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30 dezembro, 2008

Vestido de noiva e Toda nudez será castigada – Possíveis relações na noção de si mesmo na obra de Nelson Rodrigues

Vestido de noiva e Toda nudez será castigada – Possíveis relações na noção de si mesmo na obra de Nelson Rodrigues

Erika Bataglia da Costa

Mestranda em Filosofia da UFC

Orientanda da Profª Maria Aparecida Montenegro

A obra de Nelson Rodrigues traduz de maneira muitas vezes dura e cruel a classe média brasileira, mostrando sua hipocrisia e sua tentativa desesperada de se encaixar nos padrões e normas de conduta ditadas muitas vezes por aqueles mesmos que sucumbem aos apelos da contemporaneidade. Uma das características mais marcantes de sua obra é a perversidade nas relações sociais, percebidas nas atitudes das pessoas revelando a hipocrisia, a exacerbação e deslealdade das competições, a tentativa de esconder os desejos proibidos, o conformismo exagerado ou o inconformismo agressivo mostrando um universo extremamente pessimista.

Neste trabalho pretende-se fazer um paralelo entre aspectos da obra em relação à noção de si mesmo. Para tanto, faz-se necessária a elaboração de pequeno resumo para contextualização da discussão.

Na obra Vestido de Noiva a personagem principal é Alaíde, mulher da classe média casada com rico industrial e que pensa que será assassinada. A trama se passa em três planos diferentes: a realidade, a memória e a alucinação. Neste último, Alaíde encontra Madame Clessi, prostituta do inicio do século de quem Alaíde leu o diário e por quem passa a nutrir profunda admiração. No plano da realidade Alaíde rouba o namorado da irmã e se casa com ele e acredita que será assassinada, sendo atropelada por um carro e passando por uma longa cirurgia. Durante a cirurgia os planos da memória e da alucinação se entrecruzam constantemente, com várias ações acontecendo de forma não linear.

Em toda nudez, o rico empresário e religioso Herculano perde a esposa e seu irmão, diante da depressão de Herculano e com medo de perder sua fonte de recursos financeiros, apresenta a ele a prostituta Geni, por quem ele se apaixona. O filho de Herculano, Serginho, desaprova o casamento de ambos até que percebe que pode aproveitar de tal situação para trair o pai, a quem culpa pela sua permanência na prisão e o trauma de ter sido molestado por um ladrão boliviano. Após casar-se, Geni passa a ser amante do enteado, e comete suicídio ao descobrir que este a trocou pelo bandido boliviano. Antes, porem, de se matar, deixa registrado o seu relato para o marido Herculano, talvez numa tentativa de explicar sua traição ou de fazer com que ele também sofra com a descoberta.

Em ambas as obras várias imagens e símbolos mostram essa amarga concepção da existência, sem nenhuma surpresa, com pouca sutileza, em que pese a manifesta intenção de ironizar símbolos sagrados à cultura judaico-cristã. Dessa maneira, em Vestido de Noiva o que deveria simbolizar a virgindade, a ingenuidade de sentimentos, a paixão pelo noivo com o qual ocorrerá a união sob a benção de Deus e dos homens, nos mostra um cenário completamente dessacralizado, sem pureza ou castidade, e a hora em que a noiva deve ser vestida é o momento máximo da representação da discórdia, da competição entre Alaíde e sua irmã. “Eu sou muito mais mulher que você, lúcia, sempre fui”. Com essa frase Alaíde tenta justificar para a irmã a sua conduta ao roubar seus namorados, reforçando a noção de si diante da outra.

Em Toda Nudez, o luto de Herculano é quebrado pela paixão avassaladora por Geni, prostituta que afinal sonha em ser uma “mulher de bem”. Os símbolos sagrados na casa em que Geni passa a residir ao casar com Herculano são retirados dos lençóis empoeirados e colocados a descoberto, mas no final das contas continuam ignorados. Alaíde, por sua vez, é mulher da classe média que sonha em ser como a prostituta Clessi, por quem nutre profunda admiração.

Na obra Toda nudez será castigada, Geni, mesmo casada, mantem uma relação com o jovem enteado, reforçando por diversas vezes aspectos de sua juventude. Em Vestido de Noiva, madame Clessi também mantem uma relação com um jovem de apenas 17 anos e vê nele traços de seu filho, levando o espectador a perceber certo ar de incestuosa eroticidade. Tanto Geni quanto Madame Clessi, cada qual à sua maneira, morrem por causa desses jovens.

Outra característica que perpassa as duas obras diz respeito ao machismo, transparente ou reprimido, das personagens, inclusive mulheres. Herculano e Pedro, apesar de profundamente diferentes, tem em comum esse aspecto, e baseiam suas ações sempre no fato de serem – ou terem que ser – superiores às mulheres, que na verdade os manipulam e confundem, na maioria das vezes. Sua noção de si fica perturbada quando percebem não ter em suas mãos as rédeas do destino.

Em ambas as obras a família tem papel secundário mas importante, pois é exatamente a partir delas que se impõem as obrigações morais das personagens. Em Vestido de Noiva, a família ignora o fato de Alaíde ter roubado o namorado da irmã e prepara o casamento tentando ignorar a realidade da traição tão pungente. Após a morte de Alaíde, Lúcia se casa com Pedro em ritual tal qual o anterior e esse fato parece não transtornar nenhum membro da família. Em toda Nudez será castigada, durante o casamento de Geni com Herculano, uma de suas irmãs diz que ela nem parece prostituta, num desejo profundo de apagar o passado da agora membro da família e evitar as prováveis críticas da sociedade burguesa em que vivem.

O desfecho das duas obras é trágico, mas, diante da anuência dos membros envolvidos, parece banal. A morte das protagonistas parece por em curso um continuísmo sem fim na vida daquelas famílias, oprimidas pelo desejo de manter-se fiel às tradições, mesmo que para isso precisem enterrar com seus mortos todas as perversões ocorridas em suas salas e quartos.

19 dezembro, 2008

As citações em meu trabalho são como bandidos de beira de estrada que repentinamente surgem armados e tomam de assalto as convicções dos passantes.

Walter Benjamim

18 dezembro, 2008

sem férias

com milhões de coisas ainda pra fazer...mas com um monte de livro interessante esperando meu tempinho para serem lidos, entre eles A virtude e a felicidade de Marco Tulio Cícero, Risíveis Amores do Kundera, um do Tchekóv de contos, com uma capa e imagens lindíssimas, além do velho e bom Platão, claro...

09 dezembro, 2008

HEXACAMPEÃOOOOO!!!


E como era esperado, mais uma vez meu tricolor levou...melhor ataque, melhor defesa, melhor segundo turno, melhor tecnico, melhor jogador (Hernanes), 5 jogadores na seleção escolhida pela CBF...e ainda tem gente que quer diminuir a conquista por causa de um gol impedido (como vários outros, de varios outros times, ao longo do campeonato, alguns inclusive contra o São Paulo).


Não adianta reclamar. São Paulo foi muito melhor em campo e poderia ter feito outros gols. Time que, sem grandes estrelas, brilhou mais que todos os outros e chegou na frente pela competência de sua equipe e do seu técnico. Time que investe nas bases, que se estrutura pra formar novos jogadores, que a cada ano cresce e leva mais e mais gente a torcer por ele e, claro, muita gente a torcer contra por causa da hegemonia no futebol.


Superação. Essa é a palavra que marcou a conquista do tri seguido e do hexa. Bom demais torcer pra um time assim. Que venha a libertadores!

30 novembro, 2008

14 novembro, 2008

Dialética

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

(Vinícius de Moraes)

12 novembro, 2008

Osesp em Fortaleza

Quando vim morar aqui, senti falta de certos tipos de espetáculos, como os de música erudita. Ao comentar tal falto com algumas pessoas, ouvi a ridícula frase: Ahh,não adianta trazer, cearense gosta mesmo é de forró...

Sempre achei que isso era um absurdo, e que os governantes se aproveitavam deste senso comum para não investir em espetáculos do gênero. Domingo, minhas certezas foram reforçadas. Lindo demais chegar no Parque do Cocó e encontrá-lo completamente lotado.

Que os governantes percebam isso e parem de achar que cearense só quer saber mesmo é de forró...

06 novembro, 2008

sobre Geraldo Vandré

É um mundo estranho esse nosso. Não vivi os turbulentos anos 60, mas me sinto como se tivesse vivido. 1968 é realmente o ano que mudou nossas vidas - sim, não apenas daqueles que já eram nascidos na época - e eu não era - mas de todas as pessoas que vieram depois.

"Pra não dizer que não falei das flores" é uma das músicas mais importantes da minha vida, acredito que foi ela que me acordou do "sono dogmático" (parodiando Kant). E, apesar disso, não conheço o Geraldo Vandré. Claro, sei o básico. Paraibano, foi pro Rio, fez direito e foi líder estudantil. Ganhou um festival com Disparada - interpretado por Jair Rodrigues - e ficou em segundo com a música que todo mundo conhece como "caminhando e cantando e seguindo a canção..." Com o AI5 exilou-se, primeiro no Chile e depois na França. Voltou em 1973, ano em que nasci, e desde então mora em São Paulo.

Eu, e acredito que a maioria absoluta da população, não o reconheceria na rua.Talvez nem se estivesse num cartaz ou numa foto, ou na televisão. Sua imagem é menos conhecida que sua música, o que seria muito interessante num mundo em que bundas e rostinhos botocados são mais importantes que o caráter e as palavras. Mas nesse caso, não.

Ele almoçava na rua Xavier de Toledo. Foi lá que tive meu segundo emprego, e lembro que vagava pela hora do almoço, andando, olhando as coisas do mundo, entrando na Biblioteca Mario de Andrade ou lendo um livro numa das inúmeras praças da região do Anhangabaú. Parece que ele fazia o mesmo. Devo ter passado por ele várias vezes. Se fosse o Chico, o Gil ou o Caetano, eu teria reconhecido. Mas não o Vandré. Por que?

Provavelmente porque ele isolou-se em seu apartamento antigo abarrotado de livros. Não foi fazer especial na Rede Globo, ou vendeu discos com histórias de amor. É um pouco duro fazer esse tipo de constatação, mas o que vende mais sempre foi e sempre será as músicas de amor. Ou de dor, as de cotovelo, mas nunca as de guerra, de revolução, de oposição real a um mundo que oprime e mata as pessoas. As pessoas que escolheram seguir adiante na luta, mesmo quando ela não parecia mais fazer sentido, acabaram isoladas do mundo. Vandré fez isso propositadamente.

Dizem que ele é louco, outros que é depressivo. Não importa. Importa saber que, num mundo onde as idéias estão valendo menos que as aparências, seria importante reconhecer o Vandré na rua. E sorrir pra ele, aquele sorriso de cumplicidade que as outras pessoas não entenderiam. Um sorriso de agradecimento pela sua coerência.





23 outubro, 2008


Sobre “Ensaio sobre a Cegueira – o Filme”

Erika Bataglia da Costa*



...os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se
nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como
porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da
cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso,
qualquer um pode verificar, é que se descompôs pela
angústia. Num movimento rápido, o que estava à vista
desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se
ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última
imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo.
Estou cego, estou cego...


O romance de José Saramago no qual se baseia o livro é provavelmente um dos mais estimulantes e impactantes trabalhos do autor. Na vasta obra de Saramago várias vezes podemos observar a angústia daqueles que já não sabem quem são, tomados que estão pelas intermitências da morte ou esperando a terra voltar a tremer numa jangada de pedra. Em Todos os Nomes, a Conservatória Geral de Registro Civil comporta homens que já não tem mais a verdadeira noção de si mesmos, tão absortos que estão nos trabalhos burocráticos e repetitivos de anos. Sem perceber-se como alguém que não tem mais consciência de si mesmo, o Sr, José começa a burlar as regras tão rigidamente seguidas inclusive por ele mesmo em busca de um desconhecido. Sua busca por outro mostra quem ele realmente é. Saramago recorre a personagens como esta para mostrar que muitas vezes o caos interior é maior que o exterior, e mais difícil de ser contido. Em "Ensaio sobre a Cegueira" o autor nos coloca diante de várias personagens sem nome, justamente aquilo que normalmente diferencia uma pessoa de outra, e nos mostra como, diante de circunstâncias tão adversas, nos tornamos de fato aquilo que somos essencialmente.

Não é tarefa fácil imaginar uma adaptação cinematográfica para essa obra-prima de Saramago, transformar a prosa do escritor português em filme poderia resultar na diminuição do impacto de várias cenas e se tornar apenas mais um filme onde humanos se tornam zumbis, imagem que a maioria tem ao ler as cenas onde os cegos estão com as bocas abertas para cima no meio da rua, para beber a água da chuva, ou cambaleando famintos dentro de um supermercado em busca de alimentos.

Obviamente a adaptação não tem o mesmo impacto que sua fonte. O cineasta disse em entrevista ter tentado manter cenas mais chocantes na edição, mas foi convencido (leia-se, impelido pelos patrocinadores) a tornar o filme mais palatável para evitar chocar a platéia. Não há como não se chocar com a obra de Saramago, e este é talvez o maior problema com o filme. A “cegueira branca” influenciou a fotografia do filme, quase todo em tons claros, em alguns casos até o extremo. A luz é tão forte que acaba impedindo a visão, em algumas cenas, de quem vê o filme, trazendo uma imagem de assepsia que se contrapõe à sujeira descrita no livro e que se vê de forma menos intensa no filme. Não que se faça questão de ver toda a sujeira dos excrementos dos cegos no local da quarentena, mas no livro a imagem passada pelo autor choca e tem um motivo. Saramago cria parábolas e paradoxos. Por um lado, pessoas “sãs” que passam pelas outras como se estas fossem invisíveis, mas que depois precisam destas mesmas pessoas para se salvar, outras que procuram ajudar o próximo como numa situação de altruísmo quando na verdade é apenas pela percepção de que sem o outro não é possível ser si mesmo. A humanidade dá passagem à selvageria em busca de sobrevivência. Em desespero extremo, mulheres se submetem aos homens para conseguir comida, e voltam como guerreiras que não deixaram de ser quem elas de fato são por causa da coerção alheia. Da vergonha e desespero à força para impedir que novas coerções como estas aconteçam, são as mulheres que colocam à prova a força do grupo que se dizia líder. A mulher do médico, única a enxergar, tenta ajudar a todos o tempo todo, deixando de lado a si mesma. Observando o comportamento deles e o modo como se relacionam uns com os outros, ela chega a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são a partir do momento em que não podem mais julgar a partir do que vêem. Cansada da situação, percebe que é a única que pode resolver o problema. Ao sair do local da quarentena, vê que a cidade toda foi praticamente destruída por causa da epidemia, e aproveitando-se de sua rara condição, guia o grupo até sua casa.
O filme não fala sobre como desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar como uma sociedade desmorona ao perder tudo aquilo que considera como civilizado. Mas é diante do colapso que o grupo tenta reencontrar a sua humanidade. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas também dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Como os olhos do primeiro cego, que pareciam sãos, mas já não eram, Saramago talvez nos quisesse mostrar quão doentes estão todos os outros “olhos” num mundo crivado pelo individualismo, onde o pensar em si mesmo sobrepõe-se, onde o egoísmo é maior que o entendimento do outro como necessário à formação do seu ser. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.
Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga 0 que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.


*Mestranda do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Ceará – UFC. Bolsista Capes-Reuni.
De uma colega, reclamando do cabelo...

Franja e ex-marido é a mesma coisa, a gente nunca sabe o que fazer com eles...

concordo plenamente...
Da contribuição do meu amigo Ailton...

Lendo uma entrevista do Truffaut, do livro O CINEMA SEGUNDO FRANÇOISTRUFFAUT, dele falando a respeito do filme O QUARTO VERDE, não pudedeixar de compartilhar essas palavras do sábio cineasta com vocês.Transcrevo-as abaixo: "Mas tudo que é do domínio afetivo reclama o absoluto. O filho quer amãe por toda a vida, os amantes querem se amar por toda a vida, tudoem nós pede o definitivo - enquanto que a vida nos ensina oprovisório. Eu me pergunto se o que há de mais importante no mundo nãoé esse momento em que invertemos isso, em que achamos, por exemplo,que nossos filhos são mais importantes para nós do que nossos pais... Na medida em que o tempo passa, torna-se conveniente esquecermosnossos mortos, pois, esquecendo-os, é a nossa própria morte queesquecemos. Proust disse: "Não é por os outros estarem mortos que anossa afeição por eles diminui, mas porque nós mesmos morremos..." Sim, o verdadeiro dilaceramento reside na necessidade de aceitarmos oprovisório - para sobrevivermos."

20 outubro, 2008

Não dá...

A pessoa te adiciona no orkut dizendo assim: Te axei linda, mim add...

MIM??? Quem é o índio? Axei??? Sinceramente, não da muito mais trabalho escrever corretamente não.

16 outubro, 2008

das coisas bacanas que acontecem em dias ruins...

Ontem foi um caos. Meus planos sendo dilacerados pelas pessoas de má-fé.
O bom é que, sem que esperemos, surgem pessoas novas e bacanas e transformam a noite em algo muito leve, me fazendo esquecer os problemas todos...(apesar de parte da noite ter me trazido uma tristezinha daquelas bem fortes lá no fundo)

Música, muita música, antiga (leia-se música de dor de cotovelo, perfeitas)...

Cervejas e cantorias depois: Parte do diálogo:

A: Vocês lembram do plebiscito para definir se teríamos um regime presidencialista, parlamentarista ou monarquista?

B: Lembro, eu votei no presidencialismo

C: Eu lembro, mas era muito nova pra votar...

Eu: Eu votei no presidencialismo também...

A: Pois pra mim, se a monarquia ganhasse, o rei deveria ser o Paulinho da Viola!

Todos nós, pensando a mesma coisa: é, sabemos que seria um Orleans e Bragança desses, mas que deveria ser o Paulinho, ahhh, com certeza!!



Orgulho

(Paulinho da Viola – Capinan)

Você passa dissipada
Na fumaça de seu orgulho
E os dias móveis carregam
O móvel laqueado
Não se usam mais os pés dourados
Nem as promessas de um amor
Atormentado e vazio

Um velho caminhão de mudanças some na fumaça
Para onde você passa?
Para onde as coisas passam?
Quando o orgulho esmaga as asas
O tempo é um pássaro de natureza vaga



Saudade

Você fez da minha vida
Uma rua sem saída
Por onde andou minha solidão

E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
E se desfolha em meu coração

Para aliviar o meu sofrimento
Rompe em silêncio meu canto de felicidade
Dentro de um samba eu desfaço o que ela me fez
Quero abrigar, no entanto
Mais uma flor que renasce
Para fugir da saudade e sorrir outra vez





Chico Buarque - 1982


Eu te vejo sair por aí

Te avisei que a cidade era um vão

-Dá tua mão

-Olha pra mim

-Não faz assim

-Não vai lá não


Os letreiros a te colorir

Embaraçam a minha visão

Eu te vi suspirar de aflição

E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser

Tua sombra a se multiplicar

Nos teus olhos também posso ver

As vitrines te vendo passar


Na galeria

Cada clarão

É como um dia depois de outro dia

Abrindo um salão

Passas em exposição

Passas sem ver teu vigia

Catando a poesia

Que entornas no chão

15 outubro, 2008

dos contratos sociais

Thomas Hobbes tinha razão, o homem é o lobo do homem...

Mais uma vez quebrei a cara, acreditei em quem não devia e agora fico me perguntando...será que eu estou certa?Ainda dá pra uma pessoa de boa-fé viver num mundo onde as pessoas agem por má-fé?

Quando foi que a palavra dita perdeu sentido?

Quando foi que um pedaço de papel virou rei?

Meu pedaço de papel assinado e carimbado deveria valer mais, só que a morosidade é imbatível...

Refazendo os planos, cá estou novamente me perguntando quando é que o mundo vai finalmente me mudar...

Minha única alegria é saber que a palavra "amigo" é daquelas que ainda fazem sentido...
Mundana que sou (somos todos)
busco na razão
a contenção dos apetites

As vezes consigo
As vezes não

Sou mais eu quanto menos mundana eu sou.

06 outubro, 2008

Das coisas que eu quero...

Quero quem
Deitado ao meu lado
ou distante de mim
me dê boa noite
numa segunda-feira
chuvosa ou não...

01 outubro, 2008


Eu não sou desse tempo de hoje

corrido, banal

Eu sou do tempo da delicadeza

do que é bonito e simples

do que é essencial.

Até filósofo espera um grande amor...

"Três paixões, simples mas irresistíveis, determinaram minha vida: o anseio por amor, o ímpeto por conhecimento e uma insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade...Busquei o amor, primeiramente, porque ele produz êxtase - um êxtase tão poderoso que, não raro, teria sacrificado todo o resto de minha vida por algumas horas desse enlevo. Almejei-o, em segundo lugar, porque ele liberta da solidão, aquela solidão atroz em que uma consciência individual estremecida, por sobre a orla do mundo, olha abaixo para o abismo frio, sem vida e insondável. E , por fim, desejei-o porque, na união amorosa, contemplava, como que prefigurado em uma mística miniatura, o paraíso imaginado pelos santos e poetas." (Bertrand Russell)

30 setembro, 2008

Uma verdade inconveniente





Até quando esperar?


Se quiserem saber
se volto diga que sim
Mas só depois
que a saudade
se afastar de mim
Só depois que a saudade
se afastar de mim

Zé Keti

25 setembro, 2008

Das dores, dos horrores...

Angustiada por ver as pessoas em quem a gente mais confia e acredita sendo injustas, por ver a teimosia e a falta de coragem barrar coisas tão lindas, por estar longe de quem a gente ama, por amar errado, por não ver solução onde esta seria tão simples, por ter que fingir estar bem sem estar, por ter que ser racional quando estou tão emotiva, por tentarem me convencer de algo que não sou...mas esperançosa por saber que tenho amigos que estão perto de mim me amparando, me mostrando que eu tenho um bom coração e mereço ser feliz, que erros acontecem mas que tenho uma vida de acertos pra me mostrar que tudo isso vai passar e por mais doloroso que seja no final eu sei que muita gente vai perceber os erros que cometeram e quanto foram injustas...

21 setembro, 2008

quem não tem mais nada a perder acaba cometendo grandes erros...

09 setembro, 2008

“A mim parece que, desde os últimos três séculos, a civilização européia desleixou a lei do equilíbrio. Ela levou, sim, de uma maneira admirável, a cultura da ciência e sua aplicação técnica e organizatória ao seu pleno desenvolvimento. Mas não terá ela desenvolvido, também, e cunhado a capacidade de estar em poder de armas mortais e de saber o que nossa cultura carrega, com isso, de responsabilidade para a humanidade em seu todo?”

H-G. Gadamer

06 setembro, 2008

Besteirol corinthiano

JOSÉ GERALDO COUTO

"United Colors of Corinthians"


Idéia de vender espaço para fotos de torcedores transforma camisa do time em revista "Caras" de pano

A IMAGINAÇÃO dos cartolas brasileiros não tem limites, pelo menos quando se trata de levantar dinheiro rápido à custa da paixão do torcedor.
A mais nova idéia genial, daquelas que fazem uma lampadinha acender acima da cabeça do sujeito, é da diretoria corintiana: imprimir fotos de torcedores nas camisas usadas pelos jogadores na partida que selar a volta do clube à Série A, mediante a módica quantia de R$ 1.000 por cabeça.
De acordo com os autores da idéia, cada camisa dos dez titulares da linha (o goleiro, por algum motivo, está excluído) teria espaço para 400 fotos. Com isso, o clube arrecadaria R$ 4 milhões em 90 minutos. Pode ser que eu tenha entendido tudo errado, mas vejo alguns problemas na concretização da proposta.
Primeiro, num torneio de pontos corridos, é impossível saber de antemão em que partida um clube confirmará sua classificação, uma vez que isso depende de uma série de resultados de outros jogos da rodada.
A não ser que se combine com todos os clubes envolvidos, a CBF, o comitê de arbitragem etc. -o que, afinal, talvez não seja tão difícil assim.
Mas há também a prosaica questão material, métrica -ou antes, milimétrica. Por mais que a camisa de um atleta possa ser ampla, ela tem uma superfície limitada. Para que caibam nela 400 caras de torcedores, essas terão que ser minúsculas fotos 3x4, mesmo porque tem de sobrar espaço para o número do jogador, o distintivo do clube, o logotipo do fornecedor de material esportivo e o reluzente nome do patrocinador.
Outra coisa: com tantas carinhas impressas na camisa, dificilmente ela terá uma cor facilmente discernível, como o preto e o branco característicos do time. E cada camisa, trazendo impresso um conjunto diferente de retratos (e portanto de indivíduos, com sua diversidade étnica e cromática), tenderá a ter uma cor diferente das outras.
Você consegue imaginar a confusão carnavalesca de um elenco vestido com semelhante "desuniforme"? No mínimo vai parecer obra do Bispo do Rosário. Ou anúncio da série "United Colors of Benetton".
Os autores da idéia mencionam uma iniciativa semelhante que teria sido adotada pela equipe de F-1 Honda. Tudo bem, mas um piloto não tem que se vestir de modo a se igualar a seus companheiros de equipe e a se diferenciar dos rivais.
Mas deixemos de lado a miudeza dos entraves práticos. O que esse plano genial, no fundo, significa? Para mim, que os dirigentes estão apelando mais à vaidade do que propriamente à fidelidade do torcedor.
Na sociedade da imagem e da superexposição pessoal em que vivemos, faz sentido que uns endinheirados queiram estampar seus rostinhos numa camisa, digamos, histórica.
Os torcedores mais fiéis provavelmente prefeririam usar os R$ 1.000, se os tivessem, comprando ingressos para todos os jogos do Corinthians na competição, ou para viajar com o time para um importante confronto fora de casa. (Isso tudo, claro, depois de comprar comida, pagar aluguel, passe de ônibus etc.) Mas talvez eu esteja jurassicamente enganado, falando sozinho num mundo em que faz todo o sentido a transformação da camisa do Corinthians numa espécie de edição têxtil da revista "Caras".

jgcouto@uol.com.br

05 setembro, 2008

Tanta coisa pra fazer e às vezes vem um cansaço da alma, cansaço por tanta coisa sobre as quais não tenho controle nenhum...

02 setembro, 2008

Quem sabe, um dia...

Thiago de Mello


Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony



Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Santiago do Chile, abril de 1964

22 agosto, 2008

Das coisas insuportáveis nas Olimpíadas...

As piadas de duplo sentido sobre a China estar "de olhos bem abertos" nessas Olimpíadas,

O Galvão Bueno instigando uma competição ridícula com a Argentina,

O Galvão Bueno dizendo que perdemos sim para a Argentina, mas ainda estamos na frente deles no quadro de medalhas,

O Galvão Bueno fingindo que o Marcelinho é tão bom quanto o insuportável do Ricardinho só pra não suscitar mais discussões sobre a saída mal explicada do melhor levantador do mundo,

O Galvão Bueno narrando a queda do Diego Hipólyto,

O Galvão Bueno dizendo ser um absurdo brasileiros serem contratados para se naturalizar na Geórgia para competir, quando no Brasil o apoio ao esporte é ridículo (vide, dentre os medalhistas, quantos treinam fora do país),

O Galvão Bueno dizendo pra Marta que ela não fez nada de errado pra Deus castigá-la com a perda do jogo na final,

O Galvão Bueno, o Galvão Bueno, o Galvão Bueno...

29 julho, 2008

ADOREI!!!!

Dercy Conçalves viveu 101 anos.
Ela viveu diversos fatos marcantes da nossa história, como:
- O primeiro homem a pisar na Lua
- As 2 guerras mundiais
- Viu 34 presidentes no Brasil
- O naufrágio do Titanic
- Viu a construição do muro de Berlim
- A revolução de Fidel Castro
- O golpe dos militares no Brasil
- Viu e resistiu à Ditadura
- Viu o início do cinema mudo
- A queda da bolsa de valores NY 1929
- Viu todas as copas do mundo

- Só não viu o CORINTHIANS ser campeão da LIBERTADORES

28 julho, 2008

Meu aniversario de 35 anos





Foi uma semana intensa e muito boa, meus planos começando a dar certo e a comemoracao do meu aniversario e da minha sobrinha que foi muito bom...


A festa tambem foi de despedida da casa, devo sair em breve, ja estou a procura de novo lar!!

18 julho, 2008

Beijar e´ ato publico

beijar é ato político - que maravilha!

Copiado do lindo blog da Fernanda, postado aqui por eu concordar que homofobia e um absurdo:( http://cousascousadas.wordpress.com/)

tsc tsc… eu já disse e repito…o cara tem um bar e resolve tomar atitudes homofóbicas quer dizer que ele é, no mínimo BURRO!
o Cantinho Acadêmico fica na 13 de maio ali em frente a pracinha da gentilândia. ponto de passagem de todo cristão e ateu que anda/vive/convive no bairro do Benfica. impossível passar ali e não encontrar gente conhecida. não se trata de um bar gay, coisa de gueto, não. o público é misto, porém a imeeensa maioria ou tem ou já teve alguma história ou amigos gays e lésbicas.ninguém se espanta com manifestações de carinhos entre pessoas do mesmo sexo.
só o dono, o Pereira.
o Pereira é um cara legal, na maior parte do tempo. até você levar seu namorado e namorada pra lá e resolver beijar na boca, aí ele volta e meia dá mancada. os garçons param de servir, você fica no vácuo.
comigo, em 2003, no começo do meu namoro com a nathália, ele mandou a conta. ficamos putas, até porque ele mandava recados pelo garçom, mas naquela noite não tava a fim de bate boca, escrevi um recado pra ele no verso da conta e fomos embora.
depois de um tempo percebi que parar de andar lá não era solução, era exatamente o que ele queria! o bar continua cheio, inclusive de amigos meus, já que o lugar é no coração do benfica. então voltei, voltamos. depois que fui jurada no Veja Fortaleza e votei no Cantinho Acadêmico (no Cantinho da Filosofia, também, meu povo, é massa lá!), ele começou a me tratar muittíssimo bem.
impressionante o que interesses comerciais não fazem.
mas aí ele continua a dar mancadas. mesmo alguns clientes gays e lésbicas me dizendo que ele é ok com isso, outros relatam casos de homofobia, constrangimentos.
então, depois dele fazer isso com pessoas muito bem informadas (ih, se lascou!) quanto à lei municipal 8.211/98, que pune estabelecimentos comerciais que pratiquem atos homofóbicos, vai ouvir e ver (vai ter exibição de algo em telão em frente ao bar, na rua) uma resposta:
HOJE (ja foi gente...), a partir das 18h todos convidados para o ato contra a homofobia do Pereira.como fazer pra participar?
chegue por lá, sente, peça uma cerveja, leve seu par ou amigo, se quiser… e beije. pode só aplaudir, também!ou seja, se expresse, EXISTA, OCUPE aquele espAÇO:
beijo, carinho, bom papo, demonstre que o Pereira não pode maltratar clientes gays, afinal, ele ganhou uma concessão da Prefeitura pra ter um bar em espaço público! então, o espaço é seu também!
ora se a maior parte dos clientes é GLBT ou muito amigos de GLBTs e apóia demosntrações de afeto em público, ele vai parar de servir o bar todo?então é isso. ao invés de boicotar e sumir do bar, é mais eficiente impregnar e exigir respeito do Pereira. com graça. e beijo.
até lá!
ps: claaaro que a imprensa estará presente.
ps2: do papo “carinho em público = a atentado ao pudor” eu já cansei. qualquer criança de 10 anos sabe a diferença.
ps3: foto é do poste em frente ao cantinho acadêmico, na praça. (vamo ver se aparece no post, se não, tá no www.fotolog.com/cidadesolar ).

Ao inves desse povo ficar indignado com o afeto entre pessoas do mesmo sexo, devia ficar indignado com a miseria, a pobreza, a fome, a violencia, as falcatruas do Governo que rouba nosso dinheiro e ainda ri de nos enquanto a gente fica feito bobo olhando pro lado sem saber o que fazer. FALE, GRITE!!! Pode parecer pouco mas as vezes um e-mail enviado para um deputado ou senador começa a fazer diferença, o que nao podemos mais ´e nao fazer nada...Eu reclamo, sempre reclamei, passo por chata para alguns pseudo-amigos que acham bonitinho quem reclama desde que nao seja na sua mesa de bar...
Eu faço minha parte, faça voce a sua!

P.S.: Por mais usuaria que seja do mundo cibernetico nao quero/gosto da falta de acentuaçao e os absurdos cometidos em nome da "rapidez" da internet, por isso sempre uso acentos e pontos onde eles devem estar, o problema e que meu computador ta morrendo e resolveu boicotar minha vontade de nao assassinato da Lingua Portuguesa, portanto nao estranhem tantos erros juntos num so post...

15 julho, 2008

ah, pra quem nao entendeu, a borracha tem que ser branca para nao deixar marcas, as outras deixam...

Medo

Tem horas que olho no olho e tenho medo do que vejo...
nao quero mais ter medo, quero certezas...mesmo que para isso tenha que me apagar com borracha branca e começar a escrever minha vida do zero...

12 julho, 2008

Amigos de verdade

Toca o telefone, o amigo diz:
- To indo beber perto da sua casa, vou passar pra te pegar pra você não furar...
Eu, do outro lado da cidade, procurando casa pra não ficar sem teto, digo que ia para uma palestra mas diante destas condições, não iria mais...
Sentados, nós quatro, na mesa, depois de um tempão o amigo fala:
- A gente sabe quando tem um amigo de verdade quando, mesmo depois de um tempão sem se ver, a conversa acontece como se não tivesse passado um dia... :)

Sou feliz com os amigos que tenho!

07 julho, 2008

Congressos de filosofia em Recife e Brasília


O Encontro Interinstitucional aconteceu na UFPE, eu fiquei na casa do Pablo que é bem pertinho do Campus e consegui aproveitar tanto as palestras quanto as festas (apesar de poucas). Em Olinda conheci a Bodega dos Véi, tradicional bodega que a noite vira point do pessoal mais velho, bem legal. Em Recife antigo fui ao Burburinho, esse ai da foto, e lá me deparei com a "caixinha" que tem um segredo para ser aberta e a compulsivva aqui passou horas tentando abrir! mas consegui!! (mesmo que com a ajuda do dono)


No último dia ninguém tinha mais paciência para assistir nada e o bar foi a parada obrigatória! Bom para conhecer pessoas bacanas que acabaram se tornando amigos. Incrível como afinidades aproximam as pessoas...


Em Brasília fiquei na casa da Janaina, amiga da Val e do Israel, que foi um doce...Aí em cima, no belo Campus da UnB, com o famoso céu azul do Distrito Federal...almocei no RU que também foi projetado pelo Niemeyer...tudo muito lindo...mas não da para não pensar que tanta falcatrua acontece por lá...


Obra de Brecheret, umas das muitas obras lindíssimas do Itamaraty...Várias salas para receber as "visitas" ilustres que chegam mas não podem ser recebidas pois as salas possuem obras valiosas demais para ficarem tão expostas...então por que não levam para um museu?

Tanto dinheiro da gente indo pro ralo...

Foram duas semanas maravilhosas...Bom me sentir finalmente no meio acadêmico...


Cansei de ser só

Vivemos o tempo da Ode ao individualismo, sem perceber que sua consequência é a solidão...Vejam as propagandas e o que elas incitam...
Cansei de ser só...

06 julho, 2008

Eu dizia, mas ninguém acreditava...




Há dois meses minha Fofona sumiu, e nunca mais a encontrei...Era o cão (e não somente o Pit Bull) mais dócil que eu já conheci...Era muito mais dócil que esse aí do lado, um Scottish Terrier que não por acaso chama-se Nietzsche...Saudades dela, até mesmo de quando derrubava com o rabo tudo o que vinha pela frente...Espero que alguém tenha percebido que ela não era um monstro e a tenha pego e esteja cuidando dela...Adeus, minha Sophia...


'Salsicha' é o cão mais feroz do mundo, diz estudo

Pesquisa da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, põe 'bad boy' pit bull em 6º na lista.
Nada de pitt bull, rottweiller ou pastores alemães - as raças mais agressivas do mundo são dachshund, chihuahua e jack russell terriers, de acordo com um estudo recente da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
A pesquisa foi publicada na última edição da publicação científica Applied Animal Behavior Science e afirma que um em cinco dachshunds, também conhecidos como cães salsicha, já atacou ou tentou atacar estranhos; um em 12 dos salsichas já atacou os próprios donos.
Estes são alguns dos resultados do levantamento com 6 mil donos de cães de 30 raças diferentes. De acordo com os questionários, as raças que mais tendem a atacar humanos são dachshund e chihuahua.
Já os cães menos agressivos, de acordo com a pesquisa, são golden retrievers, labradores, são bernardos, britanny spaniels e greyhounds.
Os "bad boys" caninos, raças que enfrentam má fama de serem muito agressivas, como pitt bulls e rottweillers, ficaram na média de agressividade canina ou até abaixo, no que diz respeito a ataques contra estranhos.
Os pesquisadores afirmam que o estudo indica que raças menores tendem a ser mais agressivas que as maiores.
A diferença nos resultados dessa pesquisa para outros levantamentos sobre agressividade canina pode se dever ao fato de normalmente serem usadas estatísticas médicas de ataques a mordidas.
Como os ataques de cães maiores costumam causar ferimentos mais graves que os menores, estas estatísticas poderiam estar distorcidas, afirmam os acadêmicos americanos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

29 junho, 2008

Tanta coisa...

Agora que vi que não escrevo ha tanto tempo!!!
Muitas coisas aconteceram mas o final do semestre me impediu de ter tempo para postar aqui, nesta semana estarei de volta...Férias!!!

04 junho, 2008

Difícil entender que o óbvio é chato e sem sentido...quero a loucura escancarada da vida, fuga desmedida de mim, em mim, por mim...para além de mim...

02 junho, 2008

Archai-Seminario Internacional de Platonistas

Agora, meu segundo encontro de filosofia, em Brasília...
Vou conhecer o Franco Trabattoni, o maior especialista em Platão na atualidade...
Mais uma vez, bom demais ter amigos, estou na casa da Janaina, amiga da Val e do Israel, e ela é um amor.. :)
Ia ser muito chato estar em Bsb sem ninguem por perto...
Na volta coloco tudo em dia!

27 maio, 2008

Encontro Insterinstitucional - Recife

E ca estou para o meu primeiro Encontro de Filosofia!! vou apresentar minha comunicação amanhã, quero ver milhares de palestras e aproveitar um pouquinho dessa cidade quase desconhecida pra mim, apesar de tantas vezes ter estado aqui (trancada em hotel, falando de remédio)...

Sorte maior é ter amigos...estou na casa de um irmão de um novo amigo meu do mestrado, beeem pertinho da UFPE...simpatia é "bem" de família!! Que bom!!

E que venham os dias...e as noites...

19 maio, 2008

Recortes sobre a saudade...

"e a saudade que eu tinha de gente fazia com que eu rolasse horas na areia do sol abrasador, abraçando meu próprio corpo, inventando um prazer que eu precisava para me sentir vivendo talvez, porque eu não tinha medos nem preocupações nem mágoas nem nada concreto nem expectativas, as minhas células amorteciam, eu sentia que ia acabar virando uma palmeira, os meus pés agora parecem raízes, mas ainda tenho mãos, então eu rolava na areia quente enquanto meus dentes faziam marcas fundas roxas nos meus braços, nas minhas pernas e de repente todas as minhas células explodiam em vida, exatamente isso, em vida, eu tinha dentro de mim todo aquele sol todo aquele mar tudo aquilo que eu conhecera antes, que conheceria depois, se não estivesse aqui. Eu ficava amplo, na areia, abraçado a mim mesmo” Caio Fernando Abreu – Trecho (In O Inventário do Ir-remediável)


“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." Clarice Lispector


“O tempo não pára! A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”Mário Quintana


“Teus olhos verdes são maiores que o mar. Se um dia eu fosse tão forte quanto você eu te desprezaria e viveria no espaço. Ou talvez então eu te amasse. Ai! que saudades me dá da vida que nunca tive!”
Tom Jobim


Saudade
Saudade
É uma palavra
Saudade
Só existe na língua portuguesa
Saudade de Val vendendo pó na esquina
Saudade do que nunca vai voltar
E dos amigos que se foram
Eu hoje estou com saudade
Na noite quente e no calor
Que sobe do asfalto
Saudade quente
Saudade da roda de cerveja
Dos amigos da madruga e
Saudade de nadar no mar
E um dia ter sido mais puro
Saudade da primeira namorada
E namorado também
Saudade, principalmente
Da irresponsabilidade
Saudade, meus amigos
Daqui a pouco vou estar com vocês. Cazuza


"Ai. Saudade é uma coisa azul e amarga com carne por fora e espinho por dentro." Caio Fernando Abreu


É uma saudade tão doída de você Que eu não sei mais nada, não. E é isso aí sempre que o amor não pode ser, Sempre que a distância pode mais que o coração."As Razões do Coração – Toquinho


"Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim, Prá lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim. Pois você sumiu no mundo sem me avisar, E agora eu era um louco a perguntar: O que é que a vida vai fazer de mim?"João e Maria – Chico Buarque


Sobre a saudade. "Eu era um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar e viver tranqüilamente. Ainda não aprendi. É desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou. Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez para a nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior não importa, mas que será diferente..." (Trilogia Suja em Havana - Pedro Juan Gutierrez)


"Não, as palavras não fazem amor fazem ausência
Se digo água, beberei? Se digo pão,comerei?"
Alejandra Pizarnik


"(...) Só é triste quem não se recorda, quem não mistura os fatos com as impressões. Toque-me no pescoço, o braço ficará arrepiado e será um acontecimento. Toque-me na memória e vou me encontrar mais do que me pertenci. Nenhuma separação é maior do que a possibilidade de restauração da memória. Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente. A memória devolve o que não tínhamos. A memória é a saudade do que virá. Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos." Carpinejar


"Ah, se eu pudesse te transmitir a lembrança, só agora viva, do que nós dois já vivemos sem saber." Clarice Lispector


"Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim"
Mário de Sá-Carneiro


Fragmentos 92
"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"Fernando Pessoas


"É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que , apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...é preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso , também, que seja como abrir uma janela e respirar-te , azul e luminosa, no ar... É preciso a saudade para eu te sentir como sinto em mim a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra...múltipla... imprevista... que nunca te pareces com o teu retrato... e eu tenho que fechar os olhos para ver-te!!" Sob o olhar: Mário Quintana


Chega de Saudade
Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer.
Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...
Tom Jobim


Viver é saudade prévia...plantamos hoje a saudade de amanhã.C.D.A

18 maio, 2008

Last week

É possível numa mesma semana acontecer tanta coisa inusitada, boas e ruins, ao mesmo tempo? É. Aconteceu comigo.

Das coisas muito boas que aconteceram, fica aqui um pequeno registro (não sou fotógrafa profissional, só brinco com a máquina) . Das coisas ruins prefiro esquecer...elas passarão, eu passarinho...


Show do Nazareth em Fortaleza ! Love Hurts!!





15 maio, 2008

Chico todo

Pela primeira vez estou ouvindo a obra completa do Chico na ordem cronológica, o que é muito interessante...devo agradecer aqui a um certo menino malino pelo belo presente!

A Estética é uma ética - Ou sobre o papel da mulher no mundo.

Normalmente não coloco aqui textos inteiros, prefiro comentá-los, mas acredito que a jornalista da Carta Capital expressou de maneira tão ímpar o tema que prefiro deixa-lo completo...

A estética é uma ética
02/05/2008 12:17:18

Rosane Pavam
Michelle Perrot é uma intelectual francesa que se especializou na história das mulheres, uma tendência historiográfica hoje tida por incontornável. Mede-se um governo pela forma de tratá-las e um intelectual, pelo papel com a qual as distingue. Claro que estamos falando da França. Mas dona Perrot, com um programa na Rádio France Culture, atingiu alguma popularidade, há cerca de três anos, ao contar as razões pelas quais a mulher merece uma história especial.

A seu ver, esta escrita é necessária porque a narrativa feminina foi omitida dos anais da história. O que a mulher dizia, especialmente às escondidas (e se, por sorte alfabetizada, nos diários), não se contava, jogava-se no lixo. Hoje os historiadores estão à cata de seus bilhetes, receitas e álbuns fotográficos em busca de alcançá-la. Ela se viu omitida por força de um entendimento tácito entre homens, mulheres mesmo, políticos e intelectuais. Michelle Perrot nos faz corar quando mostra o que disseram pensadores sobre ela, em “Minha História das Mulheres” (editora Contexto).

Escolhi duas citações. Uma de Paulo, na primeira epístola a Timóteo: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine nem use de autoridade sobre o marido, mas que permaneça em silêncio.” E esta outra, de um Kierkegaard torturado pela sexualidade feminina: “Eu gostaria de dizer a um desses tolos que pregam a emancipação: olhe, ei-la em sua imperfeição, mais fraca que o homem; se tiver coragem, corte seus cachos abundantes, rompa as pesadas correntes e deixe-a correr como uma louca, como uma criminosa, aterrorizando a todos.”

A mulher só teve um papel de destaque na Revolução Francesa, sustenta Michelle Perrot, durante as manifestações enérgicas pelo preço justo do pão. Do final do século XVII até a revolução de 1789, ela foi a “rainha das ruas”, “a mais ardente” nos confrontos com a polícia. Mas, decapitada Maria Antonieta, a mulher regressou à cozinha. Durante o Antigo Regime, portanto, ela foi muito mais importante do que no século XIX, quando a regularização do abastecimento e a taxação do preço do pão eliminaram progressivamente este tipo de rebelião.

Vão contestar, vão chiar, vão dizer que as mulheres são iguais aos homens desde há muito, depois de todos esses fatos findos. Mas é que ainda não são. “Negro do mundo”, disse John Lennon sobre ela. Lembro-me de ter obtido da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles, como resposta a uma pergunta que lhe fiz, a seguinte expressão definidora da mulher: “Bicho da sombra.” Isto tem quase dez anos. E a sombra continua. E a mulher, ao agir, continua a fazê-lo em silêncio até mesmo pelos Jardins, bairro paulistano onde dona Lygia mora.

Observo figuras enquanto caminho pelas revistas femininas do consultório. São publicações repaginadas por um senso de valorização feminina, revistas cultas, por assim dizer, ou conscientes, desejando informar seu público, enquanto o diverte com pecadilhos, ou mesmo grande pecados, de consumo da imagem de mulher. Todas as publicações que a consideram personagem nuclear tratam de torná-la essencial pela agressividade do rótulo de “rainha das ruas” (e já vejo o tempo em que elas retornarão, resignadas, ao salão de beleza). Mas, ao fazer esta abordagem, tais revistas acabam por entregá-la de bandeja a novos vexames.

A candidata a primeira-dama venceu o câncer, mora sozinha e pede que as mulheres não se pautem pela beleza, enquanto posa para a foto com lindos colares, barriga sarada e um olhar de quem se assustou ou se perdeu. A atriz que enfrentou o presidente ao pedir o fim da transposição de um rio, consciente e intransigente, olha ao interlocutor de ar maroto, segurando uma maçã, na primeira página de uma revista em couchê.

A mensagem transmitida por tais mulheres de papel agressivo, grandioso porque masculino, mas em primeiro lugar insinuante por conta da necessidade sexual da superbeleza, é insuportavelmente dúbia. Elas não dão um naco por serem bonitas, claro, mas estão prontas a destacar este reconhecimento físico, fazendo valer seu epíteto de mercado. E então, o que isto significa? Que se vendem, de bom grado. E o que temos a ver com isso? São lindas, por enquanto.

Temos de olhá-las. Temos de discutir se a cor dos seus cabelos está adequada. O corte muda tudo. Desculpe a expressão, mas eu me pego nos cabelos. Eles parecem ser o único assunto a unir aquela cabeça em rodopio da chaminé ambulante Carrie-in-the-city, as mulheres-saias e os antes tão divertidos, mas agora luivuitonizados, dois neurônios. Oprah Winfrey diz que mudar os cabelos mexe muito no emocional. Também lembra que as tinturas libertaram todas as mulheres depois dos 40 anos.

Os cabelos são a essência feminina, para Kierkegaard, Winfrey e Betty Lago, quiçá. Michelle Perrot dedica boa parte do livro aos cachos. “A representação dos cabelos das mulheres é um tema maior de sua figuração, principalmente quando se quer sugerir a proximidade da natureza, da animalidade, do sexo e do pecado. Eva e Maria Madalena são dotadas de espessas cabeleiras que fazem a beleza da estatuária medieval e da pintura do Renascimento alemão.” O cabelo é um presente de Deus, dado à mulher como véu, segundo o velho amigo apóstolo Paulo. O véu a encobri-la, aqui ou entre os afegãos.

“A mulher é, antes de tudo, uma imagem”, diz Perrot. “Um rosto, um corpo, vestido ou nu. A mulher é feita de aparências. E isso se acentua mais porque, na cultura judaico-cristã, ela é constrangida ao silêncio em público. Ela deve ora se ocultar, ora se mostrar. Códigos bastante precisos regem suas aparições, assim como de tal ou qual parte de seu corpo. Os cabelos, por exemplo, condensam sua sedução.”

Ninguém tem o direito de ser feia, diz Perrot. “A estética é uma ética”.

Fico pensando, como Virginia Woolf, que são as roupas que nos usam, e não o contrário. Mas que mundo é este? Não dou a mínima para dicas que se avolumam na farmácia, contraditórias, pelosas, sobre a elasticidade de meus fios. Minha juventude não esteve nos cabelos. Eles passaram como os de Leopoldina, enfeixados em um laço no Museu do Ipiranga. Que puderam ser os cabelos, meu deus, diante de uma descoberta poética? Lembro-me da foto de Lou Salomé brincando de chicotear os eternos apaixonados filósofos Paul Ree e Friedrich Nietzsche. Poeta, psicanalista, ela disse aquilo em que acredito: “Primeiro vivemos a juventude, depois a juventude vive em nós.”

Sou mais jovem quando leio do que quando tinturo.

12 maio, 2008

Falhas na comunicação

Tenho muito interesse em saber mais sobre a comunicação entre as pessoas. Muitos enganos acontecem por absoluta falta de acordo sobre signos da comunicação, algo agravado pela diferença de sexo. O que para uma mulher é óbvio para um homem pode parecer absurdamente difícil de entender, e vice-versa, e no mundo das imediatidades é ainda mais difícil evitar as falhas que ocorrem constantemente...Platão estava certo, ou na verdade Sócrates, o diálogo ainda é a principal arma para evitar tais problemas. Difícil é existir algum homem decidido a entender isso...

09 maio, 2008

Fernanda Takai - Onde brilhem os olhos seus

Preconceito é fogo, não gosto muito de Pato Fu, mas gostava da voz da Takai...aí em Guara ouvi o cd do Ailton, gostei, ganhei dele uma cópia e cá estou, lembrando da minha infância ouvindo Zé Keti...essa músisa expressa muito meu momento...

Diz que fui por Aí
Zé Keti
Composição: Zé Kéti e H. Rocha

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão
debaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
E se houver motivo
É mais um samba que eu faço

Se quiserem saber
se volto diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Só depois que a saudade se afastar de mim

Tenho um violão
p’ra me acompanhar
Tenho muitos amigos
eu sou popular
Tenho a madrugada
como companheira

A saudade me dói
o meu peito me rói
Eu estou na cidade
eu estou na favela
Eu estou por aí
sempre pensando nela

Comercial

Depois de velha o povo continua me chamando pra fotos e comerciais, pode? Foi-se o tempo...
Mas foi interessante gravar de novo, depois de tantos anos...estou no comercial da Agência de Publicidade Register, sou uma jovem executiva chegando na agência...aflorando meu lado atriz...rs
Bom é o dinheirinho extra pras cervejas no fim-de-semana!

08 maio, 2008

Eu, sobre Vênus de Milo




As palavras reverberam a melodia
implícita em sua luxúria
que corre lânguida na alva fronte
que penetra doce em profundo estar.

As curvas nuas, mámore alvo
desnudam corpo, alma, dor
toca a pele, o pêlo, o rosto
pedra bruta à clara flor.

O frio do toque queima a alma
dos olhos a te mirar
de duras pedras se fez pura
eterna, plena, muda
a estar, a estar, a estar...

Alma

ao pó voltou
o que antes alma
que varria o tempo
Perscrutava o espaço
clara e calma
alma
surge casta e dura
alma
realimentada na melancolia
das almas filosóficas
Aquiles ou Ulisses?
quem manobra os deuses?
quem rivaliza com os deuses?
voce? eu?
tristeza da alma
refletida em lágrimas
No infinito, onde muitos se curam
outros se escondem
ou se rendem
perdem
sem tentar

no ato, que há muito se tem
uns dormem
outros morrem
ninguém vem, ou fica ou foi
quem se faz humano?
quem consegue gritar, ou cantar
sozinho?

Eu posso, mas passo
Necessidade não é virtude
Virtude é querer, não precisar
Por necessidade, ato bravo não vale!

Solidão

o frio que encobre
perdas duras e mágoas cruas
não há sol que impeça
o gangrenar
de alma pura
que se faz muda
a gritar...

Show da Mônica Salmaso com Pau Brasil






Poucas vezes me faltam palavras para falar sobre algo que me toca, alma de poeta que tenho, mas ontem o dia foi tão perfeito que, nesse caso, palavras não conseguirão mostrar


o tamanho da minha felicidade...


foi tão bom que fui duas vezes, e me emocionei igualmente...











02 maio, 2008

1a Nhocada Kika's house


Ontem fui pro jogo do São Paulo no Bali pra ver os meninos da Vertigo tocando acústico (muito massa a banda que eu adoro tocando num evento do meu time!) mas não pude ficar até o fim por que era o dia de ver a Deusa cantar! De lá levamos o amigo querido Israel pro Amicis pra matar a saudade (e ele ficar feliz por pagar só R$ 3,50 por uma long neck e lembrar que São Paulo é terrível pra quem gosta de beber) e acabei chegando em casa de manhazinha...não dormi quase nada mas só agora começou a bater o cansaço pois o dia foi tão bom que compensou qualquer sono ou cansaço que eu pudesse ter...
Como sempre acontece, a troca de e-mails que antecede qualquer evento da turma so (al) cool, por menor que seja, é um espetáculo à parte. Pretendia escrever aqui sobre o dia de hoje mas acho que o e-mail que enviei pro povo depois da farra resume bem o que foi mais este evento!Ei-lo:


Oi pessoas! A abertura da temporada 2008 do Kika's Drinks Drugs Sex House (muito mais drinks que as outras possibilidades) me deixou com algumas certezas, algumas constatações e uma dúvida:

- na próxima vez teremos na cota uma pessoa responsável pela limpeza, como nas viagens... (a cozinha está intransitável!)

- A Val não vai poder mais vir com desculpa de que achou um livro que sei lá quem deu de brincadeira...vamos assumir que queremos todas saber as 209 maneiras de enlouquecer os homens! ( e Elis, se vc ainda não aprendeu a manusear o dito cujo nós podemos deixar o livro com vc primeiro viu?)

- A Babita tem que começar a receber cachê pelas interpretações intempestivas e alguem TEM que filmar !! (por que daqui ha 10 anos ela vai jurar que é tudo invenção nossa!)

- O Murilo foi rebaixado e agora o novo sous-chef é o Neto. (brincadeirinha meu amigo, vc sabe que eu te amo)

- Nada a ver o povo falando que estava se engasgando com a linha das braccolas!Eu avisei antes que todo mundo estivesse bêbado!

- Definitivamente a Mafalda é a grande campeã de bilheteria.

- No final ainda tivemos um pequeno sarau com direito a canjas mais que especiais do Diamante (que é uma pérola!) e um campeonato muito louco de samba no pé e há controvérsias sobre quem foi o vencedor...

-Teve a Elis se garantindo muito no trato com os nhoques, a Babita conseguindo fazer DUAS coisas impossíveis (cortar as linguiças e fazer o patê, mas com supervisão acirrada), a Juliana Sampaio se garantindo comendo, ops, cortando as azeitonas, o Marlon dizendo pro Eriko que a Babita é louca, a Amanda que foi mil-e-uma-utilidades, os convidados internacionais e os internacionalmente conhecidos Ricardo Diamante que queria de todo jeito ganhar meu copinho lindo dos Beatles que o Israel me deu,e o outro Ricardo que é um menino malino dando força pra ele, Manel que ta chegando e se aprochegando, o Ailton que como já é da casa fez sala pras visitas,o Rodrigo que ensinou direitinho pra Babita como fazer o dificílimo patê e ainda ficou por perto supervisionando e dando apoio moral, Ju e Marcelia que eu quase não tive tempo de dar atenção mas que eu adoro ter aqui em casa, o caos na hora de comer pela falta de pratos/copos/talheres/lugares pra sentar, Enfim, mais um dia como outro qualquer em que a turma se reune!


E a dúvida é: O que faremos com o Danilo? Sem nosso ator principal nossa tão sonhada interpretação de Bonitinha mas ordinária com a mangueira erótica ficou completamente impossibilitada! Vamos votar a pena que ele vai ter que pagar!!! O que vocês sugerem?

beijos!!

01 maio, 2008

Show da Bethania e Omara




Poucas coisas na vida preenchem tanto nossa alma quanto a voz maravilhosa de Maria Bethânia...linda, fluindo na ponta dos pés na extensão do palco que parece ceder à todos os seus encantos. Plena, corpo e melodia misturam-se e compoem uma ode à alegria de se estar vivo e sentir irromper em nosso corpo a explosão máxima que só a arte dos gênios pode explicar.

Ainda agora, 24h depois do show, sinto-me arrepiar ao lembrar da voz daquela que me faz realmente acreditar que a música brasileira é a melhor do mundo.

Melhor ainda com a companhia de amigos maravilhosos como o Israel e a Amanda...

30 abril, 2008

do frio que encobre perdas duras
e mágoas cruas
não há sol que impeça
o gangrenar
da alma pura
que se fez muda
a gritar