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07 maio, 2010

Não gosto muitos desse tipo de texto que corre pela internet mas gostei deste por jogar na cara de cada um a sua responsabilidade, mas por outro lado ele esquece de mostrar que, como diria Sócrates, o homem erra por ignorância e não por maldade, portanto al´me de nos perguntarmos o motivo pelo qual os homens erram tanto, devemos começar de fato a mudar essa situação, dando a todos a oportunidade de serem menos alienados e mais críticos e não aceitando que todos os problemas que temos decorre do próprio homem, mas de fatores externos aos indivíduos.

"
" Reclamando do Lula? Dos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? Dos mais de 300 picaretas do Congresso? do Serra?
Da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos ?
E você?
Brasileiro Reclama de Quê?

O Brasileiro é assim:


1. -
Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. -
Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas com advertências.

3. -
Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. -
Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.

5. -
Fala no celular enquanto dirige.

6. -
Trafega pela direita nos acostamentos.

7. -
Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.

8. -
Viola a lei do silêncio.

9. -
Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. -
Fura filas nos bancos, usando esfarrapadas desculpas.

11. -
Espalha mesas e churrasqueira nas calçadas.

12. -
Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. -
Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14. -
Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos.

15. -
Compra recibo para abater o valor na declaração do imposto de renda.

16. -
Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. -
Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.

18. -
Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. -
Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. -
Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. -
Compra produtos pirata sabendo que são pirata.

22. -
Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. -
Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus.

24. -
Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. -
Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. -
Leva, das empresas onde trabalha, clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.

27. -
Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. -
Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. -
Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. -
Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve. E quer que os políticos sejam honestos...

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
Mudemos de comportamento! Sejamos cidadãos!
Vamos dar o bom exemplo!

"Fala-se da necessidade de deixarmos um planeta melhor para os nossos filhos, mas esquecemo-nos da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta!
A mudança deve começar dentro de nós, em nossas casas, com nossos valores, nossas atitudes, e assim, um dia, teremos politicos melhores!

Postado por Willian Marinho

Carpe diem

Carpe Diem! sussurou-nos o poeta Horácio
Para as Moiras não despertar
Carpe Diem! pois que as Moiras estão a tecer
Numa roda (Roda da Fortuna) que gira sem cessar!
Carpe Diem! segredou-nos o poeta em versos
Pois quem sabes quantas primaveras há?
Carpe Diem! pois embora toda nossa in-ciência
Sabemos ao menos o que esperar
Carpe Diem! pois que a vida é breve
E há um largo horizonte a alcançar!
Se tu plantas e não colhes
Não vá chamar azar
Sê contente com os germens
Que tu plantaste lá
Não nos é lícito inquirir
A Fortuna sem parar
Sê contente com tuas obras
Pois limite não há de faltar
Sê contente com teus feitos
Pois fronteiras há de ultrapassar
Sê contente e colha os frutos
Que a primavera há de lhe dar
És sábio e prudente
As Moiras não incomodar
Sê contente e modesto
E ouça o poeta a nos segredar:
Carpe Diem! meu amigo
É isto o que a vida está a falar!

Vozes contra a globalização

Assisti ao terceiro episódio do documentário (foi o que baixou mais rápido) e fiquei impressionada e feliz pela capacidade que eles tiveram de falar sobre um assunto já tão batido, como o imperialismo americano e suas invasões bárbaras, de maneira tão direta e clara.
Essencial para professores ou para aqueles que querem mais que somente a opinião da Globo ou da Veja (e todas as outras instituições do mesmo nível)

05 maio, 2010

Ficha limpa

Eu precisei tirar um antecedente criminal pra dar aula no colégio. Qualquer pessoa com CPF com restrições não consegue nem comprar um sapato de 50 reais a prestações. Mas pra governar um país qualquer um, mesmo condenado, pode...

A internet pode ajudar em certos assuntos, como é o caso da movimentação que ocorreu pra pedir a aprovação do projeto que proíbe que pessoas com ficha suja possam se candidatar. Para acalmar a multidão que está de olho (já é um começo) o projeto foi aprovado em primeira instância. O problema é que depois de aprovado o texto pode ser mudado pelos mais interessados em que o projeto não seja aplicado, que são os deputados e senadores...Eu nunca vi senador ou juíz votar contra si mesmo, mas vamos ficar de olho pra cobrar...

Lembrando que mesmo que o projeto seja aceito não dá mais tempo (segundo eles) para aplicar ainda nessa eleição. Façamos então o seguinte, vamos procurar as informações sobre os candidatos em que pretendemos votar e ignorá-los caso tenham problemas com a justiça. E ponto.

02 maio, 2010

sobre a despedida do querido Murilo





Desde que decidi vir pra Fortaleza, em 1996, sabia que sofreria com a saudade, e hoje, depois de tanto tempo, sei que viverei uma saudade eterna, se São Paulo estando aqui, daqui em qualquer outro lugar para onde a vida me leve...O problemas é que não percebi, na época, que as despedidas não seriam apenas pela minha mudança, mas por outras tantas que a distância acaba nos impondo...

Aqui fica meu registro da saudade antecipada pela ausência de um amigo amado que foi entrando na minha vida aos pouquinhos pela sua generosidade e que me fez acreditar até em mim mesma, quando poucas pessoas o faziam...obrigada Murilo, pela imensa alegria da sua amizade!

30 abril, 2010

Sobre a democracia e outras mentiras

Interessante quando a gente encontra um trecho de uma obra que diz exatamente aquilo que procurávamos:

"A burocratização, a impessoalidade das relações sociais na nova sociedade industrial e a complexidade dos problemas impedia que um indivíduo pudesse atuar ativa e conscientemente no cenário político e social como propunha a teoria democrática.

Predominava agora a influência de grupos poderosos na administração da opinião pública. Neste novo ambiente, o que estava em jogo era o "pseudoambiente", ou seja, as imagens criadas indiretamente pela ação da mídia e do noticiário em nosso mapas mentais. São estas imagens estereotipadas da realidade que controlam os afetos e os rancores, e que determinam o humor do público. E elas resultam menos da capacidade cognitiva do indivíduo e mais da manipulação e administração do consenso social pelas partes interessadas."

Este trecho é de um livro de Walter Lipmann,( Opinião Pública), o autor que eu pesquisei na minha monografia da graduação, mas não conhecia esse tipo de texto dele (eu o usei pra falar sobre filosofia para crianças). Muito interessante ver como a dominação econômica é retroalimentada pela dominação ideológica, que a funda e mantém, num circulo vicioso no pior sentido que a palavra pode ter.

Enquanto isso vamos consumindo aquilo que não precisamos, desejando o que de fato não queremos e achando que isso é muito natural...

Compre batom, compre batom...

20 abril, 2010

Vozes contra a globalização

Infelizmente minha net não é lá essas coisas e nem sempre posso me dar ao luxo de baixar muita coisa na net, mas esse documentário vale a pena:

sobre as absurdidades absurdas, como o preconceito

O poder econômico dominando ideologicamente...as pessoas acham que os seus desejos tem que se impor aos direitos das outras pessoas...o Brasil foi INVADIDO, e como os índios não tinham armas de fogo, sucumbiram...a pergunta é: São mais antropofágicos os indios que comeram os bispos ou os bispos que engoliram a alma dos indios?

07 abril, 2010

sobre como eu ODEIO serviços ruins

Sabe quando você tem certeza absoluta (é, redundante mesmo, pra ficar bem claro) e alguém diz que você precisa provar?

Bem, eu tenho CERTEZA que cancelei meu telefone fixo entre os meses de janeiro e fevereiro de 2009 pois foi quando eu me mudei e É CLARO que não ia deixar alguém usando minha linha. Lembro também que passei mais de 30 minutos tentando fazer isso pelo viva-voz do meu celular, pois eu fiz a ligação assim que sai de casa e só terminei quando cheguei no Pici, e isso me irritou tanto que eu escrevi sobre como a OI usa artimanhas para não deixar a gente cancelar uma linha de tantos anos...enfim, estou procurando aqui no blog e não encontro a porcaria do post que diria a data em que isso aconteceu (não que a Oi iria aceitar, iria dizer que eu poderia manipular os dados, sei lá) mas ao menos eu ia poder partir de uma data correta.

Agora, com toda a correria da minha vida, já estou com raiva só de imaginar o tempo que terei que perder, assim como a paciência, pra tentar resolver isso.

Se uma empresa, em pleno século XXI, diz não ser possível usar o e-mail para resolver esses tipos de problemas é porque ela está muito MAL INTENCIONADA!! Hoje, quase tudo eu resolvo pela internet!!!

Ok, raiva despejada, agora vou em frente...até

06 abril, 2010

sobre as coisas que me angustiam ou me entristecem, again

Aluno mal educado é o Ó! Adoro quem discorda de mim, adoro belos debates, mas a maioria não tem o mínimo de educação para ouvir e falar, cada coisa a seu tempo. Tanta gente sem nenhum tipo de oportunidade e quem tem desperdiça rindo nas costas do professor...depois reclama do país que a gente vive...são provavelmente os mesmos que se acharão donos do mundo o bastante para só pensar em si, queimar mendigo, roubar dinheiro público, maltratar as pessoas mais simples, entre milhares de abusos que vemos por ai...

Felizmente, entre tantas pessoas que são totalmente alienadas, algumas se destacam por perceber o mundo além da "rede Globo". Ótimos argumentos no colégio ontem, ótima surpresa ao conhecer um blog de uma aluna hoje que parou para pensar e viu que algo está errado, e inclusive percebeu uma aparente incoerência que precisava de explicações extras, um encontro com um aluno que me contou que eu o influenciei a estudar e passar na UFC (e ele passou, vindo do interior, sem nenhuma estrutura). São esses momentos que me fazem ter certeza de uma escolha mais profunda, e pela qual eu pago o preço.

Ah, e culpar Deus pelo desastre no Rio de Janeiro é ridículo. Até quando as pessoas vão justificar os erros humanos recorrendo à algo transcendental? Aiai.



27 março, 2010

O voo de Minerva, de Antonio Carlos Mazzeo

Li uma entrevista do Mazzeo em uma revista de Filosofia e me interessei muito pelo seu livro. Nele, o autor trata da formação da democracia desde a Grécia arcaica, e mostra que a democracia, desde então, sempre foi uma forma de manter uma desigualdade real (apesar da igualdade formal). Apesar de já ter praticamente pronto o meu primeiro capitulo da dissertação que trata exatamente da formação da polis e da democracia, que será duramente criticada por Platão posteriormente, não vou resistir e quero ler o livro. Ah, como eu queria mais um ano pra terminar esse mestrado!!

Para quem tiver interesse, fica a dica: Revista Ciência e Vida - Filosofia. Ano III, no. 36. A matéria da capa é sobre Hobbes e o nosso Leviatã.

sobre as obras que nos inspiram...

Recebi do amigo escritor Guilherme um e-mail falando da importância do trecho do dostoievsky em sua vida, e recebi dele esse trecho:


“Mulheres” do Bukowski, esse velho safado que só aprendi a gostar com tempo, tal qual o bruxo do cosme velho:

Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias e ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro para viver minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de casamento não se casava com o outro. Pouco me importava.”


Incrível como esse tipo de literatura me atrai. Talvez por saber que ela nos retrata fielmente. Apesar disso, luto sempre contra em mim o que existe de cruel e tolo...

24 março, 2010

trechos de livros que me marcaram...

Sou um homem doente… Sou mau. Nada tenho de simpático. Julgo estar doente do fígado, embora não o perceba nem saiba ao certo onde reside o meu mal. Não me trato, e nunca me tratei, por muito que considere a medicina e os médicos, pois sou altamente supersticioso, pelo menos o bastante para ter fé na medicina. (Possuo instrução suficiente para não ser supersticioso e, no entanto, sou…)
Não, se não me trato é por pura maldade; é assim mesmo. O senhor não compreenderá isto, por acaso? Pois compreendo-o e basta. Não há dúvida de que eu não conseguiria explicar a quem prejudico neste caso, com a minha maldade. Compreendo perfeitamente que, não me tratando, não prejudico a ninguém, nem sequer os médicos; sei melhor do que ninguém que só a mim próprio prejudico.
Não importa; se não me trato é por maldade. Tenho o fígado doente? Pois que rebente!
Fiódor DOSTOIÉVSKI, Notas do Subterrâneo

12 março, 2010

tudo o que eu queria dizer sobe o BBB mas não quis perder tempo pra escrever...

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *

Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia. É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.
Professor, poeta e cordelista.

05 março, 2010

mais sobre os absurdos dos políticos brasileiro OU basta ter boa retórica que o povo acredita!

Para senador, os negros são os culpados pela escravidão no Brasil


Ontem, durante audiência no Supremo Tribunal Federal para discutir o sistema de cotas em universidades públicas, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) usou da palavra para destilar todo o seu profundo conhecimento sobre a história do Brasil. Quem ouviu seu discurso saiu com a impressão de que aprendeu várias coisas novas. Que os africanos eram os principais responsáveis pelo tráfico transatlântico de escravos. Que escravas negras não foram violentadas pelos patrões brancos, afinal de contas “isso se deu de forma muito mais consensual” e “levou o Brasil a ter hoje essa magnífica configuração social” de hoje. Que no dia seguinte à sua libertação, os escravos “eram cidadão como outro qualquer, com todos os direitos políticos e o mesmo grau de elegibilidade” – mesmo sem nenhuma política de inserção aplicada. Com tudo isso, o nobre senador deu a entender que os negros foram os reais culpados pela escravidão no Brasil. As frases (da qual retirei trechos que estão entre aspas) foram registradas pelos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz, da Folha de S. Paulo.

A posição do senador é compreensível, se considerarmos que o discurso feito não foi um ataque à reserva de vagas para negros e afrodescendentes e sim uma defesa da elite política e econômica que controlou a escravidão no país e que, com algumas mudanças e adaptações, desembocou em setores do seu próprio partido.

Depois me perguntam por que a proposta que confisca terras de quem usou trabalho escravo está engavetada no Congresso Nacional…

Um comentário sobre o direito dos libertados exposto pelo senador: Em meados do século 19, com o fim do tráfico transatlântico de escravos, a propriedade legal sob seres humanos estava com os dias contados. Em questão de anos, centenas de milhares de pessoas estariam livres para ocupar terras virgens – que o país tinha de sobra – e produzir para si próprios em um sistema possivelmente de campesinato. Quem trabalharia para as fazendas? Como garantir mão-de-obra após a abolição?

Vislumbrando que, mantida a estrutura fundiária do país, o final da escravidão poderia representar um colapso dos grandes produtores rurais, o governo brasileiro criou meios para garantir que poucos mantivessem acesso aos meios de produção. A Lei de Terras foi aprovada poucas semanas após a extinção do tráfico de escravos, em 1850, e criou mecanismos para a regularização fundiária. As terras devolutas passaram para as mãos do Estado, que passaria a vendê-las e não doá-las como era feito até então.

O custo da terra começou a existir, mas não era significativo para os então fazendeiros, que dispunham de recursos para a ampliação de seus domínios. Porém, era o suficiente para deixar ex-escravos e pobres de fora do processo legal. Ou seja, mantinha a força de trabalho à disposição do serviço de quem tinha dinheiro e poder.

Com o trabalho cativo, a terra poderia estar à disposição para livre ocupação. Porém, com o trabalho livre, o acesso à terra precisava ser restringido. A existência de terras livres garante produtores independentes e dificulta a centralização do capital e da produção baseada na exploração do trabalho. Com o fim do tráfico e o livre mercado de trabalho despontando no horizonte, o governo brasileiro foi obrigado a tomar medidas para impedir o acesso à terra, mantendo a mão-de-obra reprimida e alijada de seus meios de produção.

O fim da escravidão não representou a melhoria na qualidade de vida de muitos trabalhadores, uma vez que o desenvolvimento de um número considerável de empreendimentos continuou a se alimentar de formas de exploração semelhantes ao período da escravidão como forma de possibilitar uma margem de lucro maior ao empreendimento ou mesmo lhe dar competitividade para a concorrência no mercado. Desde 1995, mais de 36 mil escravos contemporâneos foram libertados pelo governo de fazendas de gado, soja, cana…

Para além dos efeitos da Lei Áurea, que completa 122 anos em maio, trabalhadores rurais ainda vivem sob a ameaça do cativeiro. Mudaram-se os rótulos, ficaram as garrafas.

Mas, principalmente, o Brasil não foi capaz de garantir que os libertos fossem tratados com o respeito que seres humanos e cidadãos mereciam, no campo ou na cidade. Herança maldita presente na sociedade. E alimentada por discursos como o de Demóstenes Torres.

03 março, 2010

Devaneios sobre avaliação escolar


Estou me preparando para uma ministrar uma disciplina sobre teoria e prática da avaliação e tenho me deparado com muitos textos interessantes, como este:

Revoltado ou criativo?

Waldemar Setzer

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de física, que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro." A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício." Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente.

Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas , e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h=(1/2)gt2 , calcule a altura do edifício."

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo. Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas. "Ah!, sim," – disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro." Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício."

"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".

Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."

"Finalmente", - concluiu, - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se: "Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente."

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta esperada para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente , uma farsa.

02 março, 2010

Novas nos 140 caracteres...

Temas a serem desenvolvidos em breve:

  1. Incrível como ainda tem gente que diz que pobreza existe porque a pessoa não soube "aproveitar as oportunidades", que não se esforçou.
  2. A pessoa tem um Civic mas joga lixo pela janela...muito coerente mesmo :(
  3. "Penso, logo sou"...Descartes esqueceu de falar como isso funciona no calor insuportável de Fortaleza...
  4. Calor insuportável, trabalhei o dia todo corrigindo trabalhos e agora não tenho forças para mais nada! Absurdo isso! Quero ar-condicionado!!
  5. Calça descostura em local totalmente inadequado no meio da aula...e ninguém diz nada! Só quando mudei de sala uma aluna veio ajudar

"Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade"

Gramsci condensa sua proposta na célebre frase: “pessimismo da inteligência, otimismo da vontade”. Ela, mais do que um aforismo, é a tentativa de conjugar de modo novo razão e vontade, criticismo coerente e capacidade de incidir nos processos reais do mundo. Em primeiro lugar, Gramsci busca concentrar a atenção no elo que reúne passado e futuro, isto é, no presente. Rejeita, tanto na teoria quanto na prática, o estilo de “sonhar de olhos abertos e de fantasiar”, que é um estilo altamente consolatório. Para tal estilo, “tudo é fácil. Pode-se tudo aquilo que se quer e se quer toda uma série de coisas que não se possui no presente. No fundo, é o presente invertido que se projeta no futuro. Tudo o que é reprimido se desencadeia. É preciso, ao contrário, dirigir violentamente a atenção para o presente assim como é, se se quer transformá-lo”. Mas o presente também é, precisamente, o passado tal como se cristalizou seja nas relações e nas instituições sociais, seja na psicologia dos indivíduos. Daí a necessidade, para quem quer que queira mudar o presente, de estudar o passado.

Pretendo ler mais Gramsci quando terminar minha dissertação...

21 fevereiro, 2010

sobre Up in the air


Bom, mais uma vez, que péssima tradução de título! Não vi o filme ainda, mas só de saber dessa mudança tão importante no título já me dá raiva, imagina ao ler o texto abaixo...Bom, mesmo antes de assistir ao filme, posso opinar baseado no artigo enviado pela Val.

Nem cisnes, nem tubarões. Qualquer rótulo me incomoda, e mais ainda os gerados por um sistema decadente e excludente como o capitalismo. Não acho que as sacolas devam ser esvaziadas, ao contrário, quanto mais "pesadas" melhor, mostra quanto vivemos, quantos amigos conquistamos, quantos estão distantes fisicamente mas nunca estiveram tão presentes, quantos amores nos fizeram sorrir, e mesmo chorar, e nos ensinaram a arte da tolerância, quantas fantasias foram desfeitas e quantos sonhos se multiplicaram, mudaram, transmutaram...Nietzsche diz que a arte torna a vida possível, e minha sacola é repleta de arte. Ele diz também que tudo tende ao caos, que inevitavelmente cairemos no abismo, mas isso não nos credencia a ir em direção a ele à esmo, temos que criar nosso próprio caminho, mesmo que este caminhe à margem daquele que inevitavelmente nos levará à morte. Numa vida naturalmente dionisíaca, tentar ser apolínio. Na minha sacola, ambos caminham juntos, ora um mais forte, ora outro, mas faço questão de levá-los ambos.


O homem que vivia nas nuvens

RYAN BINGHAM tem uma filosofia. Imaginem uma sacola. Vazia. Agora comecem a enchê-la. Com tudo aquilo que faz parte da vida. Primeiro, os objetos. Dos mais pequenos aos maiores, dos mais leves aos mais pesados. Depois, pessoas. Amigos, família.
Namoradas, mulheres. E filhos, não se esqueçam dos filhos. Com a sacola às costas, tentem agora caminhar. É nesse momento que o auditório da palestra ri com a metáfora do palestrante. Ryan Bingham ri com o auditório e termina com a definição sacramental: "Nós não somos cisnes. Somos tubarões".
Que o mesmo é dizer: os seres humanos não foram feitos para parar. Não foram feitos para manterem ligações essenciais com coisas, pessoas, lugares. Os seres humanos foram feitos para avançar. Sempre e sempre e sempre.
E, no caso de Ryan, para voar: de cidade em cidade, milha após milha, com o propósito de demitir empregados que as próprias empresas já não têm coragem para mandar embora, olhos nos olhos. Ryan cumpre esse trabalho sujo e até dá um toque humano ao momento, como os matadores de arena na presença da sua presa.
Ryan Bingham é o personagem de George Clooney em "Up in the Air", terceiro filme de Jason Reitman e inacreditavelmente traduzido no Brasil por "Amor sem Escalas". Digo inacreditavelmente porque o título do filme é a chave para entender metade dele.
"Up in the Air", "lá em cima", "nas nuvens", não é apenas o espaço existencial onde Ryan Bingham gosta de estar: sempre em movimento, com o objetivo infantil de acumular dez milhões de milhas e ter direito a cartão e tratamento aéreo preferencial. "Nas nuvens" é a condição existencial de Ryan: acima do mundo, acima das preocupações do mundo, acima dos terráqueos que o habitam. E com a sacola vazia.
Pelo menos, assim será até o dia em que a sacola começa a ficar mais pesada. No bar de um hotel, Ryan encontra o seu clone. "Pense em mim como alguém igual a você, mas com uma vagina", diz-lhe Alex, um tubarão como ele. É o arranjo perfeito: uma bela mulher sem ilusões românticas de belas mulheres? Sem exigir presença ou compromisso?
É o arranjo perfeito, disse eu, ou diria ainda, se o amor, esse demônio ladino, não se introduzisse pelo meio, disposto a transformar o tubarão Ryan no cisne Bingham. Disposto a obrigar o homem das nuvens a descer à terra. E ele desce. Mas, pergunta fatal, pode alguém que vive de ilusões reconhecer ainda uma?
"Up in the Air" foi descrito nos textos promocionais como um filme sobre a crise econômica atual e o desemprego inevitável que, só nos Estados Unidos, ultrapassou a barreira impensável dos 10%. É uma forma de ver as coisas.
Outra é dizer que, na Hollywood infantil dos últimos anos, o filme de Jason Reitman é um produto estranho e assaz amargo.
Estranho, porque capaz de lidar com o tema mais complexo, e mais onipresente, e talvez por isso mais ignorado da nossa condição contemporânea: a solidão que a habita; ou, se preferirem, a solidão que habita as ilusões dos homens modernos: "homens sem qualidades" que mascaram o vazio abissal dos seus dias com a vertigem da impermanência.
Mas o filme é amargo ao mostrar, sem sentimentalismos ou redenções de qualquer espécie, como é doloroso o fim dessas ilusões. Verdade que nada disso seria possível sem a composição magistral de George Clooney. Já assisti a demasiado cinema e a demasiado teatro para me deixar impressionar pelos macaquinhos do "Método". A composição de Clooney, capaz de oscilar entre o ritmo da "screwball comedy" e o silêncio sutil do fracasso, é tão perfeita que a confundimos facilmente com a "leveza" ilusória das nuvens onde ele vive.
E, no final do filme, é a elas que regressamos. Um longo plano sobre um tapete branco e a voz de Ryan Bingham pairando sobre ele. E sobre nós. "Hoje à noite, quando olharem para as estrelas", diz-nos Ryan, "haverá uma luz ainda mais brilhante que estará por cima delas." É a luz do seu voo rumo a parte nenhuma, como se uma tal proclamação fosse motivo para triunfos.
Não é. Ele sabe disso. Nós sabemos disso. E, em dissonância perfeita com as palavras falsamente triunfais de Ryan, temos a evidência das nuvens à nossa frente. Só então percebemos, talvez pela primeira vez, como eram certos os versos de W. H. Auden sobre a lua. Sim, a lua é bela. Tal como as nuvens. Mas a lua são desertos.

JOÃO PEREIRA COUTINHO