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17 janeiro, 2010

sobre as pinturas de Igor Bezerra


Persona - Bergson


Eva Green de Vênus de Milo


O meu preferido: O Iluminado - Kubrick. Este ele disse que ia me dar, não deu tempo...

sobre algumas poucas horas em Recife...


Fui a um congresso de Filosofia em Recife em meados de 2008. Na última noite, depois da palestra de uma professora na livraria Cultura, vários alunos e professores seguiram pelas ruas de Recife antigo, até parar no Burburinho (é esse o bar?)...eu seguia sozinha, próxima do grupo pois sabia que ali era uma região perigosa, quando um rapaz aparece ao meu lado e fala que também gostava muito de Kubrick, especialmente Laranja Mecânica...eu me assustei por um segundo, como ele poderia saber? até lembrar que minha camiseta me denunciava...

No dia seguinte, o último do congresso, ninguém foi para as palestras, e me juntei a eles num botequo perto do alojamento...ele estava lá, e por causa do cigarro tentei sentar longe, mas ele se mudou e ficou ao meu lado..algumas horas de conversa depois ele me pedia em casamento! Imagina, um menino, apesar da barba e do papo...Ri, desdenhei, ele se mostrou seriamente chateado, me pediu para ir ao próximo congresso que seria em sua terra natal, João Pessoa...

Nas fotos que tiramos seu braço escondido sugeria uma gentileza pouca vezes vista em bares com bêbados...respeito à minha alergia! Sempre me sinto como a chata quando tenho que reclamar por causa de cigarro, mas bastou eu esboçar uma palavra para ele entender tudo e manter o cigarro longe de mim...uma raridade...

Poucas vezes conheci alguém tão inteligente e encantador. Não era como a maioria dos homens que faz tudo para paquerar alguém, e depois de perceber que eu não seria sua próxima paquera a conversa tomou caminhos insólitos como nos filmes de Kubrick. Ele tinha uma conversa séria, profunda, mas não era o filósofo niilista que a maioria é...terminada a faculdade, estava se preparando para ir estudar em Salamanca...feliz, feliz...

Nos falamos por msn e orkut muitas vezes, ele além de tudo era um artista...http://www.flickr.com/photos/igorbezerra/page2/

Estava feliz na Salamanca, nos falamos algumas vezes e ele me dizendo que eu tinha que ir pra Europa...e, depois, não tive mais notícias, mas na correria me esqueci de procurá-lo...

Hoje a tarde assisti 2001, Uma Odisséia no Espaço...assim que terminei, vim para o computador e uma amiga que esteve em Recife com a gente me disse que ele havia morrido ( a coincidência do Kubrick me deixou assutada). Levei um choque! Tinha 22 anos...seu trabalho de Master em Salamanca já estava escrito, mas não foi defendido. Mesmo assim, a faculdade o publicou. Seu nome é Igor Bezerra, ou L'Etranger. Assim como um de seus escritores preferidos, foi-se muito cedo. Se Sócrates e Platão estiverem certos, agora ele deve estar discutindo com o mestre Camus, um cigarro numa mão, um copo de whisky na outra...


Impressões de Salamanca

Igor Bezerra

Camus e Benjamim falavam que a melhor maneira de se conhecer uma cidade é se perdendo nela. Isso desvela muito mais do que um romantismo em relação a cidade; antes de tudo marca uma diferença entre o estrangeiro, por assim dizer, e o turista. Este último, muito comodamente trabalha com o guia, seja uma pessoa, seja um papel. E, mais que uma orientação, o guia fornece um a priori, e este é o capital. Isto se dá ao se indicar para visitação os lugares propriamente turísticos, o que também mostra outra faceta do guiar-se predeterminado: a incapacidade de se conhecer a própria vida do lugar, cambiando estes para a contemplação dos costumes feitos para turistas, “macumbas para turista”.

Assim, não se experiencia a própria vivência do lugar. Além de se perder é necessário ir aos lugares que os habitantes da cidade costumeiramente vão, para que, destarte, saiba-se o que se passa cotidianamente naquele lugar, escamoteando as possibilidades de deslumbramento, o qual pode funcionar como escape da realidade que se apresenta.

A questão é perder-se, como acontece quando se tenta encontrar um bar ao qual já se tenha ido, mas ao qual não se sabe voltar, e, então, percorrem-se todas as direções que a Plaza Mayor permite, para que assim se chegue ao lugar desejado sem que se pergunte nada a ninguém. E parte-se da Plaza Mayor porque sempre se faz necessário que se estabeleça um ponto donde começar a considerar as demais coisas. Pode-se pensar que seja subjetivismo ou solipsismo, mas antes, seja questão de perspectiva. Fato é que não se pode reflexionar nada se não se tem um cais. Caso contrário fica-se no devir eterno, e, embora a realidade se dê mesmo dessa maneira, só se consegue trabalhá-la ao se fixar algo, mínimo que seja. Contudo, estabelecer a fixidez e apoditicidade de tudo acaba por negar por quase completamente o que se passe; é a tarefa do turista guiado, que trabalha segundo um a priori.
Ora, por que um a priori? Ver-se-á quão perto da epistemologia tudo isso está. O turista guiado tem um a priori porque o seu processo de conhecimento da realidade depende de algo que já está fora desta, embora tenha sido haurido daí. O que acontece é que tudo se passa como sem tivesse uma meta privilegiada e idealizada a qual se deve chegar enquanto fim-em-si. E pensar que a realidade tem uma meta para tingir é demasiado: eis o que Nietzsche é contra: eis o que a teoria de eterno retorno nega. O que se passa com o turista guiado é um falseamento da realidade, uma vez que este parte da idealização daquela.
Por mais que o movimento possa ser dialético, ao cabo pretende-se a realização de uma idealização, embora, para que se fixe esta dada idealização seja necessário um contato prematuro com a realidade. Não pode haver qualquer idéia que não seja um mínimo de extrato do real. A questão se coloca no grau de idealização que se faz da realidade e a seguinte graduação de balizamento que aquela influi sobre esta. Trata-se, como diria Quine, de “compromisso ontológico”.
E, desta maneira, fique-se com o mínimo. Portanto, em detrimento do turista guiado fique-se com o estrangeiro. Este tampouco conhece a cidade, assim como o turista; quer dizer, conhece menos ainda, uma vez que o turista parte do pressuposto de um algo dado, de um a priori. Para o estrangeiro a experiência se dá unicamente a partir da realidade radical, isto é, o seu primeiro dado é a própria realidade enquanto ato que vai se executando, assim como ele.
Ou seja, o real é a pedra de toque donde o estrangeiro irá construir o seu conhecimento acerca do incógnito. A situação é completamente oposta: de um lado se tem a construção do real a partir da idéia; do outro, tem-se a formulação de idéias a partir do real. Jogo de palavras a parte, a questão vai mais além, ou, antes, mantém-se mais aquém.
Não se trata necessariamente de formulação de idéias a partir do real o que faz o estrangeiro. Pode-se e deve-se permanecer mais aquém. O que se faz necessário, e não poderia ser de outra forma, é a reflexão acerca do que se passa para que se fixe um dado preciso a partir do qual se mantenha a vida. Basta o simples forjar de um conceito, o que é, em sua raiz, possibilidade de manutenção da vida, com o que Nietzsche concorda.
Mais do mesmo é a aceitação do mínimo de compromisso ontológico para que se possa lidar com a vida de modo satisfatório, pois, mais cedo ou mais tarde se tratará de fixar algo da realidade, o pouco que seja não necessariamente um conceito bem acabado, mas, fim das contas, dado o logos, é do que não se pode escapar. Primórdios de tudo, pode se pensar que o único que está é a realidade efetiva, a realidade em ato. Apenas depois da reflexão da experiência é que se torna possível a criação de um conceito, uma idéia, mediante a linguagem. Bom, esse tempo imemoriável já se foi e não se pode recuar. Já se nasce com conceitos formados esperando pra ser aprendidos. E faz-se isso sem que se sinta até o espanto.
Uma vez dado esse, é questão de honestidade ôntico-epistemológica que se estabeleça a realidade como paridora de tudo que advém, e não o contrário, isto é pensar a idéia como grávida. Trata-se do instante pregnante, como fala Aumont acerca da pintura. Mais: acontece que todo instante é pregnante, a depender da perspectiva. A noção de um instante pregnante só se deve ao fato da condição de possibilidade da reflexão, que é a fixidez do fluxo. E, se a necessidade de fixidez é uma necessidade moral para a manutenção da vida, ater-se à realidade prioritariamente e o máximo possível é questão de honestidade ontológica.Dado todo esse qüiproquó epistemológico, apreende-se que o posicionamento ético-ontológico que se mantém nos limites mais baixos, portanto, mais próximos da realidade efetiva, da realidade enquanto ato, é o deixar-se perder-se do estrangeiro.

Segunda feira, 8 de dezembro de 2008

Igor Bezerra natural da Paraíba era artista plástico e ensaísta. Formou-se em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba. Morreu no dia 16 de maio de 2009, aos 22 anos em Salamanca, Espanha onde estava estudando.


08 janeiro, 2010

Chuva, lama e dor


Eu sei que os pais da menina que morreu na pousada estão sofrendo, sei que ela era linda, cheia de vida e tudo mais, mas alguém pode me explicar por que somente se fala da dor dessa família?E as outras tantas que sofreram, que perderam o pouco que tinham, que só aparecem como coadjuvantes para vender programa de TV? A desgraça é muito maior do que a que a TV e a internet insiste em mostrar simplesmente porque ANO QUE VEM VAI ACONTECER DE NOVO!!!Pode ser em outra cidade litorânea, pode ser em cidades atravessadas por rios, mas vai acontecer de novo, e de novo, e de novo...

É óbvio, eu sei, mas ninguém fala disso DE VERDADE! Ficam mostrando os estragos mas esquecem AS CAUSAS! Uma cidade inteira, linda, tombada pelo patrimônio, tombou agora diante da força da natureza, e o que eles falam? Que especialistas que reconstruiram Goiânia antiga irão ajudar a reconstruir a cidade paulista. Quaisquer 7 milhões resolvem o problema, é isso? CLARO QUE NÃO!!

O problema é muito maior, é estrutural, é social, é político acima de tudo! As pessoas não entendem o impacto que cada uma delas causa simplesmente por jogar um papel na rua, lixo nos córregos, bitucas de cigarro em áreas de mata seca! São situações ridículas, as pessoas até percebem que o lixo jogado se volta contra elas mas não aprendem, e não aprendem porque NINGUÉM ENSINA!! Ficam apenas culpando as pessoas mais carentes sem saber que o que é óbvio pra gente não é pra eles! Falta consciência crítica, falta percepção dos problemas, falta tempo para pensar! Quem trabalha pesado dia e noite não tem tempo pra mais nada além de ver novela e toda a bela parafernália de roupas e objetos que ela mostra e insiste que todo mundo deve ter! E a pessoa que mal tem o que comer se endivida pra usar a roupa que a mocinha usa na novela...é triste, é terrível, mas TEM QUE TER JEITO!

Eu sei que o sistema impede muitas mudanças, mas também sei que muita gente usa isto como desculpa para não fazer NADA! Ficam dizendo que não adianta, que a educação não vai fazer diferença porque as pessoas não terão força contra o sistema...e ninguém faz nada! TEMOS QUE QUEBRAR ESSE CÍRCULO VICIOSO!!

Desde que eu me entendo por gente São Paulo alaga com as chuvas. Desde cedo a lógica me dizia que se além de mim, cada pessoa jogasse apenas UM papelzinho na rua, seriam cerca de 8 milhões de papeizinhos indo parar nos esgotos (tô chutando o número, não sei quantas pessoas viviam em São Paulo quando eu tinha 6, 7 anos) e com certeza entupiria tudo! Eu simplesmente parei de jogar! É isso, não é nada, não deve ter feito a diferença mas é uma parte do caminho. tentei convencer quem eu pude para não jogar também, mostro isso nas minhas aulas, estou escrevendo aqui...é pouco, não é nada, mas é o mínimo que eu DEVO fazer. E você, o que você deve fazer e não faz?

E nem vou falar aqui da incompetência do povo (eu inclusive) em cobrar dos seus políticos o que eles devem fazer...




03 janeiro, 2010

de propósito

Não escrevi aqui sobre a "virada do ano", ou coisas assim...quem quiser saber o que penso sobre isso e tiver paciência pra procurar vai ver que no ano passado eu escrevi o que penso. E, infelizmente, eu continuo pensando a mesma coisa.

Fico enjoada só de ouvir tanta gente falando que tudo vai melhorar...vão prender o Sarney e os outros senadores? Vão educar melhor as crianças? Todo mundo vai ter direito a saúde de verdade? Se alguém tiver alguma notícia dessas, confirmada, por favor me avisem. No mais, continuo radicalmente pessimista quanto à isso.

Mas, no que depender de mim, vou continuar fazendo minha parte, e também melhorando coisas que precisam ser consertadas em mim.

No que depender de mim também, vou ser mais feliz.

28 dezembro, 2009

Adorei!

Ultimamente eu me sinto assim. Felizmente, isso passa e volto a ficar sociável..rsrs

ano acabando e a gente continua aguentado...

Outro ano vai começar e nós vamos continuar abaixando a cabeça para os poderosos que roubam deliberadamente?
Ainda vamos aceitar isso?
Estou escrevendo um e-mail para os senadores, vai dar um trabalhão enviar para cada um mas vou tirar parte do meu tempo para isso. No mínimo vou expressar minha indignação, sem me iludir que isso possa mudar algo. Mas eles não vão me mudar, vou continuar reclamando! Uma hora as coisas vão começar a acontecer.

Dos dias finais de um ano que começou mal

Poucas coisas realmente boas aconteceram comigo este ano. Na maior parte do tempo tive que me adaptar à força à situações que não queria/podia, viver a angústia das dúvidas e a correria pra resolver os problemas e ter tempo suficiente pra fazer uma boa dissertação.

Na luta para conquistar certas coisas tive que me deparar com a má vontade de quem tem o pouco poder de ter nas mãos, ainda que "mediocremente", o destino de parte da minha vida. Cansada, desanimada, fico torcendo para o ano acabar logo e um novo começar com as tais esperanças renovadas, como no texto do Drummond. É difícil, estou tentando, e vou em frente...

A pausa nessa loucura foi ter uma semana toda dedicada a reencontrar as pessoas queridas que tive que acompanhar de longe por causa dos estudos. Mas a vida é isso, e novos bons momentos eu sei que sempre virão!

12 dezembro, 2009

Performance filosófica


Na comemoração do primeiro aniversário do Café e filosofia do Sesc eu preparei uma apresentação com frases interessantes de filósofos, tendo por base a Ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner (que segundo Schopenhauer é a maior de todas as músicas) culminando no clip do Paulinho da Viola tocando "Filosofia" de Noel Rosa. Quem tiver interesse na apresentação dos slides é só procurar no 4shared.com.br, colocando na busca "filosofia sesc".

Ano que vem voltamos com os encontros, sempre às quintas-feiras. Até lá!

26 novembro, 2009

De Taperoá para o mundo, sem sair do Brasil


A felicidade das coisas simples é algo maravilhoso. Em meio a tempos tão turbulentos, sentar e ver a bela imagem de um senhor simpático e sagaz, de voz rouca mas suave, com uma memória incrível do alto dos seus 82 anos é um alívio para as dores do corpo e da alma.

Ariano me deixa sempre a sensação de ser um parente querido, daqueles que a gente vê pouco mas a cada reencontro parece ter estado por perto o tempo todo. Sua fala graciosa não priva das críticas aquilo que deve ser criticado, mas o faz de maneira tão leve que faz corar quem não concorda com ele. A impressão que me deu é que quem acha que a banda Calipso é a cara do povo brasileiro deve ter ficado sem graça ao ouvir aquele homem mostrar de maneira tão delicada mas consciente que esse é um grande erro. Banda Calipso e Xinbinha não podem ser o retrato de um povo. Falar que ele é genial! E Bethoven, é o que? O trecho da música que ele cantou da banda mostra o quanto temos nosso espaço invadido o tempo todo por "bandas" como essas, e como elas não nos trazem nada de novo. E o pior, segundo ele, é que seu neto disse que tem coisa muito pior. Ele disse que nem podia imaginar o que seria pior! Eu fiquei com a grata satisfação ao constatar que alguém como ele falou o que eu sempre disse, mas quando falo parece crítica boba. Eu disse uma vez que depois que ouvi um forró que dizia "vamos juntar o mijador com o mijador" eu desisti de ouvir esse tipo de forró, mesmo alguns alunos dizendo que tem coisa muito pior...concordo com Suassuna, se tem pior, me poupem!

Gracioso, delicado, sagaz, crítico, amoroso...sua declaração de amor à mulher com quem divide a vida há 60 anos foi belíssima. Ele disse que a pobre não deve aguentar mais ouvi-lo falando sempre a mesma coisa, há tanto tempo. Eu duvido. Ouvir Ariano nunca deve ser tedioso.


24 novembro, 2009

...sobre o direito de ser velho

não, eu não quero
fingir que não vejo
o mal escancarado
escarrado
da face da dor

não, eu não quero
olhar pro lado, de vergonha
pela vergonha do outro
que pede com os olhos
e com as mãos
a moeda miséria jogada no carro

não, eu não quero
fingir que não vejo
o sal da terra morta
na face do homem
que já morreu
na alma

não, eu não quero
não quero mesmo
me calar pro mundo
que escancara a cara
de pau,
de quem rouba da criança
o direito de viver
que rouba do velho
a ânsia de continuar velho
por muito tempo velho
que idoso é coisa nova
e bonita
mas velho é dor, no corpo
mas maior dor
na alma
que não é velha, mas nova
a cada dia de luta
contra os que roubam dela
a chance de continuar
nova velha força

da saudade...

se lágrima escorre e não pára
que leve junto a dor
que nunca pára
às vezes embala
e embaça
e a saudade fica
não escorre
Pára!
Que a lágrima escorrida
leve a saudade sentida
lave a saudade contida
do filho que não está
na cama ao lado,esperando
o "boa-noite" que não virá
como vinha sempre
e sempre se esperou dar
A vida vai passando
escorrendo com o tempo
escondendo o tempo
que só a saudade sabe
o quanto o tempo corre
esperando o tempo
que virá.

14 novembro, 2009

seguindo em frente...

...e procurando razão pra fazer o primeiro pudim de leite moça em 11 meses...
Certas coisas não fazem mais sentido pra mim...

13 novembro, 2009

o tempo

passa.
E o que fica?

08 novembro, 2009

uma breve, muito breve resposta...

Não tenho tempo mas não poderia deixar de responder...

Em primeiro lugar, a Clarice está certa. O Brasil é um celeiro de desigualdade, uma encubadeira de corrupção e por mais belas que sejam as suas praias ou sua gente isso não muda o fato de que a maior parte dos impostos pagos nesse país vão para as mãos dos políticos corruptos e seus comparsas.

Em segundo lugar, comparar algo a uma coisa pior para demonstrar sua superioridade é um grande engano. Desde quando os EUA servem de modelo para alguma coisa? E, mais, desde quando ter carro e casa é o que bastam a um ser humano?

Ao invés de nos preocuparmos com a "imagem" que o Brasil terá no exterior, precisamos saber o que o seu próprio povo de fato vive, e nem adianta perguntar aos mais pobres o que eles pensam, pois pensar, para quem mata um leão por dia para sobreviver, é um luxo quase inatingível. Experimente comer mal, dormir 5 horas por dia, passar 4 horas por dia em transportes públicos, trabalhar mais de 40 horas por semana e se dispor a "pensar". Isso não acontece, e nem vai acontecer tão cedo, é da própria base do sistema excluir para se manter.

Ainda bem que existem pessoas como a Clarice (nome de uma das melhores escritoras que nosso país já teve) que não aceitam as propagandas e os assistencialismos e procuram compreender o que de fato está por trás de tanta miséria.

Gostaria de ter mais tempo, mas infelizmente, por causa desse mesmo sistema citado, tenho que trabalhar hoje, domingo.

Vencedora da Unesco, ou sobre as leituras simplistas dos problemas

Recebi um e-mail e não consegui ficar calada. Não pude aprofundar pois tenho que escrever minha dissertação, mas deixarei aqui para um dia complementar meu pensamento.

Uma brasileira ganhou um premio da Unesco com a redação abaixo. Vou colocar depois dela o texto que recebi por e-mail e minha resposta.

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

O e-mail que um colega mandou...

Date: Sun, 8 Nov 2009 07:50:34 -0200
Subject: OUTRAS OPINIOES SOBRE A REDAÇÃO VENCEDORA DA UNESCO ..
From: carlosdutra@gmail.com

Isso me causa muita tristeza. Ja pensou que vao ficar registradas nas paginas desse livro da UNESCO todas coisas horrorosas que essa menina esta dizendo sobre o Brasil. Essa zinha precisava viver um tempo aqui nos EUA, por exemplo, para ver que ter igualdade economica nao significa ter igualdade cultural ou mesmo social. O ensino de primeiro e segundo grau aqui e gratuito (e uma merda, pq o sistema e mudar o moleque para uma escola inferior se ele nao consegue passar de ano nas melhores)…e depois disso, muitos deles PARAM TOTALMENTE de estudar por motivos diversos:
1) Falta de grana para pagar a faculdade que passa e muito do preco que a gente paga por uma escola particular para preparar nossos filhos para frequentarem universidades gratuitas tao boas quanto a UFRJ (que, diga-se de passagem, nao deixa a desejar em nada comparada com uma Harvard, Berkley ou Yales da vida).
2) Sabem que podem sobreviver, pagar casa propria e ter carro sem ter que se matar fazendo 6 anos de faculdade. Sendo bocais ja da para o gasto.
3) Nao desenvolvem o pensamento critico que a nossa jovem ai conseguiu (apesar de todas as desigualdades) porque nao dao o menor valor a toda (em excesso) informacao que recebem…veem um monte de coisa, mas descartam com a mesma facilidade que veem. Se nao e para gerar lucro, pra que pensar? Ou seja: simplesmente NAO VALORIZAM O CONHECIMENTO.

Se essa criaturinha ai tivesse esse cenario, talvez fosse capaz de escrever uma outra redacao, que ficasse registrada nas paginas da UNESCO, metendo a boca no desperdicio de oportunidades e no nao desenvolvimento de uma IGUALDADE verdadeira por pura FALTA DE VONTADE, e consequente incapacidade de questionar esse tipo de coisa. No Brasil, pelo menos ate vendedor de mate sabe discutir sobre desigualdade. Aqui, arrisca os PhD nao saberem nem do que v. ta falando…Fala serio.

Ja estou mandando esta msg para todas as pessoas para quem v. mandou este e-mail e, na verdade, queria muito que essa tal Clarisse (que se diz Vianna, mas espero nao ser parente minha) lesse isso tambem…ah se eu tivesse o contato dela!!! Chega de ficar falando tao mal do Brasil para o resto do mundo, gente! Se a gente se deprecia, isso ja e meio caminho pra todo mundo acreditar que a gente e merda mesmo…o Brasil tem muuuuuuuitas, mas muitas mesmo, coisas muuuuiiiito boas. Pena que muita gente so descobre (assim como eu) atraves de duros caminhos. A menina pode escrever bem, mas devia tomar cuidado com o que fala.

Heloisa Vianna

Comentário por Heloisa Vianna — 22, Agosto de 2009

http://sognarelucido.wordpress.com/clarice-zeitel-lixo-do-direito-direto-para-unesco/

A UNESCO, essa entidade que juntamente com a ONU pretende instaurar um governo mundial politicamente correto e analfabeto mundo afora, premiou a estudante de direito, Clarice Zeitel, 26, por uma redação de viés esquerdista, que estimula a luta de classes e a “igualdade” por fim da força, talvez nos mesmos moldes adotados por Gengis Khan, o cruel conquistador da antiguidade (1162-1227), que decapitava qualquer soldado que crescesse além da altura de uma roda de carro de boi, um conceito ímpar de igualdade, sem dúvida. Ela foi agraciada com o prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e concorreu com 50 mil outros estudantes. Na ocasião, viajou à Paris para ser premiada.

Certamente, não chama a atenção a apologia ideológica à mentalidade revolucionária, praxe na nossa moderna literatura, inspirada por terroristas culturais do quilate de um Tariq Ali ou proveniente da trama neuronal de intelectuais inescrupolosos como Noam Chomsky, que somente exterminou, a tal mentalidade, pelas mãos de Pol Pot, Lênin, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Hitler et caterva 100 milhões de pessoas durante o século XX, porém o péssimo estilo literário e a inaptidão da escritora para qualquer redação primária. A simples constatação que o leitor não esquerdopatizado pelo “coletivismo” que assola o país terá, é que as nossas universidades públicas estão com os dias contados, na dianteira da ingrata corrida rumo a vala podre do obscurantismo educacional. Estamos na “bengala”, descendo ladeira abaixo.

Ela é apenas o retrato acabado de nossa educação gramscista e marxista, tipificada num discurso mêa-boca de palanque, cheio de gafes lingüistícas. Me chama a atenção que essa é a mentalidade sociopata que a Rede Globo, oasis do politicamente correto, tanto tenta introduzir, por fim da força, em nosso país através da mídia. Não se enganem, se vocês, que não são intelectuais assim como eu, conseguiram ver o lixo que a UNESCO premia, nossos “intelectuais” filhos da PUC ou USP,nem de longe conseguem sofrejar a música do bom-senso.

Em tempo, nunca vi um apartheid social tão grande quanto esse preconizado no Governo Lula: Nações Quilombolas, Reservas indígenas, cotas para negros, Luta de classes…Tudo visando a separação das pessoas do convívio social com base na premissa “cultural”. É o respeito a diferença que não respeita a diversidade.



24 outubro, 2009

Pérola do orkut

quem sou eu:

el qeru ulma gatinia pra eu namora

el soul da cearamor e mel timi e auvinegu noiz vamu acaba con a rassa do ku vermeio

eu sou o gato da cearamor e um cara muito legal quem me odeia se foda e quem me acha legal agradessso ta certooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo.sou muito estudioso tambem sou o mais inteligente da escola



Eu juro que na primeira passagem de olhos não entendi nada, tive que ir lendo em voz alta...Fico imaginando o nível dos alunos dessa escola em que a figura ai acima é o mais inteligente...E morte à Lingua portuguesa!! :(




17 outubro, 2009

Enochatos

Qualquer pessoa que queira mostrar que sabe mais que outra me incomoda, mesmo as que sabem mesmo. Passar anos nos corredores, bares e salas de aula da Filosofia me fizeram detestar mais ainda aqueles que se sentem superiores por, durante diálogos monologais*, recitarem trechos de livros que hoje já estão disponíveis em sites especializados em frases de famosos, muitas vezes com erros absurdos.

Da mesma forma acho muito chato, num debate filosófico ou não, alguém sentir prazer quando encontra na fala do outro algum engano, e usa este engano para se mostrar superior. Querer ser melhor comparando-se a um pior é um tremendo equívoco.

Agora, o que vem me incomodando ultimamente são os enochatos. Você já deve ter ouvido falar deles, aqueles sabichões que estudam vinhos e, diante de uma bela garrafa, ficam recitando os aromas, os fundos e um monte de outras besteiras a 99% dos mortais que, como eu, não tem as papilas gustativas tão desenvolvidas para perceber tão sutis diferenças.Mais chato é a tal harmonização, que hoje parece ser algo mais importante que a paz no Oriente médio. Até programas de TV especiais sobre o assunto já existem. Ok, é legal degustar um bom prato com um vinho bom, o que não dá é pra limitar tal prato a tal vinho, tornando uma heresia sem perdão qualquer outra opção. Eu já comi peixe tomando vinho tinto, prefiro o branco, claro, mas na falta daquele não pensei duas vezes. Até porque o peixe era bem forte e temperado. Dá vontade de falar isso pra um desses enochatos só pra ver a cara de nojo que ele iria fazer.

Quem aqui nunca tomou uma taça de vinho super recomendado e achou horrível que atire a primeira rolha! Vinho bom é aquele que faz a gente sentir vontade de beber mais uma taça, que faz a gente ficar com um gosto bom na boca, que faz a gente relaxar num papo com amigos. Meus amigos gostam do Mioranza, um vinho barato e bem gostoso. Eu prefiro os mais encorpados, mas não vou deixar de beber outro. Como não sou alcoólatra, o vinho é um coadjuvante de um conjunto de prazeres, como cozinhar para os amigos, e, hoje e sempre, o prazer mais importante é o do bom papo. Para um enochato, se o vinho não combinar como o dna de gêmeos siameses ele deve se levantar e ir embora! Pois que vá!

E viva a leve a ótima sensação de beber um bom vinho com a companhia ideal! Infelizmente, hoje aqui em casa não tem uma garrafa sequer! Quem sabe eu venço a preguiça e saio pra comprar uma...

*isso deve ser um neologismo também, é como eu consegui ilustrar aquelas conversas onde várias pessoas falam quase ao mesmo tempo e onde um não presta atenção ao que o outro diz, tentando impor sua opinião sem dar chance ao outro de debater!

14 outubro, 2009

Pesquisando...

É incrível a quantidade de coisas que encontro na net, o pior é a quantidade de coisas ruins...Platão é dos filósofos mais estudados, e sobre ele a internet tem milhares de páginas, difícil é separar o joio do trigo, eu já estou com a mão doendo...Como é que as pessoas escrevem tanta bobagem? Quer dizer, eu sei, elas não leem mais nada, simplesmente usam o crtl C e ctrl V...Será que essas pessoas já ouviram falar em LIVROS?

Eu sou velha mesmo...

09 outubro, 2009

Roberta Sá

Roberta Sá no Ceará Music? Sério??

Queria muito assistir ao seu show, mas no aborrescente music não dá!

Obama ganha Prêmio Nobel

Há muito tempo eu deixei de acreditar na idoneidade de certos prêmios, mas receber a notícia de que o prêmio Nobel da Paz foi dado ao Obama, sinceramente, me fez crer que tem muito mais interesse político em jogo do que o real interesse em premiar aqueles que lutam por um mundo melhor.

Foram 205 candidaturas, recorde para a premiação, e Obama não figurava enter os favoritos. O premier do Zimbábue era a principal aposta, mas foi preterido. Eu, sinceramente, não acredito que, em menos de um ano na presidência, Obama já tenha merecido tal prêmio. Mas, como sempre, esta é apenas mais uma das tantas questões que nós não poderemos entender pois não há explicação lógica e racional para tal. Esperemos...