web
- @ailtonmonteiro ela sempre parece drogada nas premiações!!! a boca dela fica maior ainda hehe11:17 PM Jan 17th from web in reply to ailtonmonteiro
- Soube hoje que uma pessoa que conheci em Recife, durante o congresso, morreu na Espanha...estranha vida que leva um jovem tão inteligente10:29 PM Jan 17th from web
- ...e a arrumação continua...10:39 AM Jan 17th from web
- Ah, e nem terminei...vou tomar uma cerveja, deitar na cama e assistir filme...amanhã recomeço...5:21 PM Jan 16th from web
- Fazendo reforma/organizando a casa...exausta!5:19 PM Jan 16th from web
- Eu realmente ADORO dar aula. Se pagassem mais, ia ser o trabalho dos sonhos, pena que sonho não paga as contas...11:51 AM Jan 16th from web
- Dia de começar a arrumação da casa...cansada de encaixotar-desencaixotar-encaixotar-de-novo... :(8:46 AM Jan 14th from web
- Como eu sempre digo, é melhor ter amigos que dinheiro...obrigada Murilo, Rodrigo, Val e Amanda...os meus anjos da guarda dessa semana...8:11 PM Jan 13th from web
- Tanta tragédia acontecendo, tanta gente morta e ainda tem gente pagando pra ver BBB...8:10 PM Jan 13th from web
- Seria um contrasenso enorme uma pessoa doutora em Filosofia querer participar de uma palhaçada com o essa...9:39 AM Jan 13th from web
- Vi que tinha uma "Doutora" no BBB, levei um susto quando vi o Bial falando em Filosofia, mas a tal Dr é em Linguistica. Meno Male.9:38 AM Jan 13th from web
- @ailtonmonteiro eu fico imaginando quem paga pra ver BBB...sério, eu acho que daria uma "bifa"! rsrs...e parece que tem uma filosofa?9:32 AM Jan 13th from web in reply to ailtonmonteiro
- só de ouvir essa musiquinha do BBB fico enjoada! lá se vão mais sei-lá-quantos-meses com essa porcaria...Quero TV fechada de novooooo! :(9:39 PM Jan 12th from web
- De 11h as 17h p/ liberar meu carro no Detran, descubro que ele nao estava na Maraponga, mas em messejana...um motorista do detran me levou9:33 PM Jan 12th from web
- Ter que ir ao Detran, que já funciona mal normalmente, depois de greve, é pra desanimar qualquer ser humano9:50 AM Jan 12th from web
- Ontem eu fiquei decepcionada, mas hoje os candidatos às vagas de Filosofia do Estado foram muito bem. Participar da banca foi ótimo!8:09 PM Jan 10th from web
- @ailtonmonteiro foi, estava exausta, mas segui firme...poucos candidatos bons, muitos péssimos!7:47 PM Jan 9th from web in reply to ailtonmonteiro
- acordei as 6 pra ir pro concurso e cheguei agora, tomei banho, vou pra niver de sobrinha do Mano e amanha concurso de novo :( exausta!7:46 PM Jan 9th from web
- @ailtonmonteiro Foi...fui deixar o Elizeu e a Emilia,em Messejana, e fui parada..nao fiz o teste do bafometro (óbvio) e fiquei até 3h online7:45 PM Jan 9th from web in reply to ailtonmonteiro
- Ontem, voltando pra casa, fui pega numa blitz...carro e habilitação apreendidos :( Alguém aí tem sal grosso, coisa assim de 1 tonelada?7:39 PM Jan 9th from web
- @ODarwin Ah, perfeito!!6:16 PM Jan 8th from web in reply to ODarwin
- Mais um dia esperando...10:45 AM Jan 8th from web
- @ailtonmonteiro êê, meu amigo celebridade do cinema no Ceará!! quando e onde vai passar?10:40 AM Jan 8th from web in reply to ailtonmonteiro
- Mais um dia! Esperando, esperando...acho que estou pagando por ter sempre sido tão ansiosa toda a vida.10:49 AM Jan 7th from web
- "O destino é o que baralha as cartas, mas nós somos os que jogamos." [ William Shakespeare ]DUVIDE-O-DÓ que a frase seja dele!11:16 PM Jan 6th from web
- @Sen_Cristovam Ótima proposta, agora a população deve saber quem vai votar contra (e, sabemos, muitos vão).10:57 AM Jan 6th from web in reply to Sen_Cristovam
- Com tanta catástrofe acontecendo, ainda tem quem acredite que é castigo de Deus e que aquecimento global é lenda!10:56 AM Jan 6th from web
- Incrível o que as orientais, principalmente japonesas, fazem para esteticamente ficar parecidas com as ocidentais.10:28 AM Jan 6th from web
- @amandasoaresm oi menina, sei exatamente o que é isso...ainda de ferias?9:07 AM Jan 6th from web in reply to amandasoaresm
- Tudo ainda suspenso...odeio indeterminações, fico inerte, num tempo em que deveria estar produzindo absurdamente...9:05 AM Jan 6th from web
- Pouca paciência pra pergunta idiota e inútil...reunião que poderia ser feita em 1h levou 3! Isso porque só tinha no mínimo mestres lá10:15 PM Jan 5th from web
- Por que Poética e Política são palavras tão parecidas?11:36 AM Jan 5th from web
- Hoje tem reunião para a banca do concurso. Responsabilidade enorme escolher os professores de Filosofia do Estado. Tem que ser os melhores9:25 AM Jan 5th from web
- Essa estória da Dalva e Herivelto me deixa p da vida com homens que acham que podem brincar com mulheres...lembrei da minha avó sofrendo10:25 PM Jan 4th from web
- ainda limpando o computador, e só terminei a primeira pasta :( Estou deixando a de Filosofia pro final, pela quantidade de coisas...3:39 PM Jan 4th from web
- O mais grave dessas tragédias é que elas são mais que previsíveis; Muda o ano, mudam as pessoas que sofrem, mas nada é feito para resolver10:51 AM Jan 4th from web
- Passei o domingo todo tentando arrumar a bagunça do computador...como vai parar tanta coisa nas pastas?9:52 PM Jan 3rd from web
- @ailtonmonteiro rsrs, acho que meu espírito paulistano nunca vai gostar de chuva.. :)11:43 AM Jan 3rd from web in reply to ailtonmonteiro
- A vantagem da chuva em Fortaleza é que diminui o calor. É a única.11:35 AM Jan 3rd from web
- podem minimizar a ridícula condição humana e elevar o espírito...foi a música que eu escolhi para a performance filosófica que fiz na sesc9:07 PM Jan 2nd from web
- O pessimismo de Shopenhauer também tem limite: para ele, a arte em geral, a música em particular, especialmente Tristão e Isolda de Wagner9:06 PM Jan 2nd from web
- Procurando uma boa "Ilíada" para presentear um amigo que escolheu para o seu filho o nome Heitor. Bela escolha: o Herói virtuoso.7:57 PM Jan 2nd from web
- A história de vida de Lula é muito interessante (independente do q penso de sua política), como é que fizeram um filme tão sem graça?7:55 PM Jan 2nd from web
- Chegando agora de um sábado com os amigos...a pior parte foi o filme do Lula, meno male que foi em sessão a R$ 4,50.7:46 PM Jan 2nd from web
- Chegou!! 2010,o ano em que serei mestra, farei 37 anos, serei mais feliz, darei mais aulas, farei novos amigos, estarei mais perto dos meus!6:07 PM Jan 1st from web
- SORTE!!!12:31 PM Dec 31st, 2009 from web
- Procurando o que fazer hoje a tarde pra não ficar morgada e melancólica dentro de casa...11:35 AM Dec 31st, 2009 from web
- @Sen_Cristovam Deveriam estar, senador, mas não estão. Por isso tem que virar lei.10:19 AM Dec 31st, 2009 from web in reply to Sen_Cristovam
- Cada uma que me aparece...no piscinão de Ramos, as mulheres colocam esparadrapo no corpo pra fazer a marca do biquini! Brega, Brega!!10:18 AM Dec 31st, 2009 from web
- Que em 2010 cada um reclame do descaso dos políticos e cobre deles aquilo que é devido. Que eles se envergonhem e sejam punidos. Pra valer.10:16 AM Dec 31st, 2009 from web
- Que em 2010 cada um perceba sua importância no mundo, pare de empurrar com a barriga e resolva enfrentar os problemas comuns.10:14 AM Dec 31st, 2009 from web
- Que 2010 faça as pessoas pensarem mais e consumirem menos.10:12 AM Dec 31st, 2009 from web
- @ailtonmonteiro Nossa, é exatamente isso! Eu sempre fico melancólica no final do ano, e nesse ano, então...10:06 AM Dec 31st, 2009 from web in reply to ailtonmonteiro
- Fui ver 2012.Só os ricos tem chance, até nas catástrofes?Pra variar, não é o pres.EUA que salva o mundo, mas se junta aos mortos? ahh tá!11:03 PM Dec 30th, 2009 from web
- Quando estou errada, sou teimosa. Quando estou certa, sou defensora dos meus valores6:56 PM Dec 30th, 2009 from web
- Renovar as esperanças é a unica maneira de não se suicidar. Por isso o homem dividiu o tempo em partes.6:36 PM Dec 30th, 2009 from web
Ô dia perdido! Não fiz absolutamente NADA do que devia...e a dissertação continua me esperando...Que acabe logo, 2009!9:28 AM Dec 30th, 2009 from web- 10:17 PM Dec 29th, 2009 from web
- Tomara que as coisas comecem a entrar nos eixos!10:33 AM Dec 29th, 2009 from web
- Fiz bolo de cenoura...fim de ano me da uma saudade da família e das coisas que ela me proporcionava...Meio melancólica hoje...7:32 PM Dec 28th, 2009 from web
