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25 junho, 2010
ainda sobre o perrenge DungaXGlobo
24 junho, 2010
As coisas são bonitas nos olhos de quem acha
sobre a boca e o novo acordo ortográfico

20 junho, 2010
sobre as vantagens de usar o Twitter
sobre Cala bocas e Saramagos
A ERA DO GRUNHIDO
O Brasil tem uma revista semanal, “Veja”, que se considera a maior do país. Deve até ser mesmo, sei lá quais são os critérios, não sei quantos leitores tem, quanto fatura, não me interessa. Deixei de assinar essa porcaria anos atrás, já não me lembro se por algum motivo específico, ou se foi, apenas, porque um dia peguei na porta de casa e me espantei: eu ainda gasto dinheiro com esta merda?
Tal revista perdeu a relevância, para estabelecer um marco, depois da queda de Collor de Mello. Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram. Hoje, a “Veja” é reduto de uns caras chiliquentos como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. “Ah, você não lê, como sabe?”, vai perguntar alguém.
Eu de tudo sei, tudo conheço. Piadinha interna.
Mas não quero falar aqui dessas figuras ridículas que acham que escrevem bem e que se julgam parte de algum grupo de pensadores contemporâneos, já que são cheios de fazer citações by Wikipedia e com elas impressionam seus leitores babacas. O que escrevem e dizem, para não ofender demais, repercute entre eles três e seus leitores babacas, todos compartilhados. Eles detestam o Lula e o PT, e é tudo que conseguem exprimir com sua verborragia enjoativa e padronizada. Mas dali não sai, suas opiniões e ataques histéricos contra o que chamam de esquerda brasileira não têm importância alguma, não produzem eco algum.
Só que a capa da “Veja”, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo “li na ‘Veja’”, e tal. São os “formadores de opinião”. Uau.
E aí aparece aqui na minha frente, no estúdio da rádio, a ”Veja” que foi hoje às bancas. Na capa, “CALA BOCA GALVÃO”, uma foto do narrador da Globo, e está dada a senha para uma pretensa reportagem séria de sete páginas, um “box” e três gráficos sobre o poder do Twitter, motivada por uma bobagem infanto-juvenil que nem os “tuiteiros” levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa. Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir um uma “hashtag” de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.
Ontem morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas. Diz a legenda: “ESTILO E EQUÍVOCO”, reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu.
Alguém ser comunista e ateu, para a “Veja”, é algo mais condenável do que estuprar a mãe no tanque. “Ao lado da criação literária, manteve-se sempre ativo, e equivocado, na política”, diz o texto pastoso, que nem assinado foi. Uma pobreza jornalística inacreditável. “Nos países cujos regimes ele defendia, nenhum escritor que ousou discordar teve o luxo de uma morte tranquila”, encerra o autor. Como é que alguém pode escrever uma merda desse tamanho? Será que essa gente não tem vergonha do que coloca no papel?
Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago, capaz de obras-primas da literatura universal como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “Memorial do Convento”, “Caim”, “Jangada de Pedra”, mereceram da “Veja” meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas.
O que mais me atormenta, quando vejo essas coisas, é saber que graças a decisões editoriais como essa, uma babaquice como o “CALA BOCA GALVÃO” assume, diante dos olhos e do julgamento dos retardados que levam tal revista a sério, uma importância bem maior do que a vida e a obra de Saramago.
Saramago pedindo um café a sua esposa tem mais conteúdo, provavelmente, do que todas as edições juntas de “Veja” dos últimos 15 anos. Ele tinha razão, quando falava do Twitter — não se enganem, Saramago tinha até blog, não era um velhote vivendo numa caverna. Numa recente entrevista por e-mail a “O Globo”, disse: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.
Pois a “Veja”, hoje, inaugurou a era do grunhido impresso.
Autor: Flavio GomesTags: Galvão Bueno, Saramago, Vejasobre os pseudo-filósofos e a morte de Saramago
- Besteiras ditas pelo pseudofilósofo Paulo Giraldeli no twitter:Vaticano diz que Saramago era um "populista extremista". Eu acho que o Vaticano errou, Saramago era apenas um impostor estalinoide.about 17 hours ago via HootSuite
- A língua portuguesa teve um gênio da literatura: Machado de Assis.about 17 hours ago via HootSuite
- Percebemos quando uma pessoa sabe o que é literatura quando ela lê Machado, e sabemos que não entende quando gosta de Saramago.about 18 hours ago via HootSuite
- A literatura em língua portuguesa teve um gênio: Machado de Assis. E teve um impostor: Saramago.about 18 hours ago via HootSuite
- about 18 hours ago via HootSuite
- Saramago finalmente parou de escrever. Deus, mesmo não existindo, nos abençoou!about 23 hours ago via HootSuite
- Saramago está vagando, morto, procurando Deus. E Deus está se escondendo dele, pois o cara era muito chato mesmo!Deus não existe, mas só para poder dar um "pedala robinho" na cabeça vazia do Saramago, ele se auto-criou durante alguns dias.3:35 PM Jun 19th via HootSuite
- Saramago já havia morrido, o problema é que ele não sabia ser cremado.9:15 AM Jun 19th via HootSuite
- Deus para Saramago: "não tenho mágoa de vc por sua afirmação de q não existo, o q me chateou mesmo foi vc dizer q existia um escritor em vc.11:25 PM Jun 18th via HootSuite
- O português Saramago acaba de encontrar o Deus do Velho Testamento no Céu e está tomando uns "pedala robinho"!11:09 PM Jun 18th via HootSuite
- Saramago morreu e embora Deus não exista mesmo ele, como é português, encontrou com Deus.9:42 PM Jun 18th via HootSuite
- Eu sou filósofo. E você é Loira.
- Eu sou filósofa. E loira.