15 janeiro, 2011
A Casa de Asterion - Jorge Luis Borges
sobre a bela Flor


14 janeiro, 2011
12 janeiro, 2011
Carta Maior - Washington Araújo - BBB 11 - Ética pelo ralo
08 janeiro, 2011
sobre a beleza das palavras

sobre paliativos e filosofia
sobre idiotas e belas canções

(Carlinhos Vergueiro)
O tempo, não é minha amiga,
Aquilo que você pensou,
As festas, as fotos antigas,
As coisas que você guardou,
Os trastes, os móveis, as tranças,
Os vinhos, os velhos cristais,
Lembranças, lembranças demais,
O tempo não para no porto,
Não apita na curva,
não espera ninguém,
Você vem deitar no meu ombro,
Querendo de novo ficar,
Eu olho e até me assombro,
Como pode esse tempo passar,
O tempo é areia que escapa,
Até entre os dedos do amor,
Depois há o vazio, é o nada,
É areia que o vento levou,
O medo correndo nas veias,
Deixou tanta vida prá traz,
E a gente ficou de mãos cheias,
Com as coisas que não valem mais,
E fica um gosto de usado,
Naquilo que nem se provou,
A gente dormiu acordado,
E o tempo depressa passou!
CE: Edisca apresenta espetáculo “Sagrada” | Economia do Nordeste: Tudo sobre negócios, empresas e investimentos
07 janeiro, 2011
sobre o pensar


05 janeiro, 2011
01 janeiro, 2011
sobre bom senso X senso comum
Oi Mauricio! O seu nome é o mesmo de um grande amigo meu, espero ser um bom sinal!
Não precisa ser formado em filosofia para filosofar, você é prova disso! Acabou de fazer uma excelente colocação sobre um mau uso de palavras que, por estarem tão presentes em nosso meio, nem paramos para pensar sobre seus significados.
Meus estudos no mestrado foram sobre ética e política na filosofia antiga, especialmente em Platão. Minha hipótese era sobre a crítica que Platão fazia à democracia e aos sofistas. Resumidamente, ele dizia que, nas assembléias, enquanto para tratar de assuntos específicos se chamavam os especialistas, quando se tratava de falar sobre política, qualquer um podia dar a sua opinião e fazer valer tal opinião não se baseando na “verdade” da coisa, mas na retórica capaz de convencer a maioria, mesmo que aquilo não fosse o melhor para a cidade.
Explico: Se a cidade pretende construir um navio, a pessoa que vai opinar sobre isso é o construtor naval, se se pretende construir pontes, o arquiteto. Se um arquiteto quiser dar opinião sobre qual a melhor forma de se construir navios, ele será rechaçado, da mesma forma que um engenheiro naval não opina sobre pontes. Oras, diria Platão, se para assuntos como esses se procura sempre o embasamento de um especialista, por que no assunto mais importante, que é a política (já que dita os rumos de toda a cidade) qualquer pessoa pode tomar para si a palavra e convencer uma platéia incauta? Basicamente é uma crítica explícita à democracia. Eu colocaria que é mais ou menos isso que vivemos hoje. Não quer dizer que sou contra a democracia, ainda acho que, dentro do que teríamos como opção, é a menos ruim. O problema é que vivemos em uma pseudodemocracia onde uma pequena parcela da comunidade tem o domínio dos meios de comunicação e acaba dominando ideologicamente a maioria que vota sem conhecer de fato seus direitos e deveres, e quem está no poder pretende que esse cenário se mantenha para que eles possam se manter no poder (um resumo muito do parcial sobre o que eu estudei a respeito, só pra ilustrar minimamente).
Dessa maneira, apesar de cada cidadão brasileiro ter o direito de um, e apenas um, voto, e aparentemente possuir igualdade, na verdade o que acontece está muito longe de ser uma verdadeira democracia, já que esta pressupõe conhecimento, a “cultura” de que tanto falamos hoje. Se não for assim, a pessoa é facilmente manipulável.
Fiz toda essa preleção para falar sobre a questão do senso comum. Acho que você foi bastante feliz no que falou, e concordo plenamente. Nos acostumamos a achar que a opinião da maioria é a melhor, passamos a aceitá-la, nos deixamos levar por ela. O caso que você citou é muito claro e eu usei-o bastante em minhas aulas. Por mais que a pessoa tenha cometido um crime como aquele, nós, enquanto indivíduos, não temos o direito de fazer nada contra ele. Temos leis que devem ser seguidas se não quisermos voltar à barbárie. Não quer dizer que toda lei é boa e não pode ser melhorada, mas neste caso devemos mudar a lei (enquanto grupo, não individualmente), e não transgredi-la.
Sócrates fala, pela boca do Platão, sobre isso no seu livro Críton, onde a personagem homônima, seu amigo de longa data, tenta convencê-lo a fugir para se livrar da pena de morte que Sócrates recebera. Em belíssimas passagens Sócrates chama para um diálogo As leis, como se encarnadas, e trava com elas um debate sobre sua validade. Resumidamente, ele diz que a Lei em si não pode ser questionada, pois se assim fosse nenhuma lei seria reconhecida e assim não poderíamos viver em grupo. O que se pode fazer é questionar o bom ou mau uso destas, e, se for o caso, lutar em grupo para mudá-las. Isso me parece que foge um pouco às pessoas mais afoitas e menos atentas...Elas acabam agindo sem pensar, impulsionadas normalmente por um clamor popular que parece justificar a desordem...não quero dizer que devamos todos seguir cegamente qualquer regra, ao contrário, nesse sentido serei sempre subversiva, irei me contrapor ao status quo até que ele me mostre ser válido, mas não se pode fazer isso de qualquer maneira, tem que haver debate profundo para verificar a validade de qualquer ação.
Acredito que esta é uma das missões da filosofia, fazer com que as pessoas compreendam que não é porque a maioria apóia tal ou qual opinião que ela passa a ser verdadeira e válida. Há que se duvidar sempre. Neste sentido, melhor que o senso comum, seria o bom senso. Infelizmente, em um país como o nosso, ainda vence a maioria, que não tem acesso a uma educação séria e age por impulsos dogmáticos. O que podemos fazer, e o que eu tento fazer enquanto professora, é tentar ajudar cada vez mais pessoas a pensar por si e não acatar prontamente qualquer tipo de clamor popular. Não é fácil, mas é necessário.
sobre as más interpretações no Twitter
Escrever algo polêmico em 140 caracteres é pedir pra entrar em confusão não é? Mas eu não tenho mesmo muito freio e acabei entrando numa bola de neve que me fez inclusive ser citada em um blog de uma pessoa que eu não conheço, mas que fez a gentileza de me avisar sobre tal citação.
Vamos aos fatos, agora explicados em mais de 140 caracteres, mas ainda de maneira bem resumida e sob MEU olhar (não é egocentrismo, ou é, já que esse blog é meu e só quem escreve nele sou eu).
O Roger (do Ultraje a Rigor) postou no twitter que toda essa excitação pela nova presidente mulher, como se ser mulher fosse garantia de algum tipo de qualidade superior, é coisa de gente não culta. Vamos dividir aqui em duas partes:
1. Eu concordo. Ser mulher, negro, operário, ou qualquer outro rótulo de "excluídos" que queiram usar, acreditando que tal rótulo garanta a idoneidade da pessoa, é ignorância. E ignorância no sentido de ausência de conhecimento mesmo.
2. Eu não concordo com o uso do termo "culto". Prefiro erudito. Vamos aos motivos:
Em seu livro Convite à Filosofia, Marilena Chauí fala sobre isso. Resumidamente, é o seguinte: Para o homem, ao nascer, se tornar humano, ele precisa do outro para garantir a ele a posse da linguagem, dos atos, dos valores, etc, para garantir sua existência e suas características. Se um filhote de cachorro perde e mãe e é criado por um gato, ele continuará latindo, e não irá miar. Já o homem não. Existem casos registrados, como do menino encontrado na cidade de Aveyron, na França, no final do século XVIII, e Amala e Kamala, na década de 1920, mostra que pessoas que foram abandonadas e não tiveram contato com humanos (foram “criadas” por animais) não desenvolveram a fala, não andaram eretas, não sorriam ou choravam nem tinham valores morais. Agiam como os animais.
Ou seja, para se tornar de fato humano, o homem precisa se “humanizar”. E isso só é possível no meio de outras pessoas, portanto, no meio cultural. Sendo assim, todas as pessoas devem ser consideradas cultas já que elas são produtos de seu meio. Só falamos como falamos, comemos como comemos, julgamos como julgamos por estarmos no meio de certo tipo de cultura. Assim, existem culturas diferentes, mas não ausência de cultura.
E aquilo a que comumente chamados de ser culto, como sinônimo de ser instruído? No dizer de Chauí, o termo correto a ser utilizado deveria ser “erudito”. Assim, a cultura de um sertanejo é diferente de um comerciante, a cultura de um povo é diferente da de outro povo ou mesmo diferente de sua própria cultura, em épocas diferentes. Mas todas são igualmente, culturas. Dessa maneira, ainda segundo a autora, não se deveria falar em Cultura, no singular, mas em culturas, no plural. E erudita seria aquela pessoa instruída, “formada”, nos próprios termos do senso comum, que tem conhecimentos aprofundados em diversas áreas.
Um seguidor dele me disse que no Aurélio o termo culto tem como sinônimo o termo instruído. Chauí discorda desse uso. Filosoficamente e Sociologicamente, eu concordo com ela. Mas, obviamente, não quer dizer que essa é a única verdade.
Sempre fui fã do Ultraje, desde os meus 8/9 anos (e lá se vão mais de 28 anos, ou seja, quase o tempo de existência da banda) e gosto particularmente do Roger. Não quis fazer “trollagem”, termo que acabei de aprender durante tal discussão, polemizando com ele e com os seus vários “defensores”, mas também não podia deixar de tentar esclarecer isso. Felizmente o Roger tratou toda a questão com muita gentileza, um certo quê de ironia em alguns momentos mas completamente educado, coisa difícil quando se trata de desacordos ideológicos que ocorrem no twitter.
Outra coisa, ao tentar me explicar, usei minha titulação. Não fiz isso por esnobismo, mas para tentar mostrar que sobre aquele assunto, eu tinha certa erudição. Se estamos falando de questões filosóficas ( ou sociológicas) eu me dou ao direito de abrir o debate. Se forem falar sobre o superávit primário eu me recolheria ao meu estado de mera expectadora, com parcos conhecimentos, e tentaria aprender. Ou sobre moda, ou sobre zen budismo, ou sobre qualquer outro tema que eu não domine. Minha dissertação de mestrado falava exatamente sobre a crítica que Platão fazia a esse tipo de pessoa que quer falar sobre qualquer tipo de assunto como se fosse especialista. Como nas relações da internet nós falamos sobre diversos assuntos com quem mal conhecemos, acho natural dizer que eu estava dando opinião sobre o assunto com base em algo academicamente fundado. Não quer dizer que tenho a verdade, ao contrário, enquanto amante da sabedoria, acepção grega da palavra filosofia, pretendo aprender sempre e nunca achar que tenho as respostas. Mas nunca vou parar de buscá-las.
Apesar de tudo, adorei o debate, as críticas e as possibilidades de conversas interessantes que surgiram. Que venham outras tantas polêmicas.