08 Fevereiro, 2010

sobre a etiqueta na Filosofia, por Renato Janine Ribeiro

Olho Grego
Os temas pequenos da filosofia

Renato Janine Ribeiro

De onde vem a palavra etiqueta, usada para tratar dos bons modos, maneiras decentes e gestos bem educados? Uma etimologia tenaz a deriva da "pequena ética", uma vez que em espanhol e mesmo em português podemos usar o sufixo -eta como diminutivo: a etiqueta seria então uma ética menor. Hobbes, por exemplo, diz a certa altura do Leviatã (1651) que não vai tratar de small morals, da moral pequena, da moralzinha. É uma forma de traduzir a etiqueta.
Outra origem se encontra nos dicionários de francês: étiquette seria o rótulo que se colocava nos sacos em que se guardavam processos judiciais, na França do século XVI. A etiqueta-rótulo dizia o que estava contido dentro deles. Por- tanto, a etiqueta seria um rótulo. É algo que está fora que indica o que ou quem está dentro. É uma aparência que mostra a essência.

A etiqueta se impõe na passagem da Idade Média à Renascença. Foi tema fartamente estudado por Norbert Elias, Johan Huizinga e por mim mesmo. Ela une os dois sentidos acima. Por um lado, é um conjunto de regras que não tem a profundidade da grande moral, da verdadeira ética. São regras que devem ser seguidas. Uma ética mais forte não tem rol do que é certo ou errado.

As duas etiquetas


Anos atrás, Antonio Candido me disse que havia duas etiquetas, ambas se constituindo no final da Idade Média. Uma era a etiqueta da submissão diante da hierarquia, que nasce na corte de Borgonha. Outra era a etiqueta entre iguais, que cresce nos Países Baixos. Ambas demonstram respeito. Mas um é o respeito do inferior, outro o do igual.

Fui pesquisar isso e acabei escrevendo um pequeno livro a respeito, A etiqueta no Antigo Regime, que deve bastante a Norbert Elias e a Johan Huizinga. É curioso que as duas etiquetas tenham nascido em terras que pertenciam ao mesmo senhor, o duque de Borgonha - embora a Borgonha propriamente dita fosse domínio feudal e os Países Baixos, cidades autônomas e desenvolvidas.

Mas o ponto principal é que, em face de uma Idade Média rústica, o século XIV cria costumes mais refinados. Os bons modos são uma forma de demonstrar respeito diante do outro. Há vários tipos de outro. Um é o príncipe. Diante dele, as pessoas se ajoelham: elas o veneram quase como se ele fosse o próprio Cristo. Outro é o tipo de respeito dos burgueses entre si. Huizinga conta uma história de dois cidadãos que se encontram numa ruela muito estreita, e ficam um pedindo ao outro que passe, "não, o senhor primeiro": quinze minutos de rapapés.
E há ainda a mulher. Respeitar a mulher exige um cuidado com a linguagem e a postura física que rompe com os modos medievais. No começo do século XIII, quando morre o conde Guilherme Marechal, regente da Inglaterra, nem se mencionam os nomes de sua mulher e filhas. Elas mal aparecem. Entretanto, quando vão aumentando os torneios, ocasiões em que os nobres simulam guerrear em frente às mulheres, elas vão adquirindo importância. Isso significa adotar maneiras mais cuidadas, evitar grosserias e se refinar.

Civilização

Um dos principais livros de Norbert Elias é O processo civilizador, em que ele conta, com detalhes, mas também com interpretações refinadas, essa gradual conquista da educação sobre a grosseria. (Devo dizer que nem todos o leem assim. Alguns acham que ele mostra como os "bons modos" são uma forma - violenta - de impor ordem na sociedade, lançando desdém sobre os rústicos).
Talvez sua ideia mais oportuna de lembrar, hoje, seja que a exibição cada vez maior do corpo, sobretudo feminino, nas últimas décadas vem junto com um aumento de autocontrole. É o contrário do que imaginaríamos à primeira vista. Quando se adota o biquíni e depois o fio-dental, tem-se a impressão de que um, permitam a palavra, liberou geral. Mas não é nada disso. O homem que vê uma mulher com quase todo o corpo nu tem que agir como se ela estivesse inteiramente vestida. Não pode atacá-la, não pode desrespeitá-la. Mas isso exige esforço por parte dele.

Portanto, não ocorrem apenas mudanças porque as pessoas usam roupas mais exíguas. Elas ocorrem também porque quem lida com elas tem de se adaptar a isso. O aparente "ganho" erótico de enxergar mais do corpo alheio é compensado por um seguro "custo" de ter que se conter mais que no passado. Os jovens que vaiaram uma colega na Uniban porque usava um microvestido, que o digam: faltou-lhes autocontenção.
Por isso, o que temos em cena não é algo apenas político. É claro que podemos fazer uma interpretação política do que as boas maneiras representam. Mas seu principal papel é social, mais que político. Constrói-se, nas palavras de Elias, uma civilização. Os costumes são civilizados. (O livro dele, A civilização dos costumes, deve ter o título entendido como o civilizar dos costumes, e não como uma civilização que se caracterizaria pelos costumes). Isso muda o mundo.

Questões Pequenas

A etiqueta, dizia, é uma pequena ética. As questões de que Elias trata são pequenas, também. Mas são fundamentais. Dizem respeito ao que Foucault chamaria uma microfisica. Cobrem ações que afetam o dia-a-dia de todos: são dezenas ou centenas de bilhões de gestos diários que expressam nosso respeito, nossa contenção - ou nosso desdém, quem sabe.
Norbert Elias demorou, talvez por se ocupar de matéria considerada pequena, para ser reconhecido. Escreveu sua grande obra, que mencionei, em 1939. Alemão, ele estava exilado na Inglaterra. Mal se notou esse livro. Chegou, na década de 1960, a ir dar aulas na recém-independente Gana, o que mostra como a academia o ignorava. Contudo, em seus últimos anos de vida, teve reconhecimento. Hoje, é uma referência obrigatória nas Ciências Sociais e na História - e as questões que levanta têm forte interesse filosófico, quando mais não seja porque a "pequena ética" nos faz perguntar sobre suas fronteiras com uma "grande ética"

06 Fevereiro, 2010

sobre as angústias da vida moderna

Na minha última aula da sexta-feira surgiu uma discussão acalorada sobre uma postura que adotei diante de uma fato que me incomodou. Falávamos de Ética e cidadania e eu tentei mostrar que, se não formos seres éticos, será impossível a convivência. Engraçado que as pessoas acham normal furar fila ou pagar propina, mas se incomodam se alguém toma sua vaga em um estacionamento ou se fura a fila do cinema na sua frente e te faz ficar sem ingresso...não conseguem ligar as duas coisas, simplesmente acham que podem agir de qualquer maneira sem que isso interfira nas suas vidas.

Continuo dizendo a mesma coisa, eu posso não mudar o mundo, mas que as pessoas no mundo não vão me fazer desistir de tentar, pode ter certeza que não vão...

03 Fevereiro, 2010

Calor insuportável

Quando vim morar em Fortaleza, calor a gente só passava se ficasse no sol, na sombra sempre era mais agradável. Agora, impossível aguentar mesmo na sombra...

E tem gente dizendo que aquecimento global é lenda urbana :(

17 Janeiro, 2010

sobre as pinturas de Igor Bezerra


Persona - Bergson


Eva Green de Vênus de Milo


O meu preferido: O Iluminado - Kubrick. Este ele disse que ia me dar, não deu tempo...

sobre algumas poucas horas em Recife...


Fui a um congresso de Filosofia em Recife em meados de 2008. Na última noite, depois da palestra de uma professora na livraria Cultura, vários alunos e professores seguiram pelas ruas de Recife antigo, até parar no Burburinho (é esse o bar?)...eu seguia sozinha, próxima do grupo pois sabia que ali era uma região perigosa, quando um rapaz aparece ao meu lado e fala que também gostava muito de Kubrick, especialmente Laranja Mecânica...eu me assustei por um segundo, como ele poderia saber? até lembrar que minha camiseta me denunciava...

No dia seguinte, o último do congresso, ninguém foi para as palestras, e me juntei a eles num botequo perto do alojamento...ele estava lá, e por causa do cigarro tentei sentar longe, mas ele se mudou e ficou ao meu lado..algumas horas de conversa depois ele me pedia em casamento! Imagina, um menino, apesar da barba e do papo...Ri, desdenhei, ele se mostrou seriamente chateado, me pediu para ir ao próximo congresso que seria em sua terra natal, João Pessoa...

Nas fotos que tiramos seu braço escondido sugeria uma gentileza pouca vezes vista em bares com bêbados...respeito à minha alergia! Sempre me sinto como a chata quando tenho que reclamar por causa de cigarro, mas bastou eu esboçar uma palavra para ele entender tudo e manter o cigarro longe de mim...uma raridade...

Poucas vezes conheci alguém tão inteligente e encantador. Não era como a maioria dos homens que faz tudo para paquerar alguém, e depois de perceber que eu não seria sua próxima paquera a conversa tomou caminhos insólitos como nos filmes de Kubrick. Ele tinha uma conversa séria, profunda, mas não era o filósofo niilista que a maioria é...terminada a faculdade, estava se preparando para ir estudar em Salamanca...feliz, feliz...

Nos falamos por msn e orkut muitas vezes, ele além de tudo era um artista...http://www.flickr.com/photos/igorbezerra/page2/

Estava feliz na Salamanca, nos falamos algumas vezes e ele me dizendo que eu tinha que ir pra Europa...e, depois, não tive mais notícias, mas na correria me esqueci de procurá-lo...

Hoje a tarde assisti 2001, Uma Odisséia no Espaço...assim que terminei, vim para o computador e uma amiga que esteve em Recife com a gente me disse que ele havia morrido ( a coincidência do Kubrick me deixou assutada). Levei um choque! Tinha 22 anos...seu trabalho de Master em Salamanca já estava escrito, mas não foi defendido. Mesmo assim, a faculdade o publicou. Seu nome é Igor Bezerra, ou L'Etranger. Assim como um de seus escritores preferidos, foi-se muito cedo. Se Sócrates e Platão estiverem certos, agora ele deve estar discutindo com o mestre Camus, um cigarro numa mão, um copo de whisky na outra...


Impressões de Salamanca

Igor Bezerra

Camus e Benjamim falavam que a melhor maneira de se conhecer uma cidade é se perdendo nela. Isso desvela muito mais do que um romantismo em relação a cidade; antes de tudo marca uma diferença entre o estrangeiro, por assim dizer, e o turista. Este último, muito comodamente trabalha com o guia, seja uma pessoa, seja um papel. E, mais que uma orientação, o guia fornece um a priori, e este é o capital. Isto se dá ao se indicar para visitação os lugares propriamente turísticos, o que também mostra outra faceta do guiar-se predeterminado: a incapacidade de se conhecer a própria vida do lugar, cambiando estes para a contemplação dos costumes feitos para turistas, “macumbas para turista”.

Assim, não se experiencia a própria vivência do lugar. Além de se perder é necessário ir aos lugares que os habitantes da cidade costumeiramente vão, para que, destarte, saiba-se o que se passa cotidianamente naquele lugar, escamoteando as possibilidades de deslumbramento, o qual pode funcionar como escape da realidade que se apresenta.

A questão é perder-se, como acontece quando se tenta encontrar um bar ao qual já se tenha ido, mas ao qual não se sabe voltar, e, então, percorrem-se todas as direções que a Plaza Mayor permite, para que assim se chegue ao lugar desejado sem que se pergunte nada a ninguém. E parte-se da Plaza Mayor porque sempre se faz necessário que se estabeleça um ponto donde começar a considerar as demais coisas. Pode-se pensar que seja subjetivismo ou solipsismo, mas antes, seja questão de perspectiva. Fato é que não se pode reflexionar nada se não se tem um cais. Caso contrário fica-se no devir eterno, e, embora a realidade se dê mesmo dessa maneira, só se consegue trabalhá-la ao se fixar algo, mínimo que seja. Contudo, estabelecer a fixidez e apoditicidade de tudo acaba por negar por quase completamente o que se passe; é a tarefa do turista guiado, que trabalha segundo um a priori.
Ora, por que um a priori? Ver-se-á quão perto da epistemologia tudo isso está. O turista guiado tem um a priori porque o seu processo de conhecimento da realidade depende de algo que já está fora desta, embora tenha sido haurido daí. O que acontece é que tudo se passa como sem tivesse uma meta privilegiada e idealizada a qual se deve chegar enquanto fim-em-si. E pensar que a realidade tem uma meta para tingir é demasiado: eis o que Nietzsche é contra: eis o que a teoria de eterno retorno nega. O que se passa com o turista guiado é um falseamento da realidade, uma vez que este parte da idealização daquela.
Por mais que o movimento possa ser dialético, ao cabo pretende-se a realização de uma idealização, embora, para que se fixe esta dada idealização seja necessário um contato prematuro com a realidade. Não pode haver qualquer idéia que não seja um mínimo de extrato do real. A questão se coloca no grau de idealização que se faz da realidade e a seguinte graduação de balizamento que aquela influi sobre esta. Trata-se, como diria Quine, de “compromisso ontológico”.
E, desta maneira, fique-se com o mínimo. Portanto, em detrimento do turista guiado fique-se com o estrangeiro. Este tampouco conhece a cidade, assim como o turista; quer dizer, conhece menos ainda, uma vez que o turista parte do pressuposto de um algo dado, de um a priori. Para o estrangeiro a experiência se dá unicamente a partir da realidade radical, isto é, o seu primeiro dado é a própria realidade enquanto ato que vai se executando, assim como ele.
Ou seja, o real é a pedra de toque donde o estrangeiro irá construir o seu conhecimento acerca do incógnito. A situação é completamente oposta: de um lado se tem a construção do real a partir da idéia; do outro, tem-se a formulação de idéias a partir do real. Jogo de palavras a parte, a questão vai mais além, ou, antes, mantém-se mais aquém.
Não se trata necessariamente de formulação de idéias a partir do real o que faz o estrangeiro. Pode-se e deve-se permanecer mais aquém. O que se faz necessário, e não poderia ser de outra forma, é a reflexão acerca do que se passa para que se fixe um dado preciso a partir do qual se mantenha a vida. Basta o simples forjar de um conceito, o que é, em sua raiz, possibilidade de manutenção da vida, com o que Nietzsche concorda.
Mais do mesmo é a aceitação do mínimo de compromisso ontológico para que se possa lidar com a vida de modo satisfatório, pois, mais cedo ou mais tarde se tratará de fixar algo da realidade, o pouco que seja não necessariamente um conceito bem acabado, mas, fim das contas, dado o logos, é do que não se pode escapar. Primórdios de tudo, pode se pensar que o único que está é a realidade efetiva, a realidade em ato. Apenas depois da reflexão da experiência é que se torna possível a criação de um conceito, uma idéia, mediante a linguagem. Bom, esse tempo imemoriável já se foi e não se pode recuar. Já se nasce com conceitos formados esperando pra ser aprendidos. E faz-se isso sem que se sinta até o espanto.
Uma vez dado esse, é questão de honestidade ôntico-epistemológica que se estabeleça a realidade como paridora de tudo que advém, e não o contrário, isto é pensar a idéia como grávida. Trata-se do instante pregnante, como fala Aumont acerca da pintura. Mais: acontece que todo instante é pregnante, a depender da perspectiva. A noção de um instante pregnante só se deve ao fato da condição de possibilidade da reflexão, que é a fixidez do fluxo. E, se a necessidade de fixidez é uma necessidade moral para a manutenção da vida, ater-se à realidade prioritariamente e o máximo possível é questão de honestidade ontológica.Dado todo esse qüiproquó epistemológico, apreende-se que o posicionamento ético-ontológico que se mantém nos limites mais baixos, portanto, mais próximos da realidade efetiva, da realidade enquanto ato, é o deixar-se perder-se do estrangeiro.

Segunda feira, 8 de dezembro de 2008

Igor Bezerra natural da Paraíba era artista plástico e ensaísta. Formou-se em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba. Morreu no dia 16 de maio de 2009, aos 22 anos em Salamanca, Espanha onde estava estudando.


08 Janeiro, 2010

Chuva, lama e dor


Eu sei que os pais da menina que morreu na pousada estão sofrendo, sei que ela era linda, cheia de vida e tudo mais, mas alguém pode me explicar por que somente se fala da dor dessa família?E as outras tantas que sofreram, que perderam o pouco que tinham, que só aparecem como coadjuvantes para vender programa de TV? A desgraça é muito maior do que a que a TV e a internet insiste em mostrar simplesmente porque ANO QUE VEM VAI ACONTECER DE NOVO!!!Pode ser em outra cidade litorânea, pode ser em cidades atravessadas por rios, mas vai acontecer de novo, e de novo, e de novo...

É óbvio, eu sei, mas ninguém fala disso DE VERDADE! Ficam mostrando os estragos mas esquecem AS CAUSAS! Uma cidade inteira, linda, tombada pelo patrimônio, tombou agora diante da força da natureza, e o que eles falam? Que especialistas que reconstruiram Goiânia antiga irão ajudar a reconstruir a cidade paulista. Quaisquer 7 milhões resolvem o problema, é isso? CLARO QUE NÃO!!

O problema é muito maior, é estrutural, é social, é político acima de tudo! As pessoas não entendem o impacto que cada uma delas causa simplesmente por jogar um papel na rua, lixo nos córregos, bitucas de cigarro em áreas de mata seca! São situações ridículas, as pessoas até percebem que o lixo jogado se volta contra elas mas não aprendem, e não aprendem porque NINGUÉM ENSINA!! Ficam apenas culpando as pessoas mais carentes sem saber que o que é óbvio pra gente não é pra eles! Falta consciência crítica, falta percepção dos problemas, falta tempo para pensar! Quem trabalha pesado dia e noite não tem tempo pra mais nada além de ver novela e toda a bela parafernália de roupas e objetos que ela mostra e insiste que todo mundo deve ter! E a pessoa que mal tem o que comer se endivida pra usar a roupa que a mocinha usa na novela...é triste, é terrível, mas TEM QUE TER JEITO!

Eu sei que o sistema impede muitas mudanças, mas também sei que muita gente usa isto como desculpa para não fazer NADA! Ficam dizendo que não adianta, que a educação não vai fazer diferença porque as pessoas não terão força contra o sistema...e ninguém faz nada! TEMOS QUE QUEBRAR ESSE CÍRCULO VICIOSO!!

Desde que eu me entendo por gente São Paulo alaga com as chuvas. Desde cedo a lógica me dizia que se além de mim, cada pessoa jogasse apenas UM papelzinho na rua, seriam cerca de 8 milhões de papeizinhos indo parar nos esgotos (tô chutando o número, não sei quantas pessoas viviam em São Paulo quando eu tinha 6, 7 anos) e com certeza entupiria tudo! Eu simplesmente parei de jogar! É isso, não é nada, não deve ter feito a diferença mas é uma parte do caminho. tentei convencer quem eu pude para não jogar também, mostro isso nas minhas aulas, estou escrevendo aqui...é pouco, não é nada, mas é o mínimo que eu DEVO fazer. E você, o que você deve fazer e não faz?

E nem vou falar aqui da incompetência do povo (eu inclusive) em cobrar dos seus políticos o que eles devem fazer...




03 Janeiro, 2010

de propósito

Não escrevi aqui sobre a "virada do ano", ou coisas assim...quem quiser saber o que penso sobre isso e tiver paciência pra procurar vai ver que no ano passado eu escrevi o que penso. E, infelizmente, eu continuo pensando a mesma coisa.

Fico enjoada só de ouvir tanta gente falando que tudo vai melhorar...vão prender o Sarney e os outros senadores? Vão educar melhor as crianças? Todo mundo vai ter direito a saúde de verdade? Se alguém tiver alguma notícia dessas, confirmada, por favor me avisem. No mais, continuo radicalmente pessimista quanto à isso.

Mas, no que depender de mim, vou continuar fazendo minha parte, e também melhorando coisas que precisam ser consertadas em mim.

No que depender de mim também, vou ser mais feliz.

28 Dezembro, 2009

Adorei!

Ultimamente eu me sinto assim. Felizmente, isso passa e volto a ficar sociável..rsrs

ano acabando e a gente continua aguentado...

Outro ano vai começar e nós vamos continuar abaixando a cabeça para os poderosos que roubam deliberadamente?
Ainda vamos aceitar isso?
Estou escrevendo um e-mail para os senadores, vai dar um trabalhão enviar para cada um mas vou tirar parte do meu tempo para isso. No mínimo vou expressar minha indignação, sem me iludir que isso possa mudar algo. Mas eles não vão me mudar, vou continuar reclamando! Uma hora as coisas vão começar a acontecer.

Dos dias finais de um ano que começou mal

Poucas coisas realmente boas aconteceram comigo este ano. Na maior parte do tempo tive que me adaptar à força à situações que não queria/podia, viver a angústia das dúvidas e a correria pra resolver os problemas e ter tempo suficiente pra fazer uma boa dissertação.

Na luta para conquistar certas coisas tive que me deparar com a má vontade de quem tem o pouco poder de ter nas mãos, ainda que "mediocremente", o destino de parte da minha vida. Cansada, desanimada, fico torcendo para o ano acabar logo e um novo começar com as tais esperanças renovadas, como no texto do Drummond. É difícil, estou tentando, e vou em frente...

A pausa nessa loucura foi ter uma semana toda dedicada a reencontrar as pessoas queridas que tive que acompanhar de longe por causa dos estudos. Mas a vida é isso, e novos bons momentos eu sei que sempre virão!

12 Dezembro, 2009

Performance filosófica


Na comemoração do primeiro aniversário do Café e filosofia do Sesc eu preparei uma apresentação com frases interessantes de filósofos, tendo por base a Ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner (que segundo Schopenhauer é a maior de todas as músicas) culminando no clip do Paulinho da Viola tocando "Filosofia" de Noel Rosa. Quem tiver interesse na apresentação dos slides é só procurar no 4shared.com.br, colocando na busca "filosofia sesc".

Ano que vem voltamos com os encontros, sempre às quintas-feiras. Até lá!

26 Novembro, 2009

De Taperoá para o mundo, sem sair do Brasil


A felicidade das coisas simples é algo maravilhoso. Em meio a tempos tão turbulentos, sentar e ver a bela imagem de um senhor simpático e sagaz, de voz rouca mas suave, com uma memória incrível do alto dos seus 82 anos é um alívio para as dores do corpo e da alma.

Ariano me deixa sempre a sensação de ser um parente querido, daqueles que a gente vê pouco mas a cada reencontro parece ter estado por perto o tempo todo. Sua fala graciosa não priva das críticas aquilo que deve ser criticado, mas o faz de maneira tão leve que faz corar quem não concorda com ele. A impressão que me deu é que quem acha que a banda Calipso é a cara do povo brasileiro deve ter ficado sem graça ao ouvir aquele homem mostrar de maneira tão delicada mas consciente que esse é um grande erro. Banda Calipso e Xinbinha não podem ser o retrato de um povo. Falar que ele é genial! E Bethoven, é o que? O trecho da música que ele cantou da banda mostra o quanto temos nosso espaço invadido o tempo todo por "bandas" como essas, e como elas não nos trazem nada de novo. E o pior, segundo ele, é que seu neto disse que tem coisa muito pior. Ele disse que nem podia imaginar o que seria pior! Eu fiquei com a grata satisfação ao constatar que alguém como ele falou o que eu sempre disse, mas quando falo parece crítica boba. Eu disse uma vez que depois que ouvi um forró que dizia "vamos juntar o mijador com o mijador" eu desisti de ouvir esse tipo de forró, mesmo alguns alunos dizendo que tem coisa muito pior...concordo com Suassuna, se tem pior, me poupem!

Gracioso, delicado, sagaz, crítico, amoroso...sua declaração de amor à mulher com quem divide a vida há 60 anos foi belíssima. Ele disse que a pobre não deve aguentar mais ouvi-lo falando sempre a mesma coisa, há tanto tempo. Eu duvido. Ouvir Ariano nunca deve ser tedioso.


24 Novembro, 2009

...sobre o direito de ser velho

não, eu não quero
fingir que não vejo
o mal escancarado
escarrado
da face da dor

não, eu não quero
olhar pro lado, de vergonha
pela vergonha do outro
que pede com os olhos
e com as mãos
a moeda miséria jogada no carro

não, eu não quero
fingir que não vejo
o sal da terra morta
na face do homem
que já morreu
na alma

não, eu não quero
não quero mesmo
me calar pro mundo
que escancara a cara
de pau,
de quem rouba da criança
o direito de viver
que rouba do velho
a ânsia de continuar velho
por muito tempo velho
que idoso é coisa nova
e bonita
mas velho é dor, no corpo
mas maior dor
na alma
que não é velha, mas nova
a cada dia de luta
contra os que roubam dela
a chance de continuar
nova velha força

da saudade...

se lágrima escorre e não pára
que leve junto a dor
que nunca pára
às vezes embala
e embaça
e a saudade fica
não escorre
Pára!
Que a lágrima escorrida
leve a saudade sentida
lave a saudade contida
do filho que não está
na cama ao lado,esperando
o "boa-noite" que não virá
como vinha sempre
e sempre se esperou dar
A vida vai passando
escorrendo com o tempo
escondendo o tempo
que só a saudade sabe
o quanto o tempo corre
esperando o tempo
que virá.

14 Novembro, 2009

seguindo em frente...

...e procurando razão pra fazer o primeiro pudim de leite moça em 11 meses...
Certas coisas não fazem mais sentido pra mim...

13 Novembro, 2009

o tempo

passa.
E o que fica?

08 Novembro, 2009

uma breve, muito breve resposta...

Não tenho tempo mas não poderia deixar de responder...

Em primeiro lugar, a Clarice está certa. O Brasil é um celeiro de desigualdade, uma encubadeira de corrupção e por mais belas que sejam as suas praias ou sua gente isso não muda o fato de que a maior parte dos impostos pagos nesse país vão para as mãos dos políticos corruptos e seus comparsas.

Em segundo lugar, comparar algo a uma coisa pior para demonstrar sua superioridade é um grande engano. Desde quando os EUA servem de modelo para alguma coisa? E, mais, desde quando ter carro e casa é o que bastam a um ser humano?

Ao invés de nos preocuparmos com a "imagem" que o Brasil terá no exterior, precisamos saber o que o seu próprio povo de fato vive, e nem adianta perguntar aos mais pobres o que eles pensam, pois pensar, para quem mata um leão por dia para sobreviver, é um luxo quase inatingível. Experimente comer mal, dormir 5 horas por dia, passar 4 horas por dia em transportes públicos, trabalhar mais de 40 horas por semana e se dispor a "pensar". Isso não acontece, e nem vai acontecer tão cedo, é da própria base do sistema excluir para se manter.

Ainda bem que existem pessoas como a Clarice (nome de uma das melhores escritoras que nosso país já teve) que não aceitam as propagandas e os assistencialismos e procuram compreender o que de fato está por trás de tanta miséria.

Gostaria de ter mais tempo, mas infelizmente, por causa desse mesmo sistema citado, tenho que trabalhar hoje, domingo.

Vencedora da Unesco, ou sobre as leituras simplistas dos problemas

Recebi um e-mail e não consegui ficar calada. Não pude aprofundar pois tenho que escrever minha dissertação, mas deixarei aqui para um dia complementar meu pensamento.

Uma brasileira ganhou um premio da Unesco com a redação abaixo. Vou colocar depois dela o texto que recebi por e-mail e minha resposta.

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

O e-mail que um colega mandou...

Date: Sun, 8 Nov 2009 07:50:34 -0200
Subject: OUTRAS OPINIOES SOBRE A REDAÇÃO VENCEDORA DA UNESCO ..
From: carlosdutra@gmail.com

Isso me causa muita tristeza. Ja pensou que vao ficar registradas nas paginas desse livro da UNESCO todas coisas horrorosas que essa menina esta dizendo sobre o Brasil. Essa zinha precisava viver um tempo aqui nos EUA, por exemplo, para ver que ter igualdade economica nao significa ter igualdade cultural ou mesmo social. O ensino de primeiro e segundo grau aqui e gratuito (e uma merda, pq o sistema e mudar o moleque para uma escola inferior se ele nao consegue passar de ano nas melhores)…e depois disso, muitos deles PARAM TOTALMENTE de estudar por motivos diversos:
1) Falta de grana para pagar a faculdade que passa e muito do preco que a gente paga por uma escola particular para preparar nossos filhos para frequentarem universidades gratuitas tao boas quanto a UFRJ (que, diga-se de passagem, nao deixa a desejar em nada comparada com uma Harvard, Berkley ou Yales da vida).
2) Sabem que podem sobreviver, pagar casa propria e ter carro sem ter que se matar fazendo 6 anos de faculdade. Sendo bocais ja da para o gasto.
3) Nao desenvolvem o pensamento critico que a nossa jovem ai conseguiu (apesar de todas as desigualdades) porque nao dao o menor valor a toda (em excesso) informacao que recebem…veem um monte de coisa, mas descartam com a mesma facilidade que veem. Se nao e para gerar lucro, pra que pensar? Ou seja: simplesmente NAO VALORIZAM O CONHECIMENTO.

Se essa criaturinha ai tivesse esse cenario, talvez fosse capaz de escrever uma outra redacao, que ficasse registrada nas paginas da UNESCO, metendo a boca no desperdicio de oportunidades e no nao desenvolvimento de uma IGUALDADE verdadeira por pura FALTA DE VONTADE, e consequente incapacidade de questionar esse tipo de coisa. No Brasil, pelo menos ate vendedor de mate sabe discutir sobre desigualdade. Aqui, arrisca os PhD nao saberem nem do que v. ta falando…Fala serio.

Ja estou mandando esta msg para todas as pessoas para quem v. mandou este e-mail e, na verdade, queria muito que essa tal Clarisse (que se diz Vianna, mas espero nao ser parente minha) lesse isso tambem…ah se eu tivesse o contato dela!!! Chega de ficar falando tao mal do Brasil para o resto do mundo, gente! Se a gente se deprecia, isso ja e meio caminho pra todo mundo acreditar que a gente e merda mesmo…o Brasil tem muuuuuuuitas, mas muitas mesmo, coisas muuuuiiiito boas. Pena que muita gente so descobre (assim como eu) atraves de duros caminhos. A menina pode escrever bem, mas devia tomar cuidado com o que fala.

Heloisa Vianna

Comentário por Heloisa Vianna — 22, Agosto de 2009

http://sognarelucido.wordpress.com/clarice-zeitel-lixo-do-direito-direto-para-unesco/

A UNESCO, essa entidade que juntamente com a ONU pretende instaurar um governo mundial politicamente correto e analfabeto mundo afora, premiou a estudante de direito, Clarice Zeitel, 26, por uma redação de viés esquerdista, que estimula a luta de classes e a “igualdade” por fim da força, talvez nos mesmos moldes adotados por Gengis Khan, o cruel conquistador da antiguidade (1162-1227), que decapitava qualquer soldado que crescesse além da altura de uma roda de carro de boi, um conceito ímpar de igualdade, sem dúvida. Ela foi agraciada com o prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e concorreu com 50 mil outros estudantes. Na ocasião, viajou à Paris para ser premiada.

Certamente, não chama a atenção a apologia ideológica à mentalidade revolucionária, praxe na nossa moderna literatura, inspirada por terroristas culturais do quilate de um Tariq Ali ou proveniente da trama neuronal de intelectuais inescrupolosos como Noam Chomsky, que somente exterminou, a tal mentalidade, pelas mãos de Pol Pot, Lênin, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Hitler et caterva 100 milhões de pessoas durante o século XX, porém o péssimo estilo literário e a inaptidão da escritora para qualquer redação primária. A simples constatação que o leitor não esquerdopatizado pelo “coletivismo” que assola o país terá, é que as nossas universidades públicas estão com os dias contados, na dianteira da ingrata corrida rumo a vala podre do obscurantismo educacional. Estamos na “bengala”, descendo ladeira abaixo.

Ela é apenas o retrato acabado de nossa educação gramscista e marxista, tipificada num discurso mêa-boca de palanque, cheio de gafes lingüistícas. Me chama a atenção que essa é a mentalidade sociopata que a Rede Globo, oasis do politicamente correto, tanto tenta introduzir, por fim da força, em nosso país através da mídia. Não se enganem, se vocês, que não são intelectuais assim como eu, conseguiram ver o lixo que a UNESCO premia, nossos “intelectuais” filhos da PUC ou USP,nem de longe conseguem sofrejar a música do bom-senso.

Em tempo, nunca vi um apartheid social tão grande quanto esse preconizado no Governo Lula: Nações Quilombolas, Reservas indígenas, cotas para negros, Luta de classes…Tudo visando a separação das pessoas do convívio social com base na premissa “cultural”. É o respeito a diferença que não respeita a diversidade.



24 Outubro, 2009

Pérola do orkut

quem sou eu:

el qeru ulma gatinia pra eu namora

el soul da cearamor e mel timi e auvinegu noiz vamu acaba con a rassa do ku vermeio

eu sou o gato da cearamor e um cara muito legal quem me odeia se foda e quem me acha legal agradessso ta certooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo.sou muito estudioso tambem sou o mais inteligente da escola



Eu juro que na primeira passagem de olhos não entendi nada, tive que ir lendo em voz alta...Fico imaginando o nível dos alunos dessa escola em que a figura ai acima é o mais inteligente...E morte à Lingua portuguesa!! :(




17 Outubro, 2009

Enochatos

Qualquer pessoa que queira mostrar que sabe mais que outra me incomoda, mesmo as que sabem mesmo. Passar anos nos corredores, bares e salas de aula da Filosofia me fizeram detestar mais ainda aqueles que se sentem superiores por, durante diálogos monologais*, recitarem trechos de livros que hoje já estão disponíveis em sites especializados em frases de famosos, muitas vezes com erros absurdos.

Da mesma forma acho muito chato, num debate filosófico ou não, alguém sentir prazer quando encontra na fala do outro algum engano, e usa este engano para se mostrar superior. Querer ser melhor comparando-se a um pior é um tremendo equívoco.

Agora, o que vem me incomodando ultimamente são os enochatos. Você já deve ter ouvido falar deles, aqueles sabichões que estudam vinhos e, diante de uma bela garrafa, ficam recitando os aromas, os fundos e um monte de outras besteiras a 99% dos mortais que, como eu, não tem as papilas gustativas tão desenvolvidas para perceber tão sutis diferenças.Mais chato é a tal harmonização, que hoje parece ser algo mais importante que a paz no Oriente médio. Até programas de TV especiais sobre o assunto já existem. Ok, é legal degustar um bom prato com um vinho bom, o que não dá é pra limitar tal prato a tal vinho, tornando uma heresia sem perdão qualquer outra opção. Eu já comi peixe tomando vinho tinto, prefiro o branco, claro, mas na falta daquele não pensei duas vezes. Até porque o peixe era bem forte e temperado. Dá vontade de falar isso pra um desses enochatos só pra ver a cara de nojo que ele iria fazer.

Quem aqui nunca tomou uma taça de vinho super recomendado e achou horrível que atire a primeira rolha! Vinho bom é aquele que faz a gente sentir vontade de beber mais uma taça, que faz a gente ficar com um gosto bom na boca, que faz a gente relaxar num papo com amigos. Meus amigos gostam do Mioranza, um vinho barato e bem gostoso. Eu prefiro os mais encorpados, mas não vou deixar de beber outro. Como não sou alcoólatra, o vinho é um coadjuvante de um conjunto de prazeres, como cozinhar para os amigos, e, hoje e sempre, o prazer mais importante é o do bom papo. Para um enochato, se o vinho não combinar como o dna de gêmeos siameses ele deve se levantar e ir embora! Pois que vá!

E viva a leve a ótima sensação de beber um bom vinho com a companhia ideal! Infelizmente, hoje aqui em casa não tem uma garrafa sequer! Quem sabe eu venço a preguiça e saio pra comprar uma...

*isso deve ser um neologismo também, é como eu consegui ilustrar aquelas conversas onde várias pessoas falam quase ao mesmo tempo e onde um não presta atenção ao que o outro diz, tentando impor sua opinião sem dar chance ao outro de debater!

14 Outubro, 2009

Pesquisando...

É incrível a quantidade de coisas que encontro na net, o pior é a quantidade de coisas ruins...Platão é dos filósofos mais estudados, e sobre ele a internet tem milhares de páginas, difícil é separar o joio do trigo, eu já estou com a mão doendo...Como é que as pessoas escrevem tanta bobagem? Quer dizer, eu sei, elas não leem mais nada, simplesmente usam o crtl C e ctrl V...Será que essas pessoas já ouviram falar em LIVROS?

Eu sou velha mesmo...

09 Outubro, 2009

Roberta Sá

Roberta Sá no Ceará Music? Sério??

Queria muito assistir ao seu show, mas no aborrescente music não dá!

Obama ganha Prêmio Nobel

Há muito tempo eu deixei de acreditar na idoneidade de certos prêmios, mas receber a notícia de que o prêmio Nobel da Paz foi dado ao Obama, sinceramente, me fez crer que tem muito mais interesse político em jogo do que o real interesse em premiar aqueles que lutam por um mundo melhor.

Foram 205 candidaturas, recorde para a premiação, e Obama não figurava enter os favoritos. O premier do Zimbábue era a principal aposta, mas foi preterido. Eu, sinceramente, não acredito que, em menos de um ano na presidência, Obama já tenha merecido tal prêmio. Mas, como sempre, esta é apenas mais uma das tantas questões que nós não poderemos entender pois não há explicação lógica e racional para tal. Esperemos...

28 Setembro, 2009

Blog do Shakespeare


QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2009

UM TOQUE EM 140.

Assim como muitos de vocês, tive certa dificuldade de entender e usar o Twitter. Entrei para a rede dos microblogs mais ou menos como todo mundo, meio que pela pressão coletiva, para não ficar de fora. No início, eu estava bem idiota. Imagine que eu respondia à pergunta proposta pela página: o que você está fazendo? Cheguei a perder uma namorada porque, certa feita, respondi “sexo” em vez de “amor”. É como eu sempre digo: fragilidade, o teu nome é mulher!


Agora virei um entusiasta do Twitter. Quero apostar no formato. O blog vai morrer – ainda estou aqui porque sou um clássico. Minha adaptação não está fácil. Nem todos os meus escritos se comportam bem em 140 toques. Porém, não vejo outra saída para continuar a atrair leitores, ou melhor, seguidores. Alguns amigos me aconselham a colocar links nos meus posts, no Twitter, que remetam a sites em que os leitores possam desfrutar meus textos na sua forma integral. Não é o que me interessa. O legal mesmo é ser um tuiteiro nativo, um autor que usa e fomenta o gênero. Vivem tentando me modernizar. Por que não posso eu mesmo fazer isso? Depois de muitos cortes, muita edição, consegui verter quatro de minhas principais obras para o formato minipost. Agora, elas podem ser lidas com a mesma velocidade com que serão esquecidas. Vejam o que vocês acham:



Reconheço que a narrativa fica um pouco prejudicada, que houve certa perda nos diálogos, mas pensem na enorme quantidade de pessoas que antes se sentiam humilhadas por não ter lido Shakespeare. Soltando um post por dia, em poucas semanas, o pessoal terá lido minhas obras completas.

Blog do Descartes


QUINTA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2009

MAKING OF FILOSÓFICO

Não é fácil chegar a uma frase lapidar. Como a própria expressão informa,
é preciso esculpir muito as palavras até o resultado desejado. Para ficar claro
que esse negócio de cunhar frases que modificam a humanidade não é a uma coisa
simples de se chegar, tipo dois palitos, resolvi mostrar os estudos que me levaram
à frase que me notabilizou.

Hoje, até filosofia tem making of. Espero que isso sirva de inspiração para que você também registre seus pensamentos e ideias com afinco. No fundo, é um processo
simples: basta escrever e escrever várias páginas, depois escolher a melhor frase.
E o resto você descartes, como diria o meu amigo e grande filósofo Mussum.


Parte do Blog do além do Napoleão

...
Estou contando tudo isso sem nenhuma intenção de me enaltecer.
Ao contrário: Waterloo, que eu nem quero comentar, baixou a minha bola. Tudo o que relatei aqui são feitos pequenos comparados aos de José Sarney. Vejam: para distribuir cargos entre parentes, amigos e aliados, tive que enfrentar inúmeras batalhas sangrentas, sacrificar vidas, erguer um império e constituir uma monarquia pessoal. O Sarney, não. O homem não precisa de nada disso. Ele faz o que faz dentro de uma democracia, sem ocupar o posto mais alto da REpública, independentemente de quem esteja no poder. Esse é craque. Para ele, eu tiro a minha coroa.

Sobre o blog

Sobre o blog Este blog é um divã eletrônico para mim. Portanto, fique livre para não comentar nada, cobrar-me caro e não me dar recibo.

Adorei esta interpretação dos sonhos

QUARTA-FEIRA, 12 DE NOVEMBRO DE 2008

EU EXPLICO

Fiz este blog para atualizar e divulgar alguns dos meus conceitos. De tanto todo mundo dizer “Freud explica”, resolvi explicar mesmo. Verti tudo para uma linguagem mais jovem e acessível.

Inveja do pênis.

Inveja do pênis é o que você sente quando vê a Angelina Jolie seminua. Você sente a maior inveja do pênis do Brad Pitt. E mais: fica com vontade de regredir naqueles melões e voltar à fase oral, grudando-se nos lábios carnudos dela – o que causa recalque profundo. A psicanálise pode ajudar a curar esse recalque em alguns anos. Mas a masturbação, sem ser mental, é mais eficiente.

Para divulgar esses conceitos, um amigo me recomendou uma agência de publicidade. Eles criaram o seguinte adesivo para carros: “Não inveje meu pênis: xaveque”.

Complexo de Édipo.

Exemplo prático: Amalie Nathanson, minha mamãe, pretendia que eu fosse advogado. Mas eu tinha outros planos: queria ser marido dela. Meu pai me disse que iria furar os meus olhos se eu insistisse nessa idéia, e aí sosseguei. Lamento o fato de mamãe (linda) não ter vivido o suficiente para ter me visto consagrado como o papai da psicanálise.

Inconsciente.

Nosso corpo é como um carro flex movido por dois combustíveis: inconsciente e consciente. Em geral, o primeiro está mais barato, e a loja de conveniências do posto de abastecimento está sempre fechada.

As piadas e sua relação com o inconsciente.

Paciente:
– Doutor, vou lhe contar um segredo: eu sou um galo!
O psiquiatra resolve aprofundar a anamnésia:
– E desde quando o senhor acha que é um galo?
Paciente:
– Ah, desde que eu era um pintinho.

Toda piada se estrutura por meio da condensação, do deslocamento e da representação indireta. Ou seja, o autor desse chiste tem pênis diminuto.

Interpretação dos sonhos.

Quando você chegar à padoca, olhe para a cara dele. Se o creme estiver num amarelo homogêneo e o açúcar espalhado uniformemente pela superfície, pode levar que está novinho

Música de Caetano Veloso: Lobão tem razão

Lobão tem razão
irmão meu Lobão
chega de verdade
é o que a mulher diz
tou tão infeliz
um crucificado deitado ao lado
os nervos tremem no chão do quarto
por onde o semen se espalhou

o mundo acabou
mas elas virão
e nos salvarão
a ambos nós dois
o medo já foi
o homem é o próprio Lobão do homem
ela só vem quando os mortos somem
ela que quase nos matou

chove devagar
sobre o Redentor
se ela me chamar
agora
eu vou

mais vale um Lobão
do que um leão
meto um sincerão
e nada se dá
o rock acertou
quando você tocou com sua banda
e tamborim na escola de samba
e falou mal do seu amor

chove devagar
cobre o Redentor
se ela me chamar
agora
eu vou

Blogs do Além

Encontrei na Carta Capital os blogs do Além! São vários blogs de personalidades que já morreram, e não podia deixar de colocar aqui o do Platão...


TERÇA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2009

NOVOS DIÁLOGOS

Não gosto muito de festa de réveillon. Sempre me escondo na minha caverna durante a passagem de ano. Dessa vez não foi diferente: fiquei no meu cafofo vendo o capítulo de A Favorita, prestando muita atenção aos diálogos. Aproveitei também para aprimorar os ensinamentos que recebi de Sócrates. Treinei muito com a parede o meu passe de calcanhar. Comi um “platão” (deixe-me que eu me divirta com o meu nome) de lentilha. À meia-noite, pude observar, sem prazer, a queima de fogos na Faixa de Gaza. Mas o motivo mesmo do meu recolhimento foi a minha paixão platônica por Carla Bruni. Até hoje não sei se ela é conceito ou realidade. Se pudesse tocá-la, eu elucidaria essa questão. Pensei até no que diria para o Nicolas (nanico, em grego) liberar a sua amada para viver um período como minha mulher de Atenas. Argumentaria que meu interesse seria puramente filosófico. Que desejo Carla enquanto ser. Meu estudo teria um cunho ontológico (na verdade, seria antológico). Diria que preciso muito dela para reescrever uma das obras fundamentais da filosofia ocidental: O Banquete de Platão. E que, no tempo livre, ela poderia visitar instituições de caridade, abraçar crianças pobres e freqüentar a minha academia. Quanto à Sarkozy, valorizaria o seu gesto de renúncia do indivíduo em prol da comunidade – no caso eu – e, com ela aos meus braços, jogaria para o alto a filosofia. Ficaria acorrentado a ela, em minha caverna, olhando a projeção de nossa dança na parede. E, assim, a humanidade ganharia mais um diálogo de Platão:
– Platão?
– Sim?
– A minha intenção é perguntar-lhe qual é a virtude própria da sua arte, e que arte é essa que professa e que ensina.
– Pelo amor de Zeus, Carla, papo cabeça a essa hora? Vá despindo a sua metafísica e depois a gente conversa.

27 Setembro, 2009

Os dez piores filmes da década - E eu não assisti a nenhum! :)

Dupla Explosiva , estrelado por Antonio Banderas e Lucy Liu, foi eleito pelo site norte-americano Rottentomatoes o pior filme da última década, a partir de 2000. A escolha da lista, que traz 100 produções, foi feita com base em críticas de jornais, sites e revistas quando os longas foram lançados. No segundo lugar, temos o terror Uma Chamada Perdida , dirigido por Eric Valette. Logo em seguida, a adaptação do clássico infantil Pinóqio , de Roberto Benigni. Já na quarta posição, aparece Um Milionário em Apuros . Confira os 10 piores filmes: 1º - Dupla Explosiva 2º - Uma Chamada Perdida 3º - Pinóqio 4º - Um Milionário em Apuros 5º - Os Pilantras 6º - Bebês Geniais 2 7º - Strange Wilderness 8º - Na Terceira Dança 9º - Velocidade sem Limites 10º - Witless Protection

20 Setembro, 2009

Anticristo - Lars Van Trier, ou o Caos reina


Ainda estou chocada. Sai do cinema ha mais de uma hora e continuo sem saber ao certo explicar o que senti. Terror, provavelmente esta seja a palavra que mais demonstraria o que sinto agora.E medo e angústia e ansiedade e tristeza também. Terror, como gênero cinematográfco, não dá conta desta obra do Triers. O filme mais chocante do ano, sem dúvida, um dos mais chocantes de todos os tempos, também.

Li que ele estava com depressão pelo fracasso de Manderlay e para poder superar tal crise começou a escrever despretenciosamente este roteiro. Imagino se ele decidisse pretenciosamente escrever uma obra-prima. Não gosto de violência barata, não suporto mais filmes que tentam chocar através de cenas meticulosamente planejadas. Me pareceu que nada foi feito de maneira meticulosa no filme, algumas cenas são cortadas abruptamente, outras aparecem e somem, animais falam, a natureza fala, as personagens falam, mas nada parece fazer sentido, e o final do filme mostra como nem tudo precisa fazer sentido. Às vezes, é simplesmente o mal em si mesmo.

Não vou fazer aqui uma resenha do filme, existem várias por ai na net, mas várias coisas me chamaram a atenção. Eu gosto do estilo do Triers, aqui ele mantêm as divisões em capítulos, as imagens em câmera lenta, as iniciais e finais em branco-e-preto com uma bela e angustiante ópera de Handel ao fundo, acompanhando cada cena bem ao estilo do Kubrick. Aliás, algumas tomadas me fizeram lembrar de O Iluminado, um clássico e dos melhores filmes que já vi. A tomada inicial é bela e angustiante ao mesmo tempo, e mesmo sabendo o que aconteceria-está em qualquer resenha- a angústia se dobra às belas imagens dos pingos d'água definidos batendo nos corpos de ambos.

Muita gente vai dizer que a violência no filme é gratuita. Não concordo. Acostumados que estamos com cenas ao estilo de Jogos mortais, não nos incomodamos tanto quando tiros são dados à queima-roupa e corpos são mutilados pelas próprias pessoas. Não nos incomodamos pela inverossimilhança. É tão absurdo que não nos toca tanto, Mas o Anticristo toca, exatamente por sabermos o que pessoas com mentes perturbadas podem fazer. Parece real demais para simplesmente ignorarmos, sairmos do cinema em direção à nossa casa e nos deitarmos e dormirmos. Até o sexo perderia totalmente o sentido nessa hora, duvido que alguém conseguisse sair do cinema e pensar nisso.

Várias pessoas sairam na metade do filme, outras tantas reclamaram do tempo perdido ao final do filme, e eu realmente sinto por elas. De difícil entendimento - o que faz ali um lobo falando que o caos reina? - o menos importante, ao meu ver, é entender. Como em um sonho, as coisas não fazem sentido, ou fazem e nós é que não percebemos - sendo aqui bem freudiana. Então, por que ver um filme como esse, que nos assusta, nos dá medo, mostra o terror que pode existir dentro de cada um? Por que, às vezes, encarar nossos medos seja a melhor maneira de suportá-los...


15 Setembro, 2009

Coragem...

Você se considera uma pessoa de coragem?

E, se tem coragem, também tem força o bastante para suportar os desafios da caminhada?

Em muitas ocasiões da vida, não sabemos avaliar o que realmente necessitamos: se de força ou de coragem.

E há momentos em que precisamos das duas virtudes conjugadas.

Há situações que nos exigem muita força, mas há horas em que a coragem se faz mais necessária.

Eis aqui alguns exemplos:

É preciso ter força para ser firme, mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para não revidar.

É preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo, mas é preciso coragem para admitir a dúvida ou o erro.

É preciso ter força para manter-se em forma, mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para faze-lo parar.

É preciso ter força para fazer tudo sozinho, mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso força para enfrentar os desafios que a vida oferece, mas é preciso coragem para admitir as próprias fraquezas.

É preciso força para buscar o conhecimento, mas é preciso coragem para reconhecer a própria ignorância.

É preciso força para lutar contra a desonestidade, mas é preciso coragem para resistir às suas investidas.

É preciso força para enfrentar as tentações, e é preciso coragem para não cair nas suas armadilhas.

É preciso ter força para gritar contra a injustiça, mas é preciso muita coragem para ser justo.

É preciso força para pregar a verdade, mas é preciso coragem para ser verdadeiro.

É preciso força para levantar a bandeira da paz, mas é preciso coragem para construí-la na própria intimidade.

É preciso ter força para falar, mas é preciso coragem para se calar.

É preciso força para lutar contra a insensatez, mas é preciso coragem para ser sensato.

É preciso ter força para defender os bens materiais, mas é preciso coragem para preservar o patrimônio moral.

É preciso ter força para amar, mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para aprender a viver.

Enfim, é preciso ter muita força para enfrentar as batalhas do dia-a-dia, mas é preciso muita coragem moral, para vencer-se a si mesmo.

Força e coragem: duas virtudes com as quais podemos conquistar grandes vitórias. E a maior delas é a vitória sobre as próprias imperfeições.

***

A coragem de vencer-se antes que pretender vencer o próximo, de desculpar antes que esperar ser desculpado e de amar apesar das decepções e desencantos revela o legítimo homem de valor.

Por essa razão a coragem é calma, segura, fonte geradora de equilíbrio que alimenta a vida e eleva o ser aos altos cumes da glória e da felicidade total.

Fonte: Momento reflexão

13 Setembro, 2009

um pouco mais do Museu da Língua portuguesa

Este poema do Gregório é representado por um rapper e, apesar da longa distância histórica que os separa, me pareceu recém escrito. Fantástico


Epigrama

Gregório de Mattos e Guerra


I

Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da República em todos os membros, e inteira definição do que em todos os tempos é a Bahia.

Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.


Gregório de Mattos e Guerra
(1633/1696), o Boca do Inferno, nascido na Bahia, foi o primeiro de nossos satíricos, homem de língua destravada e fácil veia poética. Estudou humanidades em Portugal, tendo feito o curso de leis na Universidade de Coimbra. Na terra mãe foi juiz criminal e de órfãos. Voltou ao Brasil com 47 anos, sob a proteção do arcebispo da Bahia, D. Gaspar Barata. Tantas e tais fez que não só perdeu a proteção do prelado, como ainda foi degredado para Angola. Reabilitado, voltou ao Brasil, indo para Recife, onde conquistou simpatias e viveu com menos turbulência que na Bahia. É o patrono da cadeira n.º 16 da Academia Brasileira de Letras. Além de versos satíricos e humorísticos, escreveu poesias eróticas com a maior incontinência verbal.


10 Setembro, 2009

das coisas dos últimos dias



Apresentação de trabalho na Archai em Uberlândia, pesquisa na UFMG (com visita rápida ao espaço Fiat pra ver Chagall e Rodin) e passada rápida em São Paulo para tentar espantar meus fantasmas...

dsa coisas boas,um passeio com o meio-meio irmão Tilsinho pra ver uma banda de rock bacana num lugar bacana e, melhor de tudo, SEM CIGARRO!!!Não pensei que um dia iria entrar e sair feliz da vida sem cheiro de cigarro em boate paulistana. O local, o Wild horse. a banda, Rockstock:
http://www.wildhorsecafe.com.br/

a visita ao "quirido" Israel e assistir a peça que me tocou profundamente, da qual pretendo ler o livro:
http://www.almaimoral.com/

Depois da peça, apesar de mais uma decepção com quem está longe e poderia me fazer feliz, fui jantar com o Israel e seus amigos num restaurante muito legal, o AK, comida judaica contemporânea...Uma entrada com salmão, um bourguignon de cordeiro e um crepe de nutela com nozes...Delicioso...





além disso fui finalmente visitar o Museu da língua portuguesa, com o Israel e a Elis. Lindo, emocionante, bem feito, maravilhoso. Faz valer a pena morar numa cidade caótica como esta, mas como eu não moro mais tenho que me virar no pouco tempo passado aqui para poder dar conta de tantas coisas bacanas...

Vale a pena dar uma olhada no site, tem muita coisa boa:
http://www.estacaodaluz.org.br/

e, claro, a passagem pela Pinacoteca, como sempre, nesta vez com a bela exposição do Matisse.

20 Agosto, 2009

A política brasileira

Ontem ouvi a seguinte estória da minha professora:

A professora pediu para cada aluno dizer o que seu pai fazia. Um falou que o pai er médico, o outro que era advogado, umterceiro disse que o pai era empresário, o outro disse que o pai era pedreiro, até que chega o Joãozinho e diz que seu pai era stripper de boate gay. Todos os alunos ficam chocados, a professora chama o aluno num canto e pergunta: Seu pai é isso que você falou mesmo?

E o Joãozinho responde: Não, ele é Senador, mas eu fiquei com vergonha de dizer...

Tragicômico, exatamente por sabermos que qualquer pessoa com um mínimo de caráter teria vergonha de ter um parente político.

Eu sempre votei - e lutei pelo - PT. E venho me envergonhando a cada dia com isso. Agora, encobrir a porcaria toda que o Sarney está fazendo já é demais, e, para validar a regra, alguns senadores estão com tanta vergonha que já disseram que vão deixar o partido, entre eles o Mercadante e a Marina.

Mas é só isso? Quanto ainda teremos que aguentar? Esse tipo de ação apazigua a raiva do povo, que continua calado diante de tanta baixaria...até quando? até quando?

23 Julho, 2009

Meu aniversário

Com tantos problemas acontecendo ao mesmo tempo é difícil achar graça nesse dia, mas hoje me sinto mais leve, comecei eliminando as velharias da casa, pretendo estender às velharias que me atormentam a alma...

10 Julho, 2009

Recebi um email interessante, que segue:

País de Loucos?!

Uma das muitas notícias que indignou os brasileiros nos últimos dias foi a de que a Roseana Sarney tem um mordomo, funcionário do Congresso, trabalhando em sua casa.
Ainda bem que ela esclareceu que o cara é MOTORISTA e ganha bem (DOZE MIL REAIS) porque trabalha muito!
Ufa, que alívio! Pensei que era mais uma falcatrua da "famiglia" Sarney!

Repassando...........

CURIOSIDADES DE UM PAÍS DE LOUCOS OU DE GATUNOS, SE PREFERIREM.
Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Isto para dizer o mínimo; quando vamos ser passivos ?

Temos o que merecemos...Aguentar esta canalhada, cafajestes, ladrões impunes...
Nós, povo brasileiro, somos os responsáveis!

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNARMOS. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.
VALE A PENA TENTAR.

E não me venha argumentar, dizendo que sempre foi assim, que política n ão lhe interessa, etc

Tome uma posição. Proteste. Reaja!

08 Julho, 2009

Presidente Lula e o Corinthians...ou estão brincando comigo

que o Lula é corinthiano todo mundo sabe, mas usar de seu poder como presidente para arrumar contatos com empreiteiras para a construção do estádio do seu time, particular, pode?Foi o Ronaldo quem disse...

Ele vai ajudar a construir o estádio de quantos outros times brasileiros?

Miséria emocional

Miséria ainda tem acento?

07 Julho, 2009

Quando o amor é maior
que a dor?
que a dor que provoca
em mim e em ti?

como amar alguém
sem amar a si?
sem amar o que eu não sou
mas estou?

mudar, viver, seguir em frente
sem olhar para trás
das maiores dores
esquecer as grandes mágoas
e simplesmente ir
para além
além de mim
do que estou
do que sou
em busca
do que serei...

04 Julho, 2009

Escola de Atenas, de Rafael



Não me lembro ao certo quando achei que iria me dedicar à Filosofia, mas sei que das primeiras coisas que me fizeram "prestar atenção" nela foi esse afresco maravilhoso do Rafael...das coisas que mais quero, uma delas é poder um dia estar próximo a ele, no Museu do Vaticano...só espero que este não seja um sonho distante demais...

Em 1508 Rafael di Sanzio (1483-1520) foi chamado a Roma para produzir afrescos nas salas do Vaticano. Entre tantos de seus trabalhos que se tornaram famosos, há o célebre afresco “A Escola de Atenas”. No centro do quadro ele colocou Platão e Aristóteles, sendo que o primeiro aponta para cima e o segundo para baixo. Retrata bem, portanto, o debate central da filosofia medieval – a polêmica dos universais, em que o platonismo concede existências aos universais enquanto Formas e o aristotelismo aponta a existência nos elementos individuais e “terrenos”. Mas o espírito de sua época não se resumiu nisto, o de colocar a arte para, de um modo novo, fazer o que a filosofia faz. O espírito de sua época foi o espírito de Rafael na sua especial capacidade de ironia humorística diante do mundo. Pois o quadro de Rafael já seria uma grande afronta à Igreja caso ficasse fora do Vaticano, todavia, uma vez dentro do Vaticano e pintado com o aval do Papa, tornou-se um emblema renascentista de um humor próximo ao de Dante.

O nome original do afresco é Causarum Cognitio. Mas a partir do século XVII as pessoas começaram a se referir a ele como “Escola de Atenas” (fig. 1). O afresco não é uma alusão a qualquer uma das escolas filosóficas da Grécia Antiga, nem mesmo ao conjunto delas. Mais polêmico seria dizer que não é um quadro que quer mostrar que o saber da época de Rafael era derivado dos clássicos. Mas, de fato, se eu pudesse optar, diria que o nome original diz mais dele do que “Escola de Atenas".

02 Julho, 2009

Quando o olhar se perde no futuro do passado que é presente

nos rodopios do mundo caí
me arranhei, me cortei, levantei
e segui...

outros rodopios vieram
novamente quedas
novamente metas
novamente cumpri

cansada que estou das voltas
do mundo ao redor de mim
cansada de olhar pra frente
sem ver ao longe
sem poder sorrir

e das forças que tive
me mandam tê-las de novo
mas
cansada que estou das voltas
do mundo nas voltas em mim.