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20 junho, 2010

sobre os pseudo-filósofos e a morte de Saramago

  1. Besteiras ditas pelo pseudofilósofo Paulo Giraldeli no twitter:
    Vaticano diz que Saramago era um "populista extremista". Eu acho que o Vaticano errou, Saramago era apenas um impostor estalinoide.
  2. A língua portuguesa teve um gênio da literatura: Machado de Assis.
  3. Percebemos quando uma pessoa sabe o que é literatura quando ela lê Machado, e sabemos que não entende quando gosta de Saramago.
  4. A literatura em língua portuguesa teve um gênio: Machado de Assis. E teve um impostor: Saramago.
  5. Saramago finalmente parou de escrever. Deus, mesmo não existindo, nos abençoou!
  6. Saramago está vagando, morto, procurando Deus. E Deus está se escondendo dele, pois o cara era muito chato mesmo!

    Deus não existe, mas só para poder dar um "pedala robinho" na cabeça vazia do Saramago, ele se auto-criou durante alguns dias.


Não tenho problemas com a filosofia pop, desde que seja realmente parte de uma reflexão profunda, tentando tocar as pessoas para tentar melhorar o mundo, acho bacana...o que não dá pra aguentar é filósofo que não consegue ver além do próprio nariz...

Eu, sempre que posso, mudo de opinião. Acho importante. Sou contra toda forma de determinismo, e se for pra melhorar, mudo mesmo. Mas tem gente que, ou não conhece nada, ou só quer aparecer, ou as duas coisas...mas, não nesse caso. O que me pareceu estupidez um dia, se confirmou:

Tem um tal de Paulo Giraldeli que se diz filósofo. Lembro que na época da graduação alguém me falou pra não cita-lo na minha monografia, não era muito bem visto pela academia. Achei besteira, mas acabei eliminando a citação por outros motivos.

Nesta semana o tal filósofo mais uma vez me mostrou que não tem muito a dizer...Com a morte do Saramago, querendo aparecer, resolveu criticar os que dizem ter perdido um grande escritor da língua portuguesa, dizendo que grande escritor mesmo foi o Machado de Assis. Não tenho dúvida que Machado é fantástico, assim como Fernando Pessoa E Saramago. Além de grande escritor, admiro sua coragem e capacidade de se indignar com as mazelas do mundo. Sempre fiquei admirada com sua força, sua generosidade, sua clareza, sua dedicação, sua luta por um mundo melhor para todos, com sua busca por justiça ( e sempre fez isso não porque deus queria, mas porque era certo). Era ateu e comunista. E daí? Precisa ser crente pra ser bom? (tantos exemplos teríamos agora que provam o contrário...). Dizem que gosto não se discute. Depois de boquinha da garrafa, dança da motinha e Rebolation alguém ainda poderia dizer isso? Eu discuto gosto sim. Li/Leio Machado e Saramago. Ambos são sensacionais.

Ah, escrevi para ele dizendo que achava estranho alguém se dizer filósofo e ter tal atitude...ele respondeu assim:
    Eu sou filósofo. E você é Loira.


Adorei a resposta, reforçou ainda mais o que eu já pensava a seu respeito. Mas, como ser humano que sou, não podia deixar de responder a ele no mesmo nível:

  1. Eu sou filósofa. E loira.
Ainda sobre a morte de Saramago, a presidenciável Marina Silva teve a infeliz ideia de fazer um comentário dizendo que é uma blasfêmia tanta gente se importar com a morte de um ateu...

Respeito quem tem suas crenças mas também exijo que respeitem as minhas. Uma pessoa ser atéia ou não não deveria ser motivo para os gnósticos tentarem minimizar a importância da luta, da coerência e da grandiosidade de alguém como Saramago. Não sou atéia mas tem hora que dá vontade de ser só para combater com ainda mais força quem se acha superior e tenta impor sua crença aos outros. Pelo mesmo motivo já pensei em ser lésbica ou negra, mas por motivos óbvios isso era inviável...

Fiquei muito triste com a morte desse grande escritor e grande SER HUMANO. No dia tentei escrever aqui sobre ele mas não consegui, como agora não consigo falar sem me emocionar. Como pessoa extremamente crítica que sou, não consegui aceitar os comentários das duas pessoas citadas acima e por conta disso não vou falar do mestre agora. Volto a falar somente sobre ele depois que passar a raiva, que sei que vai passar mais rapidamente que a tristeza...

12 junho, 2010

sobre os excessos dos devotos


Interessante, mas tenho certeza que alguém vai querer vir aqui reclamar sobre isso...intolerância é intolerável!



sobre as curiosidades de uma mente fértil

Minha dúvida de hoje. Existem doenças que são transmitidas pelo sangue contaminado. Existem insetos que passam doenças através da picada em seres humanos. Se um pernilongo (ou muriçoca) pica uma pessoa contaminada pelo vírus da aids, por exemplo, e enche a pança com o tal sangue, e depois, passeando pelo meu banheiro enquanto eu tomo banho, ele recebe um peteleco meu e fica esmagado na parede (que eu lavo depois, obviamente), o sangue de tal pernilongo, se em contato com algum tipo de corte minúsculo na minha mão, poderia contaminar o meu sangue?

é, eu sei, é viagem demais, mas esta sou eu...minha criatividade é F*&%

11 junho, 2010

olha aí as tais fotos, vc também acha que não significam nada?












sobre os pesos e medidas...

Dia desses eu recebi um pedido para inclusão no meu orkut de uma pessoa que eu não conhecia (e que, claro, não teve a delicadeza de ao menos deixar um recado para se identificar) e quando entrei no perfil da pessoa levei um susto! Seu perfil (sem fotos que o fizesse ser reconhecido) era recheado de fotos com armas, celulares e cédulas bem ao estilo da polícia brasileira quando apreende algo e "organiza" em cima da mesa para a foto que vai sair no jornal...em uma das fotos a pessoa está colocando uma bala na arma, em outras fotos fuzis aparecem triunfantes! Com medo, mas sabendo que tinha que fazer algo, denunciei ao orkut, que inclusive dá a opção de você marcar o tipo de conteúdo como impróprio por ser apologia ao crime/ilegal...

Bem, hoje recebo o e-mail do orkut com a seguinte resposta:

Olá, Erika Bataglia,

Obrigado pela denúncia de abuso no orkut em "2010-06-09".

Com base na nossa verificação e considerando os termos de serviço do orkut, concluímos que esse conteúdo não viola nenhuma política no orkut. Se você acha que ocorreu um erro, reenvie a sua queixa com informações adicionais para ajudar a nossa equipe de suporte para compreender melhor a sua preocupação com este conteúdo.
Para obter mais informações relacionadas à nossa política, consulte o link abaixo.
http://help.orkut.com/support/bin/answer.py?answer=16198&hl=pt-BR&p=email

Pelo-amor-de-zeus!! Se esse contéudo não é apologia ao crime, o que seria então? Não vou colocar o link aqui para não correr mais risco e tentei abrir as imagens pra copiar e colar por aqui, mas não foi possível...mas o que é preciso pro orkut/google achar que o conteúdo viola a política deles? Se for pedofilia só a foto íntima de uma criança não seria suficiente? É absurdo isso!

06 junho, 2010

sobre as decepções

Eu sempre odiei injustiça. Mesmo antes de saber o que a palavra significava eu já sentia que não gostaria dela, muito em função das enormes injustiças que minha mãe cometia comigo, não por maldade (demorei décadas para saber), mas por ignorância (como dizia Sócrates, só age mal quem não tem conhecimento).

Já errei muito na vida. Sempre fui impulsiva e sempre apanhei muito por ser diferente, por não ser diplomática, política, polida. Sou educada com quem é educado comigo, mas em alguns casos como sou tímida as pessoas acham que sou antipática; sou simpática com quem eu acho que vale a pena mas nunca pensei em ter que fazer qualquer coisa só para puxar o saco de quem quer que seja (não que não tenha tido que fazer isso, às vezes). Mudei de profissão para tentar acabar com isso com a inocência de ser livre...até perceber que em certas ocasiões não se pode falar o que se pensa. E meus erros me trouxeram muitas dores.

Por ser assim já falei mais do que devia, já fiz coisas que não devia, já magoei quem eu não devia e sofri muito com isso. Tem coisas erradas que fiz quando era criança e até hoje me sinto mal por elas, mesmo sabendo que a gravidade de tal ato era muito pequena. Já pedi desculpas verdadeiras, já esperei desculpas verdadeiras que nunca vieram, já abandonei pessoas por motivos pequenos mas aprendi a voltar atrás quando estava errada. Tenho 36 anos, quase 37. Não acredito em destino ou determinação, se tem algo em mim que é ruim eu vou lutar contra para tentar mudar. Odeio quem diz "ah, mas eu sou assim mesmo". Bom, faz parte do meu sangue italiano e da minha criação ser "assim mesmo", mas eu não concordo com isso e luto para ser diferente. Às vezes consigo, às vezes não, e sei que isso faz parte da vida e do meu crescimento.

Algumas coisas me magoaram muito ao longo dos anos e nem todas eu superei. Sei do mal que isso me faz e que só uma boa terapia poderá resolver um dia, mas tento lidar com isso sem muita dor. É difícil. Sou rancorosa e guardo comigo coisas que já deveriam ter sido jogadas fora, mas não consegui. Outras, ao contrário, consegui abandonar completamente...e me fez um bem danado, o que mostra que estou mudando isso também.

Nestes anos todos fiz muitos amigos que me ajudaram nessa longa e inconclusa caminhada. Com eles aprendi que meus defeitos podem ser ignorados e não jogados na minha cara o tempo todo. Não é possível alguém ainda acreditar nesse tipo de terapia de choque que diz que quando a gente fica o tempo todo jogando algo na cara do outro este outro supera e acaba mudando. Acredito no amor, na amizade, no companheirismo e principalmente na transparência. Com esses amigos sei que tenho a liberdade de dizer o que eu penso, mesmo que meu pensamento vá de encontro ao deles, e sei que eles vão me dizer o que eu preciso ouvir, mesmo não gostando. É isso que me dá a certeza da amizade, e sem isso não conseguiria prosseguir.

Esta semana estou mortalmente ferida. Das várias pessoas que já cometeram injustiças comigo poucas me tocaram tão profundamente. Talvez isso tenha a ver com o sangue, mas acho que é algo maior que isso. Poucas pessoas na minha vida foram tão presentes, tão importantes e tão amadas. Dos meus quase 37 anos, quase 31 passei ao lado dele. Ajudei a criá-lo e quando tive chance de dar a ele o que eu não tinha tido oportunidade de ter o fiz com todo o desprendimento como o que me faria fazer qualquer coisa pelo meu filho...e talvez seja isso que me deixe ainda mais triste...

Muitos podem dizer que se eu realmente fiz desta maneira não deveria estar agora sofrendo assim...que quem faz com amor não espera nada em troca...não sei se acredito nisso...quando tive que ficar triste com meu filho fiquei, tinha esse direito. Agora acho que tenho também, infelizmente...

Em família de sangue quente mal-entendidos são comuns. Muitos me fizeram ficar chateada por anos, muitos fizeram com que magoasse quem me amava...entre pessoas quase irracionais que são os membros da família Bataglia em crise isso é comum...só que eu escolhi, assim como meu irmão, outro caminho. Um caminho mais árido e longo, mas mais coerente. Um caminho que machuque menos as pessoas, que as respeite mais, que entenda as diferenças...e saber que, mesmo assim, algo pequeno faz com que ele me diga a frase mais dura que já ouvi é horrível. A frase em si já seria horrível, mas pelo contexto é pior ainda. Mostra que mágoas foram se acumulando sem se deixar resolver, raivas contidas em períodos eclodem em outros e tudo vem à tona num maremoto que inunda tudo e tudo destrói.

Esses bons amigos dizem que tudo vai passar, como outras coisas já passaram. Queria que eles estivessem certos, mas percebi que, na verdade, só adianta se elas "passarem" para os dois lados...um amigo me disse uma vez uma frase mais ou menos assim: Há pessoas que nunca perdoam o bem que fazemos a elas. Queria que ele estivesse errado.


sobre a física quântica

Eu não sei dizer quantos anos teria que viver para suprir a minha inesgotável curiosidade sobre as coisas do mundo, mas acredito que a filosofia não tem como abrir mão das compreensões que a ciência nos coloca, ainda como verdades relativas sempre abertas à superação, mas ainda assim cada dia mais perto do conhecimento real, creio eu.

Se acreditarmos em Platão, sabemos que não é possível ao homem encarnado chegar ao conhecimento da ideia do Bem, mas não é por isso que eu devo permanecer no nível da eikasia, pistis e doxa (imagens, crença e opinião), mas ir em busca do conhecimento superior da dianóia, noésis e episteme ( raciocinio lógico-matemático, intuição intelectual e ciência). Sei que, segundo ele, somente depois da morte, com a alma liberta das limitações físicas que o corpo nos impõe, é que eu poderei conhecer a ideia imaterial da realidade inteligível, mas não é por causa dessa impossibildiade que pretendo parar de tentar entender e esperar a morte para isso...

Por causa disso, encontrei essa entrevista muito interessante sobre física quântica dita em linguagem que uma leiga como eu consegue entender...pode até ser superficial, mas é um começo...um dia, quem sabe, eu faço como o menino-budista na Matrix com a colher? There's no spoon?

Entrevista interessante sobre física quântica

Entrevista por Fátima Afonso, com o físico José Andreeta, professor da USP/São Carlos, e sua mulher, Maria de Lourdes Andreeta, advogada e filósofa.

Fátima: Apesar de todo o desenvolvimento da ciência e do surgimento da física quântica, o homem ainda explica o universo a partir da teoria de Newton, formulada no século 17. Por quê?

Casal Andreeta:

Porque ele está condicionado a viver neste mundo que nós conhecemos. O homem comum não tem condições de ver a realidade através do prisma da teoria quântica, porque esse conhecimento é extremamente especifico e a linguagem da física quântica é a matemática avançada. De qualquer maneira, tudo o que você chama de alta tecnologia o telefone, a televisão, as lâmpadas fluorescentes, o laser, está fundamentado na física quântica.

Fátima: Vamos supor que a física quântica passasse a ser ensinada no colégio e depois na faculdade. Isso não levaria a uma transformação da realidade, já que as crenças seriam diferentes?

Casal Andreeta:

Sem dúvida. Você teria um mundo completamente diferente do que ele é. Do ponto de vista da física quântica, a mente prevalece sobre a matéria e não ao contrário, como a ciência está, até certo ponto, acostumada a colocar. Então, se a pessoa começa a ter uma compreensão da realidade fundamentada na física quântica, lógico que a mente tem de prevalecer sobre a matéria, fazendo com que ela comece a dominar todo o processo de criação. Na verdade, nós já vivemos antes num mundo parecido com o da física quântica. Nossa primeira infância, por exemplo, era praticamente fundamentada nela. Não tínhamos nenhum condicionamento deste mundo em que nós vivemos tudo parecia possível. E se continuássemos a acreditar nisso...

Fátima: Tudo seria mesmo possível...

Casal Andreeta:

Exatamente! Imagine, por exemplo, uma pessoa que consegue fazer milagres, como Cristo ou um santo fazia. O que é o milagre? É tornar possível uma coisa que normalmente achamos que é impossível. Na verdade, a mecânica quântica é o reino de todas as possibilidades. O Problema é que, na hora em que vamos "aprendendo" a viver neste mundo, vamos nos condicionando; perdemos, por exemplo, as nossas crenças, a fé naquilo que achávamos que podia ser possível. Se levarmos ao pé da letra o nosso entendimento da vida segundo a física quântica, vamos ter a seguinte condição: o mundo é da forma que nós acreditamos que ele seja; nós construímos o nosso meio. Por exemplo: um átomo não é um núcleo central e um elétron girando em torno dele. Esse modelo está totalmente superado. E mais: ele viola a lei do eletromagnetismo. O elétron tem de estar distribuído uniformemente em volta do átomo; ao mesmo tempo, ele é um corpúsculo, uma partícula. A lógica humana não consegue conceber isso, pois é algo que está fora deste universo newtoniano que conhecemos.

Fátima: Curiosamente, há milhares de anos os místicos já conheciam ao menos parte desse universo quântico.

Casal Andreeta:

De fato, há quatro mil anos, Buda dizia que a mente prevalece sobre tudo; ela domina e cria tudo. Hoje a mecânica quântica está chegando nesse ponto. Os físicos acreditam que, na hora em que vou medir uma partícula, eu a crio; antes disso, ela tinha uma dualidade, era uma partícula/onda, uma coisa completamente estranha ao que conhecemos. Ou seja, somente quando interferimos com a nossa mente, fazendo uma medição, aquilo que era uma onda colapsa e forma uma partícula de matéria. Vamos dizer que, no nosso universo, existe uma substância universal chamada substância quântica que você pode chamar de éter ou de qualquer outro nome. Essa substância quântica é um mar de todas as possibilidades; aí tudo é possível. A primeira coisa que você tem de fazer quando deseja algo é filtrá-lo desse quadro de todas as possibilidades. Depois que filtrou, isso ainda não é a coisa que você quer, é algo meio nebuloso. Então, você vai e o observa. No ato da observação esse algo nebuloso e mal definido colapsa, se transforma naquilo que você quer, por exemplo, um elétron, um próton. É mais ou menos assim que a coisa funciona.

Fátima: Depende da vontade consciente do observador...

Casal Andreeta:

Isso. O vale de todas as possibilidades está aí.


Fátima: Se transportamos para o macrocosmo essa questão da vontade em relação aos átomos, podemos dizer que temos a capacidade de modificara realidade.
Casal Andreeta:

Sem dúvida! Hoje a ciência já sabe que existe uma realidade maior que dá sustentabilidade a essa realidade newtoniana em que nós vivemos. Ou seja, os fenômenos quânticos é que vão dar origem a tudo o que existe. Só que eles têm tamanha complexidade que não podem ser compreendidos pelo intelecto humano; eles o transcendem. O cérebro foi criado para compreender o tridimensional, aquilo que nós vivemos no corpo físico. Para a física quântica, por exemplo, não existe mais um universo objetivo, quer dizer, eu aqui e o meu experimento lá; tudo é subjetivo, porque eu sou parte do experimento.


Fátima: Considerando isso, talvez a ciência devesse levar mais em conta o sentimento humano, por exemplo.

Casal Andreeta:

Exatamente.

Fátima: Já existe essa abertura entre os físicos?

Casal Andreeta:

Voltamos à sua primeira pergunta: por que as pessoas não utilizam isso? Porque é uma coisa complicada de ser colocada. Há cientistas que preferem não ter resposta nenhuma a admitir que existam outros elementos para serem colocados dentro da ciência. De qualquer maneira, nós acreditamos que estamos numa época de transição e vamos ter de colocar o homem dentro da ciência. Se a energia psíquica cria os experimentos, a natureza, a matéria, se não colocarmos os elementos da mente humana na física, ficará extremamente complicado entender o que está acontecendo.


Fátima: Os átomos fluem, continuamente, de um corpo sólido a outro, incluindo-se aí o corpo humano o que acaba nos tornando parte de um grande todo. Isso explicaria porque somos contaminados, por exemplo, pela violência ou pelo amor a nossa volta?

Casal Andreeta:

Há aí dois aspectos. O físico já sabe que o corpo humano troca todos os átomos a cada 2,5 anos. Como nós lembramos de coisas do nosso passado, deve existir alguma coisa além da energia e dos átomos que formam o nosso corpo físico: a mente. Nós acreditamos que não há como refutar a existência da mente. O que deve, portanto, transmitir as lembranças e os sentimentos talvez não seja a matéria (onde se acham os átomos), mas a mente. Por outro lado, saindo um pouquinho da física e indo mais para a psicologia, Jung dizia que todo conhecimento está colocado em arquétipos. Quando acessa esses arquétipos, é como se você entrasse em uma biblioteca, abrisse um livro, tomasse consciência dos conhecimentos ali arquivados e, quando saísse dali, o deixasse aberto sobre uma mesa. Qualquer pessoa que entrasse ali leria o livro que você leu. Segundo a teoria junguiana, esses programas de televisão que dizem ser contra a violência, mas mostram violência o tempo todo, na verdade estão abrindo esse arquétipo, ou seja, criando mais violência.


Fátima: Se todo o nosso organismo é atomicamente recriado a cada 2,5 anos, nós não deveríamos ser pessoas sempre saudáveis?

Casal Andreeta:

Veja bem, você está reconstruindo o seu corpo físico a cada instante. Mas como seria essa reconstrução? Se partir da premissa de que tudo é da forma que você acredita que seja, cada um tem o seu próprio mundo, dotado de elementos diferentes. Tudo o que acontece na nossa vida é aquilo que nós acreditamos que é inevitável àquilo que temos certeza que vai acontecer. Se eu sei, por exemplo, que vou envelhecer e morrer, e não tenho o mínimo conflito sobre isso, isso é inevitável para mim.


Fátima: Em outras palavras, você está me dizendo que, se um dia conseguirmos acreditar piamente que a morte física não existe, nós vamos conseguir ser eternos...

Casal Andreeta:

Não diria que seriamos eternos, porque parece que as células do corpo físico têm um tempo de vida limitado. Essa firmação, no entanto, pode ser também mais um dos nossos condicionamentos. De qualquer maneira, poderemos ter um corpo saudável por um longo tempo. Se eu tiver plena convicção de que posso transformar esse gravador numa rosa, isso deve acontecer. Não tem essa, porém, de eu fingir que acredito. Parece que a nossa mente só cria aquilo que nós realmente acreditamos, e não aquilo que fingimos crer. Se eu estou com um problema no estômago, por exemplo, é porque acredito que tenho esse problema. E como dizem: mente sã, corpo são.


Fátima: Se aceitarmos que a mente cria e domina a matéria, a nossa responsabilidade diante do mundo vai aumentar milhões de vezes...

Casal Andreeta:

Sem dúvida, porque, nesse caso, o homem cria o meio. Então, somos cúmplices de todos esses fatos que estão acontecendo à nossa volta. Só que provar isso cientificamente é complicado, uma vez que a influência do homem no meio ainda não é muito bem compreendida pela ciência. Devemos lembrar, no entanto, que a ciência trabalha com verdades relativas, e as verdades relativas não são permanentes. O que vale hoje pode não valer amanhã. A ciência evolui; através da pesquisa, ela muda os seus conceitos.


Fátima: David Cross, um dos físicos que criaram a teoria das super cordas, acredita que para entender o universo só precisamos de uma única lei universal. Que lei é essa?

Casal Andreeta:

Na verdade, a teoria das super cordas não está comprovada experimentalmente, é uma teoria. Mas, segundo Cross, tudo o que existe são vibrações, que vêem de uma única fonte. Então, tudo pode ser regido por uma só lei. Nessa teoria o universo é uma imensa orquestra, só estaria faltando para a ciência descobrir o maestro regente.

Fátima: Que se fôssemos levar para o lado religioso, seria Deus.

Casal Andreeta:

Seria. Mas, em nossas pesquisas, estamos muito longe de chegar a Deus. Por enquanto, nós estamos querendo chegar só um pouquinho além da matéria.

Fátima: Como é que a física quântica explica o caso de cura espontânea?

Casal Andreeta:

Se você fizer essa pergunta, por exemplo, para um físico ele vai dizer que não tem explicação para isso. Mas nós achamos que, se a mente prevalece sobre a matéria, se a sua mente acreditar na possibilidade de ser curado e não tiver conflito, você vai conseguir se curar.

Agora, muitas pessoas vão dizer: "Não, física quântica é muito interessante, mas ela só funciona para o mundo microscópico e, na nossa realidade macroscópica, predominam as leis de Newton." Para nós isso é a mesma coisa que você dizer que um prédio é feito de tijolos, mas as propriedades do prédio não têm nada a ver com as dos tijolos. Existe essa realidade quântica por trás desse mundo em que vivemos não há a menor dúvida. Dizer que a física quântica não tem influência no nosso mundo macroscópico é uma afirmação um pouco indevida. O problema é que a ciência é cheia de dogmas. E ela não responde o porquê das coisas. Ela só tem respostas para o comportamento da nossa realidade; nós não sabemos, por exemplo, o que é um tomo, um elétron. Nós sabemos que eles se comportam como onda e partícula, mas o que são nós não sabemos. A ciência trabalha com conceitos e conceitos que é consensual, aceito por um grande número de pessoas. Às vezes você diz certas coisas que não têm comprovação experimental, e os cientistas chamam de especulação. Mas nada é mais especulativo do que a ciência em si, porque ela trabalha com verdades relativas, temporárias e isso não diminui em nada a sua importância para a humanidade.


Fátima: De acordo com os conhecimentos que têm hoje, vocês diriam que a sobrevivência do espírito pode ser uma realidade?

Casal Andreeta:

Evidentemente, a física quântica não consegue comprovar isso. Mas existe um outro tipo de argumento que se deve colocar aí. Se não existe nada além da morte, para que vamos ser bons? Para que querer entender a natureza? Para que o conhecimento? Fica tudo sem sentido. Aliás, nós já sabemos que a mente existe e não morre; se ela não sobreviver, fica tudo sem sentido.

Fátima: E a reencarnação, é viável?

Casal Andreeta: Em principio, nós achamos que essa é uma das teorias mais prováveis em relação ao que acontece depois da morte. Pelo menos é a mais cientifica. Seria até injusto não ter reencarnação. Por exemplo, imagine um a pessoa da favela para quem matar estuprar e roubar é normal. Ela faz tudo isso porque o seu meio proporciona isso. Então ela morre, é julgada e vai para o inferno. E eu, que vivi em outro meio, recebendo um embasamento moral, vou para o céu. Eu creio que, se não tivesse uma reencarnação, estaria se cometendo uma injustiça com o bandido, pois ele não teve culpa de ter nascido naquele meio. De qualquer maneira, mais uma vez devemos lembrar que, se sobra a mente, a reencarnação é viável.


Fátima: Nós podemos traçar um paralelo entre a substância quântica de onde tudo parece ser originar e a idéia que geralmente fazemos de Deus, um ser onipresente, onisciente e onipotente?

Casal Andreeta: Eu acho bastante lógico você relacionar uma coisa com a outra. Deus para o físico é muito mais essa substância quântica que tem todas essas propriedades e características atribuídas pela religião do que um senhor sentado lá em cima e dirigindo o universo. Na verdade, essas perguntas nos levam a um ponto que não podemos alcançar ainda. Se conseguirmos chegar na mente e mostrar que ela cria e domina a matéria, ao que a mecânica quântica já chegou parcialmente, já vai ser um avanço enorme.


Fátima: Curiosamente, religiões como o hinduísmo e o budismo chegaram bem antes da ciência a determinadas "verdades". Como é que isso aconteceu?

Casal Andreeta:

Essas religiões já tinham esse conhecimento, mas sem os detalhes. Elas simplesmente sabiam que era assim. Como nós dissemos anteriormente, Buda já dizia que a mente domina e cria tudo; mas, até onde se sabe, ele não ensinava nenhum detalhe sobre isso.


Fátima: Mas Buda foi buscar essa informação numa determinada fonte. De que maneira ele teve acesso a isso? Como, há cinco mil anos, o hinduísmo já falava em arquivo akáshico e de mundos paralelos, dos quais hoje a física quântica começa a falar?

Casal Andreeta:

Existe uma teoria que mostra como isso é possível: os conhecimentos eram obtidos por "revelação", eles eram revelados aos iniciados. Você só tem acesso a um conhecimento quando tiver certa ética, certo grau de evolução. Não porque exista uma discriminação, mas porque você só recebe isso através de uma freqüência fina. A sua mente só consegue acessar certos conhecimentos através de um fenômeno chamado ressonância.
Imagine o rádio; você só pode sintonizar uma estação, se colocar o aparelho na freqüência daquela estação. Da mesma maneira, você só consegue chegar numa determinada freqüência onde esses conhecimentos estão se adquirir um grau de sutileza tal que é capaz de entrar em harmonia com esse conhecimento. E isso independe da cultura que você tem. Por isso algumas pessoas não têm cultura e têm sabedoria.


Fátima: Quando você fala em entrar em ressonância com o conhecimento, isso quer dizer que ele já existe num nível superior ao humano...

Casal Andreeta:

O conhecimento está todo ai; ele é acessível. O que nós fazemos é simplesmente aceitá-lo e dar-lhe forma matemática compatível com a realidade em que vivemos. Existem pessoas que dizem que o conhecimento de Deus está na Bíblia.

Eu acho que o conhecimento de Deus está em tudo. Na folha de uma árvore, está escrita a história do universo inteiro.


Fátima: Então, você é obrigado a admitir que exista uma inteligência superior ao homem...

Casal Andreeta:

Sim. Vamos dizer que não se admita que exista uma inteligência superior. Então, de onde vem a nossa inteligência? Ela foi criada de onde? Ela pode ter vindo do nada? Ou de algo que não tenha inteligência para lhe transmitir inteligência? Antigamente não existia vida, não havia materiais orgânicos, somente átomos, moléculas, partículas, tudo era inorgânico; e, no inorgânico, não há inteligência, pelo menos não aquela que nós conhecemos. De uma hora para outra, o inorgânico se transformou, criou-se vida e essa vida se tornou inteligência do nada? Pelo menos para mim, isso é ilógico.

Eu acredito que deve existir algo inteligente para que você possa evoluir e você vai adquirindo essa inteligência... Nós temos cerca de 10 (elevado a 28) átomos no nosso corpo físico; a sua organização é tão complexa que é difícil admitir que seja um simples resultado do acaso.


Fátima: No livro que escreveram vocês afirmam que tanto a filosofia antiga, como a matemática e a ciência atual concordam que tudo o que constitui o nosso universo teve a sua origem no nada. Vocês poderiam explicar melhor esse conceito de nada?

Casal Andreeta:

O nada é ausência de matéria. Todas as partículas são criadas nesse vácuo absoluto; é nesse local que se criam matéria e antimatéria. Cada partícula tem o seu par. Na hora em que se juntam essas duas coisas, elas formam a energia original, que deu origem a isso. Na verdade, no vácuo sempre existe energia, que hoje se conhece como energia do vácuo. Nos Estados Unidos foi feita uma experiência que retira a energia do vácuo, do nada. Existe muita energia no nosso nada; não há mais vazio na natureza: ou há matéria ou energia.

Fátima Afonso

Revista Planeta 327

04 junho, 2010

para quem adora Friends


Incrível como os homens ficam mais charmosos com cabelos brancos...Para as mulheres (inclusive as não famosas), aparentar 40 anos ou mais é quase um crime...Já os homens...

Mas que o Matt Leblanc ficou lindo nessa foto (apesar do cigarro) não há quem não concorde...