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18 abril, 2008

Escolha

Ser
mais que estar

Poder
muito mais que querer

Sorrir
se o desejo é chorar

Criar
se o momento é calor

Ouvir
se o ímpeto é fugir

Sofrer
quando o riso parar

Calar
se o momento é ardor

Morrer
quando o amor acabar.

Dor do amor que fica

Dor do amor que
fica

Sinto o corpo pesar
Doença maldita
Desdita impostora
Que meu sangue habita
Que aperta o peito
E que faz ferida
Nada impõe de novo
Simplesmente aflita

Dor que massacra o dia
Atormenta as noites
Nunca despedida
Dor que eriça pêlos
Mata a juventude
Pardo desespero

Dor que desalenta a vida
Que mantêm alerta
Apesar de finda

Dor que me come fria
Que me vê amarga
Que me faz contida

Dor que envolve os seios
Bebe do meu mel e impede a vida
Dor real
Dor sofrida
Dor do
amor que fica

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Solitário

Solitário

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
— Velho caixão a carregar destroços —

Levando apenas na tumbas carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

(Augusto dos Anjos)

Enganos

Cai a face
Lívida
Sob carne disforme.

Enche a concha
Que se fecha
-ostra madura
Aguda dor
Da lembrança viva.

Trépido, foge,
O olhar relutante
Sob riso teimoso,
Tinhoso de fel.

Mente
Sob forma vil
Entorpece a dor
Com pequenas doses
De melancolias...

Rumina
Segredos e mentiras,
Pronto a vomitar
Com ira incontida
Metida na face
Que ousa criar.

Sob medo iminente
Cria riso indolente
Pronto a machucar.

E segue, não sabe
Se ao fim ou começo
Pois já não importa
Ambos são um
Qualquer
Ou nenhum.

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Arthur Rimbaud

Não adianta, não consigo ter foco...tenho milhares de livros pra ler-ainda minha monografia-mas parei para reler Rimbaud...

L' étoile a pleuré rose au coeur de tes oreilles,
L' infini roulé blanc de ta nuque à tes reins
La mer a perlé rousse à tes mammes vermeilles
Et l' Homme saigné noir à ton flanc souverains.

A estrela chorou rósea em tuas orelhas,
O infinito rolou branco de tua nuca aos rins,
O mar perolou roxo em tuas mamas vermelhas
E o Homem sangrou negro em teus flancos senis.


Ela foi encontrada!
Quem?
A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.
Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...
— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.
Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.
Ela foi encontrada!
Quem?
A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Tem dias que a gente se sente...

Roda-viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Cecilia Meireles

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Aniversário do meu filho

Não quero nem pensar em ler o que escrevi sobre este dia nos últimos dois anos (tempo de vida deste blog).

Não posso ficar olhando fotos, não posso lembrar da voz, não posso entrar no quarto sem sentir um vazio, tudo o que eu tenho feito é fugir da lembrança,pois a pessoa que mais amo no mundo não está perto de mim...tudo isso, nos dias normais, eu até tento, mas hoje não, hoje é diferente.

Há 16 anos, nesta hora, eu me tornei mãe. Ainda dopada pela anestesia, procurei meu filho. Tinha passado todo o período de parto nervosa, minha gravidez não foi das mais tranquilas e, mesmo contrariando o que os exames diziam, eu achava que algo poderia ter acontecido com ele. Não, não tinha. Ao contrário, um menino saudável nascia naquele 02 de maio, me tornando uma mãe orgulhosa e pronta a fazer tudo para que ele fosse uma criança feliz.

Hoje, não sei se ele está feliz, mas tenho a sensação que sim. E espero realmente que esteja. Amor de mãe é assim mesmo, incondicional. Único.

Minha tristeza é que, nestes 16 anos, nunca fiquei longe dele tanto tempo, muito menos no seu aniversário. De filho ele passou a amigo e companheiro, e é duro ter que abrir mão de tudo isso. Minha tristeza hoje é incondicional, assim como meu amor.

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Contras

Sabe-se, não sei
se foi, se vem
não fui, não vem
em mim, em ti
no caos, no amor
volúpia, paixão
saudade,enfim não

O olhar que não diz
Contradiz
o que a boca fala

O corpo que sente
não mente
o que quer dizer

Corpo ou alma?
Olhos ou boca?
Em que acreditar?

No nada?
No nunca?
Talvez

Tardio

A boca que cala,
grita
o som que abafa,
fica
o amor escondido,
surge
a paixão enterrada,
torna

a boca que cala
não cala
não grita
não fala
incita
real
vivida
desejo
querer
romper
crescer

e agora, o que?
Viva!

O não e o talvez

A palavra que salva
é a mesma que entristece
a boca doce de beijos quentes
agora destila raiva e dor

O sim e o não
o sim e o talvez
O nunca
Mais uma vez
Desfeito coracao

Tristeza
Decepcao
No mais, o nao
O nunca
Desilsao

Prosa

Brilha-me

A lua, encoberta pelas nuvens, mostrava seu brilho cintilante, mas ninguém via. Apesar disso, ela continuava brilhando, mesmo sabendo que sua luz, aquela luz irradiada que vinha até nossos olhos, era uma luz doada. Mesmo ignorada (já que em noites chuvosas ninguém a procurava) ela permanecia com seu brilho impávido. Brilho nato ou não, quando vista era sempre motivo de espanto e admiração, cantada em versos e usada como metáfora para corações apaixonados.

Continuava brilhando...desde sempre e para sempre, com suas várias fas(c)es e seus brilhos vários. Aos olhos de quem a via, permanecia como algo subjetivo, mesmo diante da certeza de que alguém já tinha pisado em seu chão. Mas, aqueles homens que a pisaram (ou não, já que a gravidade os impedia) não puderam ver seu brilho. Estavam ali e não viam. Só quem podia vê-lo eram os olhos distantes de quem olhou para o céu naquela noite ilustre. Mesmo não podendo vê-lo, o brilho era o mesmo. Repetido todas as noites, com nuvens ou não.

Diante da não originalidade de seu brilho, já que o temos todos os dias, como é possível, então, manter-se fascinado diante de sua beleza? Como ainda são compostos poemas embaixo de suas luzes se descobrimos que o brilho só acontece pelo distanciamento do objeto? Como ainda se surpreender com sua grandiosidade dourada nos inícios das noites se sabemos que ela só existe pelo distanciamento mesmo do objeto adorado?

Apesar da racionalização, seu brilho continua ali, e basta olharmos para o céu e nossa razão é superada pela bela sensação provocada por seu brilho, principalmente se este se dá em límpidas e calmas águas.

Eis a grande vantagem de poder, ao menos algumas vezes, desinteressar-se da razão em prol da emoção. Eis a vantagem de podermos ver, ainda que à distância, que não importa do que ela é feita ou qual sua utilidade. A mim me bastam seu brilho e o contentamento que ele me dá. E a certeza de que, mesmo encoberta, ela sempre estará lá. Brilhando. Brilhando-me.

O Decálogo de Bertrand Russell

Decálogo

Russell propôs um "código de conduta" liberal baseado em 10 princípios, à maneira do decálogo cristão. "Não para substituir o antigo", diz Russell em sua autobiografia, "mas para complementá-lo". ( Eu substituiria os 10 mandamentos cristãos, mas não tenho como fazê-lo e não seria necessário, uma vez que ninguém o leva à sério mesmo)

Os dez princípios são:

"1. Não tenha certeza absoluta de nada.
2. Não considere que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
3. Nunca tente desencorajar o pensamento, pois com certeza você terá sucesso.
4. Quando você encontrar oposição, mesmo que seja de seu marido ou de suas crianças, esforce-se para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
6. Não use o poder para suprimir opiniões que considere perniciosas, pois as opiniões irão suprimir você.
7. Não tenha medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentar escondê-la.
10. Não tenha inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso."


Eu sabia que eu não era a única louca a acreditar em certas coisas...

Vi Tropa de Elite.
Teria muitas coisas a dizer sobre o filme mas não teria tempo, então a questão que fica é:

-Se o tráfico é o responsável pela morte de milhares de pessoas, se banca a polícia corrupta, se a polícia não-corrupta não consegue dar conta do desarmamento, se não adianta falar para os playboys que fumam e cheiram que eles são os culpados, porque eles não vão parar, então por que cargas d´'agua não liberam logo, taxam o que deve ser taxado e acabam com isso? Por que quem usa droga não vai parar de usar, quem não usa pode até começar mas no final das contas quem quer fumar cigarro fuma, quem quer beber bebe, e a liberdade de cada um é que deve ditar sua conduta, não uma pseudo-moralidade cristã que não resolve nada e só aumenta o número de mortos. E vão faze campanha pra quem ainda não usa continuar não usando, como a campanha contra o cigarro. É hipocrisia demais. E quem paga o preço somos nós.

Teria muito ainda a dizer, mas fica aqui aberta a discussão.

Do Livro dos prazeres, de Clarice

...De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulissses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano". Clarice

Alguém disse que a mania das pessoas de se referir aos autores pelo primeiro nome (ou o mais conhecido), como se fossem íntimos, é uma besteira de pseudo-intelectuais.

Eu continuo me referindo à Lygia, à Clarice, ao Pessoa, ao Vinícius, ao Chico, ao Drummond, à Florbela e a tantos outros assim, simplesmente pelo fato de eles me serem íntimos, por participarem intimamente da minha vida, por estarem comigo sentados no sofá enquanto meu cachorro dorme aos meus pés, por deitarem na minha cama macia de lençóis brancos e ao meu lado adormecerem, por me fitarem às vezes na distância da estante nos momentos em que não posso estar com eles, por entenderem que às vezes as lágrimas que derramo não são só de tristeza, mas de raiva, de amargura, de alegria ou de saudade...

O que me importa o que dizem as pessoas? Nada e tudo. Nada aquelas que acham que falar de Chico é dizer que a letra dele é boa mas que ele canta mal, que a Bethania não tem nada "dela", que o Vinícius foi um reacionário...Tudo, aquelas pessoas que compartilham comigo a vontade de ter, intimamente, a presença de suas poesias, mesmo que não corroborem de suas idéias...

Mas você não sabe o que é isso

Mas você não sabe o que é isso

Às vezes as palavras simplesmente saem da boca sem que a gente perceba
E machucam quem está ao nosso lado pelo simples fato da proximidade
No trajeto louco das letras a gente se da conta de sua estupidez
Mas simplesmente continua vomitando ódio que não é ódio, reflexo do amor

Muitas vezes o grito chama a atenção para algo diferente do dito
Como rio que transborda, as palavras não conseguem ser contidas
Apesar de ser absurdamente necessário conte-las
Ao invés disso, o que surge é o contra-ataque óbvio, porém maldoso
Pois quem não está bem deve ser contido por quem está
Mas você não sabe o que é isso

O tapa é sempre mais doloroso para os mais suscetíveis, e sua marca permanece
E, ao contrário da superficial verborragia que tudo inicia, sob gritos e delírios
A palavra pensada e dita é a que mais magoa, pois não surge da raiva
Surge da contemplação, e como seta afunda-se num corpo vazio de sentido
Mas você não sabe o que é isso

Das consequências do pseudo-dono-do-mundo-Bush

Saque no Iraque

Roubos sob encomenda

Para a arqueóloga Eleanor Robson, da Escola Britânica de Arqueologia no Iraque (Universidade de Oxford), a pilhagem do museu é um dos maiores crimes contra o patrimônio cultural da história."Estou tentando pensar em desastres comparáveis a esse. Vêm à cabeça a destruição da biblioteca de Alexandria, no século 5º, e a de Bagdá pelos mongóis, em 1258. Em ambas as ocasiões, o conhecimento da humanidade foi destruído substancialmente."Robson diz que de 70% a 90% das mais de 250 mil peças do museu foram destruídas ou roubadas. Entre as que sumiram está um vaso de 2 m de altura da cidade suméria de Uruk e a harpa de ouro de Ur, assim como alguns dos primeiros registros escritos.Segundo Robson, algumas já começaram a aparecer na Europa. Outras nunca mais deverão ser vistas. "Foram roubadas sob encomenda e vão direto para uma coleção privada."Mas os itens mais preciosos destruídos são mesmo os arquivos de computador do museu. Sem eles, será virtualmente impossível para a Unesco fazer um inventário do que foi perdido."Havia documentos e objetos não estudados pela ciência naquele museu, sobre os quais nunca saberemos", disse Robson,

Mas quem é você?

Quem sou eu?
Quem você vê?
Como saber as semelhanças
e diferenças
entre o que sou
e o que você vê?
O que sou te incomoda?
Quem você vê me maltrata
Até onde? Até quando?
Para que tardias desculpas
falsas e efêmeras?
Para que sinceridade no óbvio
na tolice
e tão pouca
no fundamental?
Para que
fingir não ser
o que se é?
Para agradar?Se agradar?
Ou simplesmente
ser o que não é
E não notar, não mudar
só teimar
Sem razão, sem emoção
Sem por quê...

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