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04 julho, 2010

sobre bandidos e presos políticos (ou ainda sobre a polêmica Dilma e a prisão)

Bandido é uma coisa. Preso político é outra. Não quer dizer que presos políticos não possam ser bandidos, alguns até podem, mas não acredito ser a maioria. E com certeza não é o caso de Dilma.

Digo mais uma vez: Você pode escolher não votar na Dilma por outras questões, mas usar seu período presa para isso é burrice.(prontofalei)

Meu "quirido" Israel mandou essa excelente reportagem sobre a prisão de Dilma:


A torre das donzelas

Como era a vida de Dilma Rousseff na masmorra que abrigava presas políticas durante o regime militar no presídio Tiradentes

Luiza Villaméa e Claudio Dantas Sequeira

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MARCO
Portal tombado pelo patrimônio histórico é o que restou do presídio

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Durante quase três anos, Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, morou na Torre das Donzelas. A construção colonial não pertencia a nenhum palácio. Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre, Dilma e suas companheiras atravessavam um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas corrós, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas.

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COMPANHEIRAS DE CADEIA
Dilma, Eleonora, Guiomar, Rose e Cida na época em que foram presas

“Terrorista! Linda! O que você está fazendo aqui?”, gritavam as corrós ao verem passar uma nova presa política. Depois do corredor, havia um pequeno pátio. Em seguida, vinha a Torre. Dilma atravessou o corredor das corrós em fevereiro de 1970, aos 23 anos, após mais de 20 dias nos porões da repressão política. “Ela chegou fragilizada pela tortura, mas logo se recuperou”, lembra a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, que passara pelo mesmo processo três meses antes.

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O presídio Tiradentes, onde Dilma esteve presa, já havia sido usado para encarcerar
os estudantes detidos no Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968.
Na era Vargas também abrigara presos políticos, entre eles o escritor Monteiro Lobato

Ao entrar pela primeira vez na Torre, Dilma viu as celas pequenas do térreo e duas escadarias laterais que saíam de uma espécie de hall e se encontravam no piso superior. Nesse andar, havia a cela 4, chamada de celão, pois se espalhava por 80 metros quadrados. Tinha também a cela 5, mais tarde adaptada como cozinha, e a 6, que Dilma dividiu com outras mulheres. “No começo, ficávamos na tranca o tempo todo”, conta a advogada Maria Aparecida Costa, a Cida Costa, 65 anos, uma das ocupantes da cela 6. Depois de algumas semanas e muitas reivindicações, as celas passaram a ficar abertas durante o dia.

Não demorou para que as donzelas da Torre se agrupassem, primeiro com base nas organizações clandestinas às quais pertenciam no “mundão”. Porque a Torre, no vocabulário das presas, era o “mundinho”. Mas as afinidades pessoais também contavam muito, como relata a médica e pesquisadora Guiomar Silva Lopes, 66 anos. “No mundão, o vínculo era de vida e morte”, diz Guiomar. “Na cadeia, estabelecemos uma relação de confiança inabalável.” Dilma é até hoje lembrada pelo espírito solidário. Durante um período, cuidou de uma estudante de arquitetura. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente”, afirma a advogada Rita Sipahi, 72 anos. “A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.”

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Com a possibilidade de circular entre as celas, as presas políticas tentavam curar as feridas umas das outras e também se organizavam. Havia escala para as tarefas da limpeza e da cozinha. Com os víveres levados pelas famílias, elas preparavam as próprias refeições. Algumas conseguiam bons resultados, embora só contassem com dois fogareiros elétricos. Outras, nem tanto. A dupla mais desastrada na cozinha era formada por Dilma e Cida. “Não dominávamos a arte do tempero”, reconhece Cida. Numa ocasião, as duas resolveram caprichar no preparo de um prato de legumes. Acabaram servindo uma sopa de quiabo intragável. “Ficamos um pouco frustradas com o resultado, pois havíamos nos esforçado.”

Dilma se sobressaía nos grupos de estudo. “Ela é muito engenhosa na macroeconomia”, elogia outra companheira da Torre, a economista Diva Burnier, 63 anos. Na cadeia, Dilma, que abandonara a faculdade por causa da clandestinidade, dava aulas de economia para as colegas e participava dos debates. Num deles, defendeu a ampliação dos limites marítimos do Brasil. “Embora fosse uma iniciativa dos militares, Dilma apoiava, pois acreditava ser uma questão de soberania”, recorda Rose. “Hoje é fácil perceber a importância daquela decisão, tanto por causa da biodiversidade como pelo pré-sal.”

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Diante do Tiradentes, mães de estudantes fazem protesto contra a prisão de seus filhos. As mães das “donzelas da Torre” chegavam para as visitas nas tardes de sábado. Era o contato delas com o “mundão”

Aos 82 anos, a advogada Therezinha Zerbini, mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, também recorda de Dilma com admiração. Presa na Torre durante o ano de 1970, Therezinha se destacava tanto pela origem quanto por ser uma senhora entre a população carcerária extremamente jovem. “As amigas dela me chamavam de ‘burguesona’ e ela me defendeu. Ela tinha uma liderança nata”, diz Therezinha. Quando precisava, Dilma endurecia. No final do ano, Therezinha estava bordando o vestido que a filha usaria no Réveillon quando um grupo de militares a procurou. “Acho que queriam me convencer a entrar num programa de arrependidos”, diz, referindo-se aos presos que foram à tevê renegar a opção pela resistência ao regime. “Não quis atendê-los. Eles voltaram mais tarde e, quando eu estava mandando-os ir embora, a Dilma gritou: ‘Dá duro neles, Therezinha. Se precisar, nós colocamos todos para fora’ .”

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Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Como várias companheiras de cadeia, Dilma passou pelo inferno e pelo purgatório antes de chegar à Torre.

Por conta das sevícias, sofreu uma disfunção hormonal que levou anos para ser curada. Não perdeu, porém, o gosto pela vida. Com Cida, passava horas lendo os livros de ficção científica. Quando o rodízio do único aparelho de tevê da Torre caía em sua cela, entrava na madrugada vendo os filmes da sessão “Varig, a dona da noite”. Aprendeu até a bordar. “Ela fez uma tapeçaria com flores coloridas, que colocamos na parede”, lembra Rose. Na Copa do Mundo de 1970, acompanhou os jogos de perto. “A Dilma torceu muito pela Seleção Brasileira”, diz a socióloga Rosalba de Almeida Moledo, 66 anos.

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Criado em 1852, o presídio Tiradentes recebeu no começo escravos recapturados.
A Torre das Donzelas, onde ficaram Dilma e suas companheiras, é a construção redonda ao centro. Todo o complexo foi demolido a partir de 1973, durante a construção do metrô

No período em que o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu companheiro, permaneceu encarcerado no Tiradentes, Dilma se comunicava com ele com a ajuda dos presos comuns. A rota usada por ela e outras presas políticas consistia em baixar mensagens por meio de uma corda artesanal, chamada “teresa”, para a carceragem dos “comuns”, que ficava embaixo da Torre. “De cela em cela, as mensagens chegavam ao destinatário, na ala dos presos políticos”, comenta Guiomar. “O recurso também era fundamental para sabermos o que estava acontecendo lá fora.”

Outro canal com o “mundão” eram as visitas, nas tardes de sábado, a maioria proveniente da capital paulista. “Nossas famílias, de Belo Horizonte, não conseguiam viajar com tanta frequência”, diz a pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Eleonora Menicucci de Oliveira, 66 anos. “De qualquer forma, a mãe da Dilma e o irmão dela conseguiam vir bastante. Era uma alegria.” Para a mãe e as irmãs de Eleonora, viajar era mais complicado. Elas cuidavam de Maria, a filha de Eleonora, que tinha apenas um ano e dez meses quando a mãe foi presa.

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Conhecidas desde os tempos em que estudavam em Belo Horizonte, Dilma e Eleonora comemoravam com as meninas da Torre o Natal, o Réveillon e o Carnaval. As fantasias eram improvisadas, é claro, mas havia até desfile no “celão”. No caso de Dilma, as estratégias para manter o moral elevado atrás das grades também passava pelo humor. “Ela pôs apelido em todas nós”, conta Rita. “Uma era a Ervilha, outra a Moló, porque tinha jogado um coquetel-molotov em uma ação.” Essa faceta pouco conhecida de Dilma é ressaltada por outras entrevistadas. “Ela tem um humor impagável”, garante Eleonora. Quando a hoje presidenciável deixou a Torre, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”. Quase 40 anos depois, tudo o que sobrou do presídio foi o portal de pedra, tombado como patrimônio histórico. No final de 1972, a construção de 1852 começou a ser demolida, para a construção do metrô paulistano.

03 julho, 2010

sobre o que eu faço para melhorar, além de reclamar

Este é um espaço para eu reclamar. Basicamente é isso.

Pouca gente gosta de quem reclama, e eu pago o preço por isso. As pessoas que realmente (me) importam continuam gostando de mim assim mesmo! :)

As outras, não, elas acham muito chato ficar ouvindo minhas reclamações. E deve ser mesmo, é difícil a gente gostar de ficar ouvindo críticas o tempo todo, eu inclusive tem hora que paro, não quero falar, nem quero ouvir (E com o Mano por perto, isso é difícil, ele, como eu, acredita que temos que ter consciência da realidade). Mas o difícil às vezes é necessário. Ou sempre.

Hoje estou particularmente mais crítica. Depois da derrota na Copa, ontem, é o que mais tenho feito, principalmente no twitter (que é meu lugar oficial de reclamar em apenas 140 caracteres). E minha amiga Babita, que esta com TPM, também faz isso. Pãosada neles! (piada interna, depois explico)

Aí um amigo querido me perguntou o que de fato eu faço para mudar isso, todo mundo tende a achar que a gente só reclama mas não faz nada. Eu comecei a escrever, sem medir as palavras, e acho que fui um tanto quanto grosseira. Não foi por querer, eu apenas falo o que penso, e quando me empolgo é OSSO!

Segue minha resposta a ele, tentativa de síntese em 140 caracteres multiplicado por vários posts...:

Tenho feito algumas coisas. Mudar de emprego, abandonar todo o dinheiro que tinha pra virar professora lisa é uma delas, não consumir certas coisas,cobrar das pessoas proximas que nao consumam,escrever sobre isso, esclarecer alguns jovens, criar e divulgar listas com dicas de onde reclamar sobre cada uma das coisas que vemos e não temos pra quem falar, enviar milhares de e-mails para senadores, deputados, líderes em geral, criticando e/ou sugerindo, usando meu tempo e conhecimento para dar aos que não tiveram oportunidade de conhecer a realidade por trás das cortinas de ver o que está errado,e incentivar as pessoas a reclamar, sempre,muito! Sempre vou passar por chata por reclamar do que está errado. Posso não mudar o mundo mas o mundo não vai me fazer ser igual à maioria que critica mas consome, que critica mas na hora "h" muda o discurso. Eu não. Pode não ser muito,meu caro amigo,mas imagino que seja o começo. Ainda tenho muito pela frente, e vou continuar na luta. Sempre.


02 julho, 2010

sobre a hybris e a Rede Globo

Hybris é um termo grego que significa o desafio, o crime do excesso e do ultraje. Traduz-se num comportamento de provocação aos deuses e à ordem estabelecida.

A hybris revela um sentimento de arrogância, de soberba e de orgulho, que leva os heróis da tragédia à insubmissão e à violação das leis dos deuses, da pólis (cidade), da família ou da natureza.

O conflito que nasce da hybris desenvolve-se através da peripécia (súbita alteração dos acontecimentos que modifica a acção e conduz ao desfecho), do reconhecimento (agnórise) imprevisto que provoca a catástrofe. O desencadear da acção dá-nos conta do sofrimento (páthos) que se intensifica (clímax) e conduz ao desenlace. O sofrimento age sobre os espectadores, através dos sentimentos de terror e de piedade, para purificar as paixões (catarse).

Na obra Felizmente Há Luar!, de Sttau Monteiro, a defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Como consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (pathos) das personagens e despertará a compaixão do espectador.

O crescendo trágico, representado pelas diversas tentativas desesperadas para obter o perdão, acabará, em clímax, com a execução pública do General Gomes Freire e dos restantes presos. Este desfecho trágico conduz a uma reflexão purificadora (cathársis) que os opressores pretendiam dissuasora, mas que despertou os oprimidos para os valores da liberdade e da justiça.

E, no meu entender, não foi
(só)
o Dunga o ser que se deixou levar pela Hybris. Ele somente reagiu à hybris do torcedor brasileiro que, instigado pela Rede Globo por motivos outros, não consegue entender que um técnico da seleção nunca vai ter as bençãos de todos (ainda bem!). O Brasil foi quase medíocre em 94 e 2002 mas trouxe a taça, parece que somente isto basta. Eu prefiro um time como o de 82, que deu show mas não venceu, que os timinhos brasileiros dos últimos tempos.

E é patética a tentativa do Galvão e os seus de não criticar o Dunga diretamente, mas ficar jogando suas críticas no ar pra que as pessoas percebam.



sobre a eleição de 2010 e a Carta Capital

A imprensa brasileira tenta ser neutra, mas todos sabemos que não é. Eu realmente pretendia me eximir de dar opinião sobre as eleições pois realmente acho que a política, da maneira como está, não vai resolver os problemas de fato, no máximo amenizá-los, e isso é muito pouco e injusto.

Mas, como tenho recebido vários e-mails dizendo que a Dilma é uma terrorista, que pegou em armas contra inocentes, etc, decidi falar um pouco sobre isso, e o fiz há algum tempo, aqui no blog.

Hoje, felizmente, uma parte da mídia que entende que não dá pra ser neutra se todos os outros meios com maior abrangência não o são, resolveu tocar nesse ponto. Duvido que alguém use esse texto e o mande por e-mail como os outros fizeram, e eu não tenho como fazer isso, mas coloco aqui o texto que fala a respeito:

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POLÍTICA
Por que apoiamos Dilma?
02/07/2010 09:58:00
Mino Carta

Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor
Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A
verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e,portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a
oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a
personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.
E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de
binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo.

Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a
retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as
circunstâncias o permitissem. Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo.

E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar. Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano
que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio...

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada. E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas.

Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

sobre as minhas primeiras publicações

Vou ser escritora!


Essa foi minha primeira determinação de infância. Meu sonho era ter uma escrivaninha (vulgo birô, aqui em Fortaleza) e uma enciclopédia Barsa. Assistia àqueles filmes onde os escritores ficavam em casas isoladas, com suas escrivaninhas próximas à janela com uma bela vista e sem ninguém por perto, apenas a máquina de escrever e as ideias.


Provavelmente decidi isso lá pelos 7 anos, dentro da biblioteca do meu bairro, em São Paulo, depois de ler Lewis Carrol e sua Alice, Perrault e “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela Adormecida”, “O Barba Azul”, “O Gato de Botas”, “Pequeno Polegar”, os Irmãos Grimm e “A gata borralheira” (que virou peça em que eu fiz uma das irmãs más, aos 9 anos de idade, e que se chamava " A verdadeira história da gata borralheira como aconteceu no Brasil, onde ela fugia em um fuscão preetoo!!) “Branca de Neve”, “Os Músicos de Bremen”, “João e Maria”, os Andersen: “O Patinho Feio” e Charles Dickens: “Oliver Twist”, “David Copperfield”, e claro,La Fontaine: “O Lobo e o Cordeiro” e Esopo: “A lebre e a tartaruga”, “O lobo e a cegonha”, “O leão apaixonado”. Robinson Crusoé, os livros dos heróis, os livros sobre mitos gregos...enfim, tive uma infância rodeada de belos livros.

Lembro que li uma série chamada Henriqueta, a espiã (Louise Fitzhugh) e decidi que seria espiã. Espiã E escritora, imaginei que sendo espiã teria histórias fantásticas para escrever! (e foi em um livro dela que percebi que precisava de um dicionário, não sabia o que era uma clarabóia).Pollyanna de Eleanor H. Porter e seu jogo do contente (nunca me esqueci que, quando perguntada se existia algo de bom em uma segunda-feira, ele pensou muito e disse: Já sei! Faltam sete dias para outra segunda-feira!) e Heidi e sua dolorosa vida de menina órfã da Suíçaescrita pela suíça Johanna Spyri (que virou filme e desenho infantil) me fizeram ver que o sofrimento pode fazer as pessoas melhores...

Obviamente que os brasileiros me influenciaram muito, principalmente Monteiro Lobato, Pedro Bloch (Pai, me compra um amigo, é até hoje um dos meus livros mais lembrados desse período), Ana Maria Machado e, claro, todos os livros da Editora vaga-lume!

Sem imaginar que poderia um dia fazer faculdade, sonhei em ser jornalista para poder escrever (achei que não precisava fazer curso para isso, bastava levar as péginas datilografadas até algum lugar). Com 12 anos de idade ganhei minha Leterra 82, minha máquina que ainda hoje está comigo, em lugar de destaque, na estante. Peguei folhas de sulfite, dobrei-as ao meio, cortei-as e, como quem está num filme, coloquei cada metade na máquina na minha frente. E ali, em pouco tempo, escrevi meu primeiro livro! Terminada a obra, juntei as páginas e as costurei com linha e agulha. Lembro que a história tinha uma livre influência do livro A serra dos dois meninos, da vaga-lume. E, um dia, na limpeza da casa, minha mãe achou que não tinha lugar para guardar papel velho e jogou fora...


Hoje, quase 30 anos depois, estou com duas revistas com minhas primeiras publicações impressas (já tenho textos publicados em mídia eletrônica). Não sou jornalista, achei que para poder escrever bem deveria ir ao fundo das questões e decidi fazer Filosofia. Ainda sonho com minha escrivaninha em frente a um belo lago e a calma para poder criar, mas por enquanto a criação se dá em uma mesinha feita com um pedaço de madeira, sem acabamento, em frente a uma parede bege de um quarto pequeno. Mas a alegria é a mesma diante dos primeiros frutos daquela árvore que foi plantada na minha infância, dentro da biblioteca pública da Vila Maria.

Os endereços eletrônicos das revistas:


http://www.filosofia.ufc.br/argumentos/


http://vidaeducacao.com.br/










25 junho, 2010

ainda sobre o perrenge DungaXGlobo

Exatamente o que eu gostaria de dizer sobre essa patética tentativa da Globo de se colocar acima do Dunga mas não tive tempo de escrever:

Se não quiser ler tudo, leia ao menos a última parte: Final de uma era:


Jornal de Debates
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DUNGA vs. GLOBO
O fim do besteirol esportivo

Por Leandro Fortes em 24/6/2010

Reproduzido do blog do autor, 24/6/2010; título original "A nova Era Dunga: o fim do besteirol esportivo"

Foi na Copa do Mundo de 1986, no México, com Fernando Vanucci, então apresentador da TV Globo, que a cobertura esportiva brasileira abandonou qualquer traço de jornalismo para se transformar num evento circense, onde a palhaçada, o clichê e o trocadilho infame substituíram a informação – ou pelo menos a tornaram um elemento periférico.

Vanucci, simpático e bonachão, criou um mote ("Alô, você!") para tornar leve e informal a comunicação nos programas esportivos da Globo, mas acabou por contaminar, involuntariamente, todas as gerações seguintes de jornalistas com a falsa percepção de que a reportagem esportiva é, basicamente, um encadeamento de gracinhas televisivas a serem adaptadas às demais linguagens jornalísticas, a partir do pressuposto de que o consumidor de informações de esporte é, basicamente, um retardado mental.

Por diversas razões, Vanucci deixou a Globo, mas a Globo nunca mais abandonou o estilo unidunitê-salamê-minguê nas suas coberturas esportivas, povoadas por sorridentes repórteres de camisa pólo colorida. Aliás, para ser justo, não só a Globo. Todas as demais emissoras adotaram o mesmo estilo, com igual ou menor competência, dali para frente.

Musa da Copa

Passados quase 25 anos, o estilo burlesco de se cobrir esporte no Brasil passou a ser uma regra, quando não uma doutrina, apoiado na tese de que, ao contrário das demais áreas de interesse humano, esporte é apenas uma brincadeira, no fim das contas. Pode ser, quando se fala de handebol, tênis de mesa e salto ornamental, mas não de futebol.

O futebol, dentro e fora do país, mobiliza imensos contingentes populacionais e está baseado num fluxo de negócios que envolve, no todo, bilhões de reais. Ao lado de seu caráter lúdico, caminha uma identidade cultural que, no nosso caso, confunde-se com a própria identidade nacional, a ponto de somente ele, o futebol, em tempos de Copa, conseguir agregar à sociedade brasileira um genuíno caráter patriótico. Basta ver os carros cobertos de bandeiras no capô e de bandeirolas nas janelas. É o momento em que mesmos os ricos, sempre tão envergonhados dos maus modos da brasilidade, passam a ostentar em seus carrões importados e caminhonetes motor 10.0 esse orgulho verde-e-amarelo de ocasião. Não é pouca coisa, portanto.

Na Copa de 2006, na Alemanha, essa encenação jornalística chegou ao ápice com a idolatria forçada em torno da seleção brasileira pentacampeã do mundo, então comandada pelo gentil Carlos Alberto Parreira. Naquela Copa, a dominação da TV Globo sobre o evento e o time chegou ao paroxismo. A área de concentração da seleção tornou-se uma espécie de playground particular dos serelepes repórteres globais, lá comandados pela esfuziante Fátima Bernardes, a produzir pequenos reality shows de dentro do ônibus do escrete canarinho. Na época, os repórteres da Globo eram obrigados a entrar ao vivo com um sorriso hiperplastificado no rosto, com o qual ficavam paralisados na tela, como em uma overdose de botox, durante aqueles segundos infindáveis de atraso de sinal que separam as transmissões intercontinentais. Quatro anos antes, Fátima Bernardes havia conquistado espaço semelhante na bem sucedida seleção de Felipão. Sob os olhos fraternais do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi eleita a musa dos jogadores, na Copa de 2002, no Japão. Dentro do ônibus da seleção. Alguém se lembra disso? Eu e a Globo lembramos: estáaqui.

Fim de uma era

O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado.

Esse estado de coisas, ao invés de se tornar um aprendizado, gerou uma reação rançosa e desproporcional, bem ao estilo dos meninos mimados que só jogam porque são donos da bola. Assim, o sorriso plástico dos repórteres e apresentadores se transformou em carranca e, as gracinhas, em um patético editorial.

Dunga será demitido da seleção, vença ou perca o mundial. Os interesses comerciais da TV Globo e da CBF estão, é claro, muito acima de sua rabugice fronteiriça e de sua saudável disposição de não se submeter à vontade de jornalistas acostumados a abrir caminho com um crachá na mão. Mas poderá nos deixar de herança o fim de uma era medíocre da crônica esportiva, agora defrontada com um fenômeno com o qual ela pensava não mais ter que se debater: o jornalismo.

24 junho, 2010

As coisas são bonitas nos olhos de quem acha


A divulgação do vídeo que nossa querida amiga Juw fez...Na Mostra Olhar do Ceará, no Dragão, domingo!

sobre a boca e o novo acordo ortográfico


É um contrassenso. Agora se escreve assim.

Gosto da palavra contrassenso. Segundo o Aurélio: con.tras.sen.so. Substantivo masculino. Dito ou ato contrário ao bom senso. Gosto porque a uso quando vejo coisas absurdas por ai, e não são poucas vezes.

Uso muito essa palavra. Mas ela ficou tão feia assim! Não gosto muito de palavras feias de ler ou feias de falar. "Boca", por exemplo, é bonita de ver e mais ainda de falar..."boca", parece uma pequena explosão entre o "ó" e o "ca", sem contar seu teor sensual, é uma palavra sensual.

Contrassenso é bom de falar, mas feio de ver, parece palavra que não existe, a gente fica na dúvida se é assim mesmo que se escreve...Ah, gosto das palavras simples, "boca", por exemplo, é simples, e é linda...tenho pensando nessa palavra nos últimos dias..."boooca"...a gente tem que fazer um biquinho pra falar, dependendo do local e do teor alcoólico isso pode ser explosivo...é, sem dúvida, a simplicidade pode ser extremamente sexy. E sexy também é uma palavra bonita de ver e de falar...sexy...

20 junho, 2010

sobre as vantagens de usar o Twitter

Muita gente me pergunta o motivo pelo qual eu uso o twitter, já que tenho tão pouco tempo. Talvez exatamente por isso ele seja interessante no meu caso. Como não tenho tempo para ficar procurando coisas interessantes na net, eu sigo amigos interessantes que tenho e que disponibilizam os links do que vale a pena ser lido/visto/enviado. Thanks Babita e Val por esse texto que diz exatamente o que penso sobre a Veja.

sobre Cala bocas e Saramagos

sáBADO, 19 DE JUNHO DE 2010Copa 2010 | 17:03

A ERA DO GRUNHIDO

O Brasil tem uma revista semanal, “Veja”, que se considera a maior do país. Deve até ser mesmo, sei lá quais são os critérios, não sei quantos leitores tem, quanto fatura, não me interessa. Deixei de assinar essa porcaria anos atrás, já não me lembro se por algum motivo específico, ou se foi, apenas, porque um dia peguei na porta de casa e me espantei: eu ainda gasto dinheiro com esta merda?

Tal revista perdeu a relevância, para estabelecer um marco, depois da queda de Collor de Mello. Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram. Hoje, a “Veja” é reduto de uns caras chiliquentos como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. “Ah, você não lê, como sabe?”, vai perguntar alguém.

Eu de tudo sei, tudo conheço. Piadinha interna.

Mas não quero falar aqui dessas figuras ridículas que acham que escrevem bem e que se julgam parte de algum grupo de pensadores contemporâneos, já que são cheios de fazer citações by Wikipedia e com elas impressionam seus leitores babacas. O que escrevem e dizem, para não ofender demais, repercute entre eles três e seus leitores babacas, todos compartilhados. Eles detestam o Lula e o PT, e é tudo que conseguem exprimir com sua verborragia enjoativa e padronizada. Mas dali não sai, suas opiniões e ataques histéricos contra o que chamam de esquerda brasileira não têm importância alguma, não produzem eco algum.

Só que a capa da “Veja”, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo “li na ‘Veja’”, e tal. São os “formadores de opinião”. Uau.

E aí aparece aqui na minha frente, no estúdio da rádio, a ”Veja” que foi hoje às bancas. Na capa, “CALA BOCA GALVÃO”, uma foto do narrador da Globo, e está dada a senha para uma pretensa reportagem séria de sete páginas, um “box” e três gráficos sobre o poder do Twitter, motivada por uma bobagem infanto-juvenil que nem os “tuiteiros” levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa. Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir um uma “hashtag” de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.

Ontem morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas. Diz a legenda: “ESTILO E EQUÍVOCO”, reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu.

Alguém ser comunista e ateu, para a “Veja”, é algo mais condenável do que estuprar a mãe no tanque. “Ao lado da criação literária, manteve-se sempre ativo, e equivocado, na política”, diz o texto pastoso, que nem assinado foi. Uma pobreza jornalística inacreditável. “Nos países cujos regimes ele defendia, nenhum escritor que ousou discordar teve o luxo de uma morte tranquila”, encerra o autor. Como é que alguém pode escrever uma merda desse tamanho? Será que essa gente não tem vergonha do que coloca no papel?

Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago, capaz de obras-primas da literatura universal como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “Memorial do Convento”, “Caim”, “Jangada de Pedra”, mereceram da “Veja” meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas.

O que mais me atormenta, quando vejo essas coisas, é saber que graças a decisões editoriais como essa, uma babaquice como o “CALA BOCA GALVÃO” assume, diante dos olhos e do julgamento dos retardados que levam tal revista a sério, uma importância bem maior do que a vida e a obra de Saramago.

Saramago pedindo um café a sua esposa tem mais conteúdo, provavelmente, do que todas as edições juntas de “Veja” dos últimos 15 anos. Ele tinha razão, quando falava do Twitter — não se enganem, Saramago tinha até blog, não era um velhote vivendo numa caverna. Numa recente entrevista por e-mail a “O Globo”, disse: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.

Pois a “Veja”, hoje, inaugurou a era do grunhido impresso.

Autor: Flavio GomesTags: , ,